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Dicas para começar a escrever um livro

Você terminou de ler um livro incrível e está se sentindo inspirado? Ou então, viu aquele seu filme favorito e lembrou da sensação de mergulhar em universo paralelo que até parece real? Sabemos como é: dá vontade de escrever um livro também, criar personagens particulares e dar vida a uma história que é só sua. Fique tranquilo! Você não está sozinho nessa.

Para te ajudar a colocar esse sonho em prática, separamos algumas dicas essenciais para que você comece, de uma vez, a escrever seu livro.

Se você ainda não sabe sobre o que quer escrever: 

É mais comum do que parece querer publicar uma obra sem nem mesmo ter uma história planejada. Neste caso, partimos do básico. Vamos lá?

Escolha um gênero 

Que tipo de livro você costuma ler? Ou então, qual gênero de filmes e séries você mais gosta? Entender o estilo literário que mais combina com você é essencial para planejar uma história. Também é preciso repertório: se você deseja escrever um livro de terror, mas morre de medo, talvez não seja a melhor escolha, certo? É preciso se apaixonar pelo universo e pelo estilo de narrativa escolhido, por isso, a dica é sempre começar por algo que faz parte da sua rotina. 

Inspire-se em um autor

Seu autor favorito pode sim ser uma inspiração para sua obra. Observe sem medo sua forma de construir diálogos, capítulos, inícios e fins. É claro que inspiração não significa plágio. Ou seja: aproveite o que outros escritores têm de melhor para construir seu próprio estilo narrativo, mas não copie o que já foi inventado.

Faça um brainstorm de temas

Se você ainda não sabe por onde começar, é hora de viajar nas ideias. Se você gosta de romances, formule algumas histórias sem muitos detalhes. Por exemplo “um casal que se conhece na praia, se encontra 10 anos depois e revive um amor quase esquecido” – esse tipo de esboço vai te ajudar a chegar em uma ideia mais concreta. 

Rascunhe uma trajetória 

Depois de escolher uma história, é hora de lapidar a narrativa. Como os personagens passarão do início ao fim? O que acontecerá de importante no meio? Quem são as pessoas envolvidas?

Resuma sua história em três linhas

Toda história precisa de início, meio e fim. Eles não precisam, necessariamente seguir uma ordem, mas é importante que você reconheça com facilidade como se inicia a jornada e como ela irá acabar. O que acontece no meio é um recheio da trama, mas tão essencial quanto qualquer outra parte – é ela que ditará o rumo do livro. 

Para facilitar esse processo, tente construir sua ideia em apenas três linhas. Caso você ainda não consiga resumir a história, talvez seja necessário investir mais um tempinho na formulação da proposta. Não se apegue a detalhes, apenas considere um cenário geral.

Se você já tem uma história:

Com uma ideia mais definida do que você quer escrever o processo fica mais objetivo. Já podemos partir para os detalhes. Confira as dicas:

Planeje os personagens

Pense com cuidado no herói e no vilão da narrativa. Os detalhes da personalidade e o passado de cada personagem serão fundamentais para justificar suas escolhas na história. 

Os conteúdos abaixo podem ajudá-lo neste processo:

Crie o universo onde a história acontece

Se a história se passa em um lugar real, é hora de estudar (muito!) sobre ele. Leia sobre a natureza, os costumes e a cultura local e seus diferenciais. Veja filmes que se passam neste mesmo lugar e leia outros livros para criar repertório. 

Mas, se você está criando um universo original, é hora de planejar os detalhes: como é o clima? O que ele tem de especial? Como as pessoas se comportam? Enfim… tudo o que pode ser relevante para ajudar o leitor a mergulhar nessa aventura com você.

Faça um esboço com mais detalhes 

Agora que você já tem mais informações sobre a história que deseja contar, é necessário criar os detalhes e rascunhar a linha do tempo. Esse esboço servirá como guia na hora de escrever o livro e você poderá consultá-lo (ou ajustá-lo) sempre que necessário. Esse esboço também é fundamental para compreendermos se a história se sustenta até o final e se tudo continua fazendo sentido antes de partir para a prática. 

Escolha um estilo de narrativa

Sobre qual ponto de vista a história será contada? Entenda os estilos de narrador (observador, primeira pessoa etc) e escolha qual combina mais com o formato que você pensou. Além disso, planeje também a apresentação dos fatos. Um livro nem sempre precisa começar pelo ponto 0. Podemos apresentar um acontecimento do meio da história e, aos poucos, ir revelando como tudo chegou aquele ponto. 

