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Método Snowflake para escrever livros

O planejamento é o primeiro passo para idar início a qualquer projeto. Seja uma dieta, rotina de exercícios, lançamento de um produto, uma campanha publicitária ou… um livro!

Sem um planejamento, corremos o risco de tomar decisões incoerentes e que resultarão em trabalho dobrado para remendar os furos que deixamos pelo caminho.

E foi com o objetivo de ajudar nesse processo inicial que surgiu o método Snowflake (ou “floco de neve”, em português), idealizado pelo escritor americano Randy Ingermanson. Entenda!

O que é o método snowflake?

O método Snowflake é um “guia” utilizado por autores nas etapas iniciais de um livro. Ele serve para nortear a tomada de decisão sobre elementos fundamentais da história. Durante esse brainstorm, o escritor pode testar diferentes possibilidades e projetar a obra por completo, do começo ao fim.

Quais são as etapas do método Snowfale?

Etapa 1: escrever a história em uma frase

Resuma sua história em poucas palavras, sem muitos detalhes. Foque no gancho principal da narrativa. Por exemplo, o livro Assassinato no Expresso do Oriente, de Agatha Christie, poderia ser resumido em “Detetive investiga assassinato em trem para descobrir o passageiro culpado”.

Etapa 2: expandir a frase em um paragrafo

Depois de criar uma frase, comece a adicionar detalhes. Ainda utilizando o exemplo do livro de Agatha Christie, o parágrafo poderia trazer informações sobre quem morreu e onde o trem estava indo.

Etapa 3: criar fichas para os personagens

Com essas informações, já é possível ter ideia de quais personagens farão parte da narrativa. Crie fichas para catalogar suas principais características e desvios de personalidade. Não é necessário ir muito a fundo neste momento.

Etapa 4: expandir o parágrafo inicial em vários parágrafos

Agora que você já perfilou os principais personagens, fica mais fácil adicionar ainda mais detalhes ao esboço que você já fez. Divida o parágrafo da etapa anterior como se você estivesse contando a história a um amigo, acrescentando mais detalhes para que a trama seja compreendida.

Etapa 5: expandir as fichas dos personagens em sinopses mais completas

Hora de escrever um pouco mais sobre cada personagem. Crie um resumo sobre sua personalidade e seu papel na história, realmente planejando sua jornada. Conhecer os arquétipos de personagens pode facilitar este trabalho.

Leia mais: o que é sinopse e como escrever uma?

Etapa 6: expandir cada parágrafo em uma página

Quanto mais detalhes você conseguir adicionar, melhor. Por isso, complemente o que já foi escrito com mais informações, pensando nos desdobramentos e em como cada ponto se conecta com o gancho principal da história.

Etapa 7: construir uma ficha detalhada dos personagens

Experiências passadas, sonhos, traumas, hobbies, motivações… todos esses detalhes são fundamentais para justificar as escolhas dos personagens ao longo da trama. Por isso ter tudo isso catalogado em uma ficha será fundamental para os passos seguintes.

Etapa 8: criar uma planilha com capítulos e cenas

Agora que você já sabe como sua história começa e termina, é hora de planejar a sequência em capítulos e cenas fundamentais para conduzir a narrativa até o ponto final. A dica é organizar tudo isso em uma planilha, assim você tem um guia prático de qual evento deve ser apresentado em seguida.

Etapa 9: desenvolver as cenas como base para um primeiro rascunho

Depois de organizar os capítulos, comece a rascunhar as cenas mais importantes, pensando em elementos fundamentais, decisões dos personagens e cenários.

Etapa 10: escrever seu primeiro rascunho.

Após esse passo a passo, você está pronto para rascunhar sua história. Todos os detalhes importantes já foram planejados, basta desdobrar tudo o que você já criou em cenas mais detalhadas.

Lembre-se de que você provavelmente revisará esse rascunho no futuro. Por isso, não se apegue ao perfecccionismo neste momento. Escreva da forma mais fluida possível e, depois de finalizar o texto por completo, trabalhe para melhorar o que for necessário.

E aí, gostou das dicas? Conta pra gente nos comentários qual método você utiliza para planejar uma história :)

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O que é epílogo e como escrever um?

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Algumas histórias tornam-se tão especiais que o desfecho da trama não parece suficiente para aceitar seu término. Imaginamos o futuro dos personagens, tentamos entender melhor algo que ficou aberto e ansiamos por algumas linhas a mais para acalmar o coração e seguir em frente.