Hora de escrever!

Com essas dicas, você está pronto para começar. Lembre-se que a história é construída aos poucos e você não precisa ter tudo decidido antes de escrever. A escrita fluirá naturalmente depois do planejamento inicial. Por fim: não seja um perfeccionista! Escreva, veja como tudo se encaixa e, no final, altere o que for necessário. 

E boa sorte! :) 
Já estamos ansiosos para conhecer sua obra. 

Continue lendo: 

O que são autores independentes e como se tornar um?
Como escrever um livro? Guia completo
Sobre os ossos dos mortos: lições para criar personagens

Leia Mais

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Clube de Autores lançará livro com 39 crônicas sobre a quarentena

Se você caiu de paraquedas por aqui e ainda não sabe do desafio que rolou no último mês, talvez estranhe o fato de estarmos falando tanto sobre “crônicas” e “quarentena” nos posts mais recentes. Mas fique tranquilo, não surtamos com o isolamento social, pelo contrário, encontramos na escrita um consolo para os dias mais incertos.

O desafio “Crônicas de Quarentena” foi lançado no finalzinho de março, quando o COVID-19 começou a dar as caras aqui no Brasil. O objetivo era incentivar a comunidade de autores do Clube a escreverem sobre sua experiência com o isolamento e a nova rotina de proteção e cuidado para minimizar a transmissão do vírus.

Recebemos 833 textos – alguns deles fugiam das especificações do desafio, porém, decidimos avaliá-los mesmo assim (uma exceção para tempos tão distópicos). Todos foram lidos e os três destaques foram divulgados no dia 27 de abril. Eles também serão publicados no Instragram do Clube.

Foram muitas histórias incríveis, narradas com esperança, dor, medo e até mesmo alegrias, que nos motivaram a dar o passo seguinte: vamos transformar 39 dessas crônicas em um livro. Uma obra feita a muitas mãos e com muito carinho, que servirá como memória de tudo o que vivemos neste ano.

Estamos muito orgulhosos de nossos autores e felizes com a participação. Em breve, teremos outros desafios. Fique olho :)

Os autores escolhidos para compor o livro estão listados abaixo:

Ademir De Freitas
Alexis Dg
Arlindo Miguel
Augustto F. D’Moraes
Christiane Andréa
Claudio Sena
Daiely Fanchin
David A. B. Rodrigues
Edweine L. Da Silva
Eloy De Oliveira
Emanuele F. Oliveira
Evandro V. De Melo
Folco De Polzer
Genivaldo Depaula
Hilário Francisconi
Hitallo D. Da Silva
Johnatan C. Gomes
Leandro R. Flor
Leda Rezende
Leila Grassi
Lívia C. M. Uhlmann
Marcos C. De Castro
Marcos Siqueira
Maria Amabile Stadler
Maria Angelica Szmalko
Natália Souza
Paola L. Coda Dias
Paulo Luís Ferreira
Paulo R. de O. Caruso
Rafael Sette Câmara
Raphael F. Coimbra
Ricardo Düren
Sara Melo de Queiroz
Sebastião de A. Ribeiro
Sonia Maria M. Torres
Suzana E. de C. Simione
Tiago Alves Da Cruz
Vanessa Areco
Vladimir F. de M. Filho

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Como retomar o hábito da leitura?

Quem costuma ler bastante vez em sempre, ao recomendar um livro para um amigo, ouve o famoso “queria tanto… mas não consigo me concentrar”, ou então “estou no mesmo livro há três meses e não consigo terminar…”. 

Se você não se identificou com o primeiro tipo, certamente está entre os que não passam dos primeiros capítulos. E tudo bem. Ler, assim como todas as outras coisas, também é um hábito e exige dedicação, insistência e renúncia (à outras atividades). Mas, assim que vira rotina, é como andar de bicicleta: você não precisa se esforçar para lembrar, é natural.

Por isso, preparamos algumas sugestões para tornar a leitura uma de suas melhores amigas com a promessa de que, tão logo as primeiras barreiras sejam quebradas, haverá sempre um livro em sua bolsa, ou carro, ou gaveta do escritório, ou poltrona da sala… enfim! Você entendeu. Vamos lá? 

Dicas de como retomar o hábito de ler livros:

#1: Descubra qual gênero te agrada mais

Antes de se aventurar por universos desconhecidos, é importante conhecer qual tipo livro te desperta mais interesse. Quando a leitura virar rotina você terá tempo de sobra para explorar as escritas mais complicadas e os temas mais exóticos, mas se você quer realmente “pegar no tranco”, recomendamos começar com calma. 

Lembre-se dos livros que lia durante a infância e adolescência, pense nos filmes e seriados que mais gosta de assistir, nos autores que seus amigos próximos recomendaram… a chance de você gostar de uma obra que já faz parte de sua “bolha” é sempre muito maior. 

Confira os livros independentes publicados aqui no Clube de Autores.

#2: Comece por escritas simplificadas

Não adianta tentar desbravar um filósofo ou um livro acadêmico com vários termos técnicos logo de cara. Temos a tendência a desistir de coisas muito difíceis e se o objetivo é criar um hábito, é importante que os primeiros livros da sequência sejam simples e deixem um gostinho de “quero mais”, não de “nunca-mais-quero-ler-em-toda-minha-vida”.

É por isso que somos tão traumatizados por Vidas Secas, de Graciliano Ramos, ou Dom Casmurro, de Machado de Assis. Não estávamos prontos para ler suas histórias e, talvez, não tínhamos ainda maturidade literária para apreciar obras tão incríveis (e isso não tem nada a ver com a idade).

#3: Crie pequenos compromissos (e não falte)

Todo início de relacionamento exige dedicação – afinal, estamos descobrindo sentimentos, vivendo novas experiências e conhecendo histórias diferentes das nossas. Sem comprometimento, o interesse desaparece. Com a leitura, é exatamente igual. Por isso, cumpra religiosamente suas promessas: ler 10 páginas por dia, terminar um capítulo a cada dois dias, finalizar um livro por mês. Você decide, mas tem que levar a sério, ok?

Apps e Sites para quem ama ler.

#4 Encontre seu lugar ideal 

Há quem precise de silêncio absoluto para se concentrar nas palavras, outros preferem isolar todos os ruídos externos com música dos mais diversos estilos. Faça o teste e descubra qual dos cenários funciona para você.

Lembre-se também de encontrar um lugar confortável (mas não muito, nada de dormir!). A iluminação também conta muito – é claro que será muito mais desconfortável ler no escuro ou em luz baixa, então procure ambientes iluminados e, de preferência, a luz do dia.

#5 Não fique muitos dias sem ler

Não espere duas semanas para retomar o livro que você iniciou, principalmente se a história tiver apenas começado. Você esquecerá personagens, datas, lugares… perderá o sentimento que começou a cultivar e provavelmente se aborrecerá em ter que voltar algumas páginas para relembrar os detalhes. 

4 livros sobre epidemia para ler na quarentena

#6 Explore outros formatos

Se o livro de papel te incomoda pois vive com páginas amassadas, que tal um tablet ou Kindle? Mas se você prefere o cheiro de páginas impressas, use isso a seu favor, pelo menos neste início. O formato pode ajudar ou atrapalhar muito o processo, afinal, precisamos nos identificar com nossos melhores amigos, né?

#7 Converse com outras pessoas

Sabe aquele seu amigo que vivia te empurrando títulos estranhos e que sempre tem uma obra embaixo do braço? Hora de revidar! Conte sobre a história e os personagens, fale de suas metas e compartilhe sua experiência. Isso te dará motivação para continuar em frente com as leituras, afinal, ninguém gosta de levar puxões de orelha.

E aí, o que achou das dicas? 

Se não souber por onde começar, fique de olho no Instagram do Clube de Autores e acompanhe nossas sugestões :)

Continue lendo: 

Crônicas de Quarentena – Desafio do Clube de Autores
Sobre os Ossos dos Mortos, conheça o livro
Porque cabe a nós, autores, formar novas gerações de leitores

Leia Mais

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Crônicas de Quarentena [Resultado]

Algumas semanas atrás, lançamos um desafio aqui no Clube: contar, em formato crônica, um pouquinho sobre a quarentena. Todos poderiam participar – autores que já publicaram livros por aqui e também os simpatizantes.

Foram 356 crônicas de escritores que já têm obras lançadas pelo Clube de Autores e 477 de autores novinhos em folha que, esperamos, aventurem-se pelo universo da publicação independente em breve.