Tudo isso pode soar bastante exagerado, mas não é atoa que existe um recurso textual justamente para nos dar esse gostinho depois do fim. Saiba mais sobre esse formato! =)

O que é epílogo?

O epílogo é o oposto do prólogo. É a última parte do texto, adicionada ao final da obra para encerrar a narrativa. Trata-se de um recurso utilizado para desfecho, sendo bastante útil quando não é possível deixar todas as pontas amarradinhas no último parágrafo, por exemplo. Também é usado para projetar o futuro dos personagens ou dar voz a um deles, revelando seus sentimentos a partir dos acontecimentos narrados.

Dicas para escrever um epílogo:

  1. Menos é mais: não utilize um epílogo caso sua história tenha sido bem concluída no último capítulo. As vezes, o mistério que fica depois do fim é o que torna a obra tão memorável. No livro “A culpa é das estrelas”, escrito por John Green, não sabemos o que acontece depois da cena final, o que nos leva a especular sobre o futuro de Hazel na luta contra o câncer. E é justamente esse tipo de incerteza que torna a narrativa tão especial, afinal, estamos falando de uma doença imprevisível. Um epílogo com certeza não teria o mesmo efeito.
  2. Planeje o futuro com cuidado: mexer com o futuro é sempre perigoso, inclusive para escritores. Ao projetar acontecimentos que não serão narrados, é preciso tomar muito cuidado, conduzindo os personagens por caminhos possíveis e adequados para os desdobramentos da história. As sagas infantojuvenis Harry Potter, Jogos Vorazes e Crepúsculo são exemplos de projeções bem feitas e (geralmente) aprovadas pelo público.
  3. Fuja do óbvio: a não ser que você esteja escrevendo um conto de fadas para crianças, tente surpreender seus leitores no epílogo. Afinal, se os próximos acontecimentos já forem prevísiveis a partir dos capítulos finais, será que um desfecho é realmente necessário?

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Arquétipos de personagens segundo Vogler

Se olharmos atentamente para as histórias contadas em livros ou filmes, é possível identificar traços de personalidade semelhantes em cada narrativa. Sim, cada personagem é único e possui características exclusivas que fazem dele uma persona original. Porém, não é novidade que existem recorrências nos papeis.

Esses padrões são chamados de arquétipos e é sobre isso que falaremos neste artigo. Confira! :)

O que são arquétipos?

De acordo com o psicólogo suíço Carl G. Jung, arquétipos são padrões de personalidade compartilhados por toda a humanidade.

Segundo ele, existe um incosciente coletivo, onde contos de fadas e mitos funcionam como sonhos de uma cultura inteira. Ou seja: apesar da variação de tempo, culturas e experiências, existe certa constância nas personalidades dos indivíduos.

Saiba como começar a escrever um livro.

Arquétipos e funções, segundo Vogler

Tomando as teorias de Jung e Joseph Campbell (criador da Jornada do Heroi) como ponto de partida, Christopher Vogler explica os arquétipos mais utilizados na literatura e no cinema, em sua obra “A Jornada do Escritor”.

O livro apresenta em detalhes as principais características de cada tipo de personalidade. Além disso, explica como esses papeis podem confundir-se em um mesmo personagem. Confira o trecho extraído da obra:

“Quando comecei a lidar com essas idéias, pensava num arquétipo como um papel fixo, que um personagem desempenharia com exclusividade no decorrer de uma história. Quando identificava que um personagem era um mentor, esperava que ele fosse até o fim sendo mentor, e apenas mentor.
Entretanto, quando fui trabalhar com os motivos de contos de fadas, como consultor de histórias para a Disney, descobri outra maneira de encarar os arquétipos — não como papéis rígidos para os personagens, mas como funções que eles desempenham temporariamente para obter certos efeitos numa história”

Leia mais: como escolher o nome para os personagens do seu livro?

Características de cada arquétipo:

Heroi

O heroi é quem conduz a história (normalmente destacando-se como protagonista). Parafraseando Vogler, “a raiz da ideia de Herói está ligada a um sacrifício de si mesmo.” Normalmente o livro é narrado a partir do seu ponto de vista.

Mentor: velha ou velho sábio

Sabe aquele personagem que aconselha o heroi, possui mais experiência que ele ou já passou por situações semelhantes ao longo da vida? Esse tipo de personalidade pode ser classificada como “mentora” e normalmente se apresenta como uma pessoa mais velha.