O desafio veio para confirmar o que já sabíamos: escrever é um remédio para a alma e alivia até mesmo os sentimentos mais confusos em tempos tão incertos.

Estamos muito felizes com o resultado :)
E sim, atrasamos um pouquinho o prazo de divulgação, mas a culpa é de todos os participantes. Quem mandou escreverem textos tão incríveis, dificultando tanto a nossa escolha?

ATUALIZAÇÃO: as especificações para a escrita do texto não foram consideradas neste desafio. Por se tratar de um momento atípico, decidimos avaliar todas as histórias enviadas.

Agradecemos a todos que se empenharam em deixar suas crônicas dentro das regras estabelecidas! Nos próximos concursos, não serão avaliados conteúdos fora do formato pré-estabelecido :)

Para compensar a mudança decidimos adicionar mais uma crônica às finalistas! (essa de acordo com as regras).

Agora sim, o resultado:

As três crônicas em destaque neste desafio estão publicadas abaixo – também serão compartilhadas no Instagram do Clube em breve! E fiquem atentos, teremos mais novidades sobre este desafio nos próximos dias!

É preciso vigiar de perto esses senhores desobedientes

Por Rafael Sette Câmara 

Meus pais e avós me criaram cheio de sonhos de conhecer o mundo, mas agora luto para convencê-los de que é preciso ficar em casa. Em meio a uma pandemia global que não se via há gerações, me pego tentando persuadir gente com várias décadas de vida de que essa não é uma crise qualquer – é um acontecimento que vai definir o mundo pelos próximos 50 anos. E que oferece um número ilimitado de riscos, principalmente para certos grupos.

Absolutamente neurótico. É assim que estou antes de completar uma semana de confinamento. Meu problema não é medo de pegar COVID-19, a doença transmitida pelo novo coronavírus. É pegar, nem sentir isso e acabar transmitindo para pessoas do grupo de risco, em especial aquelas que amo.

A preocupação é tanta que pensei duas vezes antes de visitar os meus avós, algo que normalmente faço dia sim, outro também. Fui no começo da semana, mas para isso medi (várias vezes) minha temperatura, permaneci distante durante a visita, evitando abraços e beijos, lavei as mãos uma dezena de vezes e limpei cuidadosamente todas as superfícies em que toquei – tão preocupado em apagar digitais quanto um serial killer após um dia de trabalho.

Enquanto eu dominava o medo de contaminação e pensava, passo a passo, nos cuidados necessários para estar ali, descobri que minha avó tinha ido, menos de 24 horas antes, num hospital lotado – e para fazer um exame de rotina que nós já tínhamos concordado adiar. Foi sozinha porque sabia que se avisasse a família não iria jamais, como ela mesma admitiu. Dei uma bronca daquelas e coloquei todos de quarentena, com álcool em gel suficiente e orientações de cuidados mil. Ufa!

Corta para o dia seguinte, quando dei uma última saída rápida de casa, atento para evitar aglomerações e coçando a alma para não coçar o rosto. Enquanto eu deixava o medo de contaminação me dominar, vi um grupo de octogenários batendo um papo animado num café no centro de Belo Horizonte, perfeitas ilhas numa cidade fantasma. Não eram os únicos, como descobri pela minha avó dias depois – a mesma que fez peraltice na segunda, mas que na sexta, já convencida da gravidade do problema, resolveu dedurar meu pai: “Ele estava no bar ontem. Ligou aqui e me contou”.

Não esperei nem a notícia descer: mandei dezenas de mensagens, com argumentos que variavam entre as taxas de mortalidade, a crise sanitária na Itália, as comorbidades e o risco de infectar outros. Também apelei para a chantagem emocional, confesso, embora tenha preferido guardar na manga algumas cartas desse tipo (ouviu, pai?).

Ele jurou que ia se comportar, mas daí a agir assim é outra história, né? É preciso vigiar de perto esses senhores desobedientes…

-Bar, pai? Com o prefeito fechando a cidade toda, com o mundo de ponta cabeça, você vai num bar? NUM BAR?

-Fui por isso, pra me despedir. Amanhã, com tudo fechado, é que não vou mesmo.

Bufando de raiva, contei a história em grupos de amigos – e ganhei atenção imediata. “Meu pai também tava num bar ontem, se despedindo”, disse um. “O meu se despede do bar o tempo todo, não tá nem aí. Vai jogar no bicho, tomar cerveja, bater papo com os amigos”, disse outra. “E os meus, que vão se encontrar com os amigos e fazem até roda de chimarrão”, diz um relato que vem do sul. “Acho que consegui assustar minha mãe. Compartilhei com ela uma fake news de que o governo vai suspender a aposentadoria dos idosos que não ficarem em casa”, falou uma terceira, admitindo uma tática, digamos, pouco ortodoxa.

Enquanto isso, outros relatos que chegam do sul deixam minha namorada apavorada:

-Pai, tu vai na feirinha amanhã? – pergunta ela.

-Vou cedo – responde meu sogro.

-Pai, pelo amor de Deus, para com isso. Tu vai se arriscar pra comprar queijo, é isso?

-Não, claro que não. Mel e bolachinhas. Queijo ainda tem aqui.

Em comum entre esses pais e mães estão exatamente os tais fatores de risco da COVID-19: idade na casa dos 60 ou acima disso, hipertensão, diabetes e hábitos pouco saudáveis, seja com ou sem pandemia.

Depois do desabafo, amigos passaram a me mandar textos, memes, áudios e vídeos sobre o assunto, uma onda de conexão, empatia e, por que não, humor – acho que vou criar um grupo no WhastApp: Filhos e Netos Preocupados Tomam Providências com Progenitores Sem Juízo

Só hoje já recebi o texto de um site português relatando que a coisa por lá está no mesmo nível, com idosos levando filhos à beira de um ataque de nervos; o áudio de um homem dizendo que o Rio de Janeiro parece uma cena de walking velho, só com idosos nas ruas; um meme com a velha surda dA Praça É Nossa trocando “evitar aglomeração” por “ir no atacadão”; um vídeo gravado em Santa Maria (RS) que mostra a prefeitura retirando bancos de um calçadão enquanto uma mulher comenta que é “absurdo ter que fazer isso pros idosos ficarem em casa”; a notícia de que a prefeitura de Três Rios (RJ) removeu de uma praça mesas de concreto onde eles costumam jogar cartas. E relatos mil de filhos desesperados porque não conseguem manter seus pais e avós quietinhos em casa.

Aprendi há tempos que o suceder de décadas inverte papéis. Nossos criadores, aqueles que cuidaram da gente e que até hoje são nosso porto seguro, repentinamente passam a demandar os mesmos cuidados – e devolver a dor de cabeça que demos um dia.

Mas me arrisco a dizer que poucas vezes a humanidade viu uma inversão de papéis coletiva deste tamanho, se é que algo dessas proporções já aconteceu antes.

– Mas tá todo mundo saindo, minha filha. É só um bingo na casa de fulano. Toda a turma vai, meu filho. Não é bar, não tem vírus desconhecido, só vamos nos encontrar na casa de um amigo.

– VOCÊ NÃO É TODO MUNDO. Eu não sou filho de todo mundo! Não sou filho da turma toda! Então se todo mundo pular da ponte você vai também, é? Você não tem casa não? Agora só vive na rua! Tem mais sorte que juízo, hein?

Pais, mães e avós, vocês nos pediram, com razão, que ficássemos em casa estudando pro vestibular, nos preparando para o futuro. Puxavam nossas orelhas deixando claro que seria um sacrifício passageiro e que tudo valeria a pena, que logo estaríamos no mundo. E que não é preciso ter pressa com o seguir natural da vida.

Agora é nossa vez: façam favor! Não é hora de caçar confusão! Fiquem quietinhos em casa, que na vida tem tempo pra tudo. E entendam, se brigamos é para o bem de vocês, vocês ainda vão nos agradecer. O que mais tememos é que essa brincadeira acabe em choro.

Eu, minha pequerrucha e o Presidente

Por: Paulo Luís Ferreira
Disse o presidente que, se ele pegasse essa gripezinha, esse resfriadinho, de nome coronavírus que, os “mal informados”, como a imprensa e a OMS, estão chamando de pandemia, ele em si, não teria problemas, pois como um inveterado atleta do exército brasileiro que, provavelmente, além de seu tão decantado paraquedismo, deve ter feito muito levantamento de fuzil, não seria atingido.