Guardião de limiar

Para ganhar a batalha, o heroi precisa superar obstáculos (sejam pessoas, objetos ou lugares). Os guardiões de limiar são colocados no caminho do protagonista e precisam ser ultrapassados, mas nem sempre são figuras “do mal”. Podem ser capatazes do vilão ou personagens neutros.

Arauto

Acontecimentos ou pessoas que “empurram” o heroi em sua jornada são chamados de Arautos. Eles se apresentam em forma de desafios, são a força catalisadora para que a narrativa se desenrole.

Camaleão

A função do camaleão é ser instável e, por isso, nem sempre é fácil identificá-lo. Seu papel mais comum é o de par ou interesse romantico do heroi. Segundo Vogler, “os Camaleões mudam de aparência ou de estado de espírito. Tanto para o herói como para o público, é difícil ter certeza do que eles são. Podem induzir o herói ao erro ou deixá-lo na dúvida, sua lealdade ou sinceridade estão sempre em questão”.

Sombra

O vilão da história possui o arquétipo de “sombra”. Seus objetivos são sempre diferentes dos apresentados pelo heroi e, por isso, talvez seja necessário destruí-lo. É muito comum existirem traços semelhantes de personalidade entre vilão e heroi, porém, as características da sobra geralmente refletem os pontos negativos.

Pícaro

O pícaro entra em cena como um “alívio cômico”, trazendo um pouco de leveza para a história, mesmo em situações difíceis. Suas ações normalmente são carregadas de humor e críticas, sendo fundamentais para que o heroi tome decisões necessárias.

Como identificar a natureza de um arquétipo?

No livro, Vogler nos convida ainda e analisar a natureza que compõe cada um dos arquétipos. Segundo ele, existem duas perguntas capazes de nos auxiliar nesta jornada:

  1. Que função psicológica ou que parte da personalidade ele representa?
  2. Qual sua função dramática na história?

A resposta para a primeira questão concentra-se nas características que cada personagem apresenta. O heroi, por exemplo, é aquele que tenta proteger os outros e se arrisca, aceitando sacrifícios por um bem maior. Todos temos mais de uma característica dentro de nós, mas a principal função psicológica é a que mais se destaca entre elas.

Já a segunda questão gira em torno das funções que o arquétipo de cada personagem têm para a história. Ou seja, qual papel ele desempenha: gerar identificação com a plateia, promover a ação da narrativa, sacrificar-se ou aprender com os erros, por exemplo.

E você? Já sabe como utilizar esses conceitos para complementar sua escrita? :)

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Prólogo: o que é e como escrever um?

Mais uma palavrinha difícil do dicionário literário: prólogo.
Neste artigo explicaremos o significado deste recurso literário, além de dicas para utilizá-lo em uma obra. Confira!

Leia também: Como começar a escrever um livro?

O que é prólogo?

O prólogo é um recurso de texto utilizado antes do primeiro capítulo de um livro. Funciona como uma preliminar da história, trazendo informações paralelas ao discurso central.

O formato surgiu na Grécia Antiga, como uma espécie de monólogo antes do início de peças teatrais. Normalmente, este espaço era utilizado para contextualizar a plateia antes dos atores ganherem a cena.

Qual a diferença entre prólogo e prefácio?

Enquanto o prólogo é parte da história, iniciando a narrativa, o prefácio funciona como uma nota do autor (ou de um convidado) explicando o conteúdo do livro ou dando sua própria opinião.

Ambos são apresentados antes da narrativa principal, mas o primeiro está sempre conectado à história.

Tipos de prólogo:

Confira alguns formatos comuns utilizados para iniciar uma obra.

Ação

Nem toda obra começa de forma lenta e suave até chegar ao plot principal. Algumas histórias precisam adiantar o acontecimento central para que a narrativa se desdobre. Os livros de Agatha Christie, por exemplo, apresentam o crime logo no início para que a investigação faça sentido. Ao final da história, sempre há um desfecho que explica em detalhes exatamente o que aconteceu lá no comecinho.

Moldura

Este formato normalmente apresenta a perspectiva do personagem principal sobre a trama. Em um livro de aventura, por exemplo, sempre fica um aprendizado que pode ser antecipado ao leitor, introduzindo um dos sentimentos que ele está prestes a vivenciar. É basicamente um spoiler das consequências de todos os acontecimentos.