Então fiquei eu a pensar com meus botões, e recorri ao meu HD de memórias: que esportes fiz eu em minha minguada vida de atleta? Fazendo um esforço descomunal, deduzi que eu estou perdido, visto minhas reminiscências de infância só terem acesso aos meus intensos campeonatos de bola de gude e empinador de pipa; e os famosos tiros de cuspe à distância. Pois nem as cotidianas peladas da garotada eu não participava, porque eu era o afamado perna-de-pau do bairro, e no gol eu não jogava nem a pau.

A propósito, que boa lembrança me veio: quem dera ainda ter aquela potência na boca, para dá uma bela cusparada certeira, para acertar em algum alvo contemporâneo, bem na cara do energúmeno, e depois sair correndo. Coisa de criancice que ainda mora em mim, eu acho. Então disse para mim mesmo: maldito presidente, o que fez você de minha vida? Você tirou minha razão de viver, porque dessa eu não escapo, de acordo com seu diagnóstico de que, já que vamos morrer mesmo, pra quê esse negócio de quarentena, vamos pra rua gente, vamos cair na gandaia! É o que ele tem dito. E agora que faço eu? Se até os botecos estão fechados, não dando nem para fazer o disputadíssimo e animado jogo de palitos ou porrinha, como é conhecido aqui por minha turma.

Depois que ouvi os eloquentes conselhos do presidente. – Mesmo que contradizendo sua vontade. – Minha primeira providência foi entrar em quarentena. Ainda bem que, com o passar dos dias dessa minha existência que, segundo o grandíssimo, estou fadado a me despedir dela precocemente, por não ser um afeito aos exercícios, adquiri a prazerosa mania de ler e rabiscar historietas. Mas agora estou convivendo com o descalabro de viver prostado à frente da TV, a ponto de estar intoxicado pelas overdoses de notícias; e o encharcamento do palavreado: coronavírus, COVID-19, quarentena, OMS, confinamento, contaminação, álcool em gel, e outros tantos maneirismos e jargões médicos e jornalísticos. Sem falar das ânsias de vômitos, quando sou pego em flagrante a ouvir os fatídicos comentários do presidente.

Não bastasse a deturpada apropriação da fala do diretor da OMS, Tedros Ghebreyesus, sobre a população mais desassistida. Hoje, logo após ver a fake news postada pelo presidente, – numa consonância impressionante – com um sacripanta mostrando o desabastecimento no entreposto de abastecimento de Contagem em Minas, fui ao mercado fazer umas comprinhas. Na saída fui abordado por uma repórter de TV. Ora vejam só, tinha que acontecer uma calamidade dessas, para eu ter meus 15 segundos de fama. E a repórter veio logo com essa pergunta de chofre: O senhor não tem medo de morrer? Eu? De morrer? Medo? Por quê? – respondi eu com o corpo começando a gelar – E como fiquei mudo à repórter desistiu da entrevista.

Mas, enfim, chegou à onda salvadora: o panelaço logo no começo da noite para saldar as falas do presidente. Agora é todo dia. Oito em ponto, todos vão à janela. Batem panelas, gritam foras ao presidente. Aqui em casa tornou-se uma festa. Eu e minha pequerrucha de 4 anos. Estamos nos tornando quase uma dupla sertaneja: Panela e Papeiro. Aliás, pensando bem, esse negócio de bater panela bem que serve como um pouco de exercício, pelo menos para as mãos. E por que não para o corpo, porque eu e minha pequena aproveitamos para fazer um rebolado dançante, enquanto batemos. Eu bem que já estava disposto a seguir à risca o exemplo do presidente, fazer exercício.

Quando não tem panelaço já é motivo de acabrunhamento para mim e minha pimpolha. Papai hoje o presidente não vai falar não! Vai sim filha, aguarde um pouquinho ele deve está conferindo as informações com o homem do churrasco sobre a teoria de que às aglomerações de poucas pessoas pode, mas de muitas pessoas não pode. Então a partir daí ele toma novas atitudes sobre a quarentena. Ah, manda ele vim logo que eu tô com sono… – diz ela cheia de dengo. Mas não demorou muito e logo começou nosso bate-bate: panelaço e papeiraço. Pronto. Por hoje acabou o batecum de panelas, vamos pra cozinha fazer o suflê de chuchu enquanto esperamos a mamãe, né? Onde tá a mamãe? No hospital, trabalhando, ué!… Vamos cortar o chuchu?… Você bate o ovo no papeiro… Tá booom!… Fala meu chuchuzinho animada com a nova função.

Decidi levar a sério a história da quarentena.

Por: Marcos Siqueira

Decidi levar a sério a história da quarentena. Se bem que, talvez quarentena não seja o nome ideal para isso, já que não estou contaminado e nem tenho suspeita de portar o tal vírus. Penso que o nome ideal poderia ser con-fi-na-men-to. Estou confinado em meu próprio lar e, enquanto limpo detalhadamente o ventilador empoeirado, recebo uma mensagem de um grande amigo.

– Tô passando aí com uma garrafa de Jack – escreveu ele, inserindo vários emoticons após a frase.
– Não venha! – foi a minha resposta. Estava desmontando pela segunda vez o tal ventilador, recém-limpo e recém-montado, após perceber que esquecera de colocar outra peça por dentro, quando o interfone interrompe o sossego de minha clausura.
– Sim.
– O Fulano está aqui, posso deixar subir? – Deixa eu falar com ele pelo interfone, por favor.
– E aí? – ouço do outro lado.
– Falei para você não vir – respondi, amavelmente.
– Trouxe o Jack – disse-me ele, tal qual Satanás induzindo nosso Senhor a se jogar do pináculo de tempo. Pensei por um momento e disse:
– Tá. Vai ali, na frente de minha varanda. Quero ver se você trouxe mesmo a bebida.

Desliguei o interfone, fui ao meu quarto e peguei a capa do violão embaixo da cama. Abri, retirei a carabina de pressão e a caixa de chumbos. Coloquei alguns no bolso da bermuda e me dirigi a varanda.
– Ei! Você não vai atirar com essa merda, vai? – ouvi, lá de baixo, enquanto mirava na garrafa, que ele segurava à mostra em frente ao peito.

Eu estava no segundo andar e a posição de tiro era simplesmente perfeita, porém sempre fui ruim de mira e achei que provavelmente iria errar. Pois qual não foi minha surpresa ao escutar o som metálico do chumbo, ricocheteando no Jack Daniels, seguido da voz de Fulano, praguejando alto enquanto corria para fora de meu campo de visão. Recarreguei a arma e aguardei.

Lembre-me então que, provavelmente, o carro dele estaria estacionado atrás do bloco e corri para a janela da cozinha. Lá estava ele, se afastando rápido. Voltei a varanda e descarreguei a carabina na bananeira, bem em frente, não sem antes passar pela dispensa e verificar que ainda havia duas garrafas de 375 ml de Jack cheias, e uma com quase metade, que eu pagara uma bagatela no Super Adega. Arrumei a bagunça e ouvi o toque de uma nova mensagem no whatsapp:

– É bom que o coronavírus te mate, seu filhodaputa, porque se não matar, eu farei o serviço – era a mensagem que vinha, abaixo da foto dele, bebendo uísque no gargalo.

Se beber é batata

Por: Eloy de Oliveira

Um conhecido alcoólatra me disse certa vez: – Não beba quando estiver de boa, só porque está de boa. Essa é a senha para se tornar alcoólatra. Comigo foi assim. A tese dele se baseava em uma reportagem que leu, na qual se dizia que todo mundo pode se tornar alcoólatra se tiver o gene do alcoolismo. – Se tiver e beber, é batata, sentenciou. 

Esse papo surgiu em uma conversa trivial. Nunca me afetou, porque não tenho histórico familiar de alcoolismo, mas voltou à cabeça quando fui colocar uma dose de uísque. Nesses dias de quarentena, me pareceu uma boa forma de distração. Mas, de repente, comecei a achar que havia algum sentido: – Se tiver e beber, é batata. Eu não sabia se tinha.

Esses tempos de quarentena se prestam muito a esse desserviço com a nossa saúde. São muitas informações ao mesmo tempo e acabamos absorvendo de forma errada muitas vezes, ou porque não prestamos muito a atenção ou porque nos vemos equivocadamente nos sintomas. E não precisa ser hipocondríaco para cair nesses enganos inusitados.

Tenho outro conhecido que já teve todos os sintomas do coronavírus e já sarou umas quatro vezes. Basta ouvir na televisão que, se sentir isto ou aquilo, pode ser a doença que ele já absorve. Nunca foi hipocondríaco, mas deu de tomar remédios por conta em função da ansiedade. Deixou de ver tevê por isso. Só que assistiu “Pandemia” no Netflix. Não tem jeito.

A situação traz