Teaser

A maneira mais simples de compreender a função do teaser é a partir do cinema. Séries e filmes costumam utilizar este recurso para mostrar algo que acontecerá mais tarde. Ele serve para criar expectativas sobre o roteiro.

A série Marcella, da Netflix é um bom exemplo de teaser: o primeiro episódio da primeira temporada começa com uma cena da detetive em uma banheira coberta de sangue. Em seguida, a história volta pra o início de uma investigação de assassinato, conduzindo a audiência e dando pistas do que pode ter acontecido para levar a personagem até aquele momento.

Dicas para escrever um prólogo de sucesso:

  1. Não adicione informações desnecessárias e que possam confundir o leitor durante a narrativa. A ideia é utilizar este recurso como forma de despertar a curiosidade, sem tirar a atenção do verdadeiro foco da história.
  2. Tome muito cuidado ao utilizar pontos de vista diferentes no prólogo em relação ao restante da obra. Dar um tom muito diferente logo no início pode criar falsas expectativas no leitor.
  3. Seja breve. O início de um livro é decisivo para a continuidade da leitura, portanto, não enrole muito para começar a introduzir a história. Prólogos tendem a ser curtos e rápidos.

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Características da literatura Young Adult

Se você já passou dos 25 anos, mas continua reservando um lugar especial em seu coração para livros e filmes que atraem o público adolescente, fique tranquilo! Apesar da literatura ser categorizada por faixa-etária, isso não significa que você seja a única pessoa do universo a preferir ficção escrita para os mais jovens. 

Neste artigo, explicaremos o que é o gênero young adult e porque ele faz tanto sucesso.

Mas afinal, o que é o gênero Young Adult?

Teoricamente, Young Adult é a literatura com foco em adolescentes de 14 a 21 anos. A nomenclatura não tem nada a ver com a definição de “jovens adultos” que temos atualmente – isso porque a expressão surgiu no começo do século XIX, quando a percepção de idade era muito diferente do que temos. 

Exemplos de livros e sagas Young Adult

  • A culpa é das estrelas, John Green
  • Percy Jackson, Rick Riordan
  • Crepúsculo, Stephenie Meyer
  • Jogos Vorazes, Suzanne Collins

Leia também: O que Harry Potter pode ensinar aos escritores hoje?

Por que o gênero faz tanto sucesso?

As histórias normalmente são criativas, romanticas e fáceis de consumir. Por isso, muitos adultos são fãs do gênero: a leitura vem como forma de escape da realidade.

Além disso, as histórias feitas para adolescentes normalmente misturam elementos da realidade à distopias, criam universos paralelos encantadores e são marcantes, com características que ultrapassarão a escrita, chegando até às telas do cinema e confundindo a imagens dos personagens a de atores populares no momento.

Dicas para escrever uma obra Young Adult

Personagem jovem marcante 

Todo livro (ou a maioria, pelo menos) deste gênero tem um protagonista com características marcantes, que fazem com que o público se identifique. Normalmente, observamos sua evolução e amadurecimento ao longo da história, tomando decisões responsáveis e que ultrapassam a sabedoria de um jovem de 14 anos, por exemplo.

Apelo para emoções da adolescência

Durante a adolescência, convivemos com emoções intensas, como revolta, confusão, descoberta de quem somos e o sentimento de incompreensão. Se olharmos para os principais personagens do gênero, é possível notar todas essas emoções presentes em algum momento da história. É esse tipo de emoção que fará com que o público imediatamente identifique-se com a obra, afinal, já viveu ou estará vivenciando muitos destes conflitos.

Linguagem simples 

Nada de escrever coisas difíceis, utilizar palavras pouco populares ou criar grandes conclusões que precisam de contexto histórico, muita interpretação e bagagem literária. Os livros young adult são, normalmente, a porta de entrada para o universo da ficção para muitos adolescentes e uma escolha “fácil de consumir” para o público mais velho. Por isso, aposte sempre em linguagem simples e garanta maior abrangência para sua obra.  

Saiba como retormar o hábito da leitura

Atemporalidade

Para que um livro do gênero young adult seja interessante também para adultos, é necessário evitar expressões ou comportamentos que apenas os mais jovens saberão interpretar. Memes, referências a outros filmes e livros, gírias… tudo isso deve ser deixado em segundo plano, já que muda o tempo o tempo e pode não fazer sentido para outras faixa-etárias ou para os próximos anos.

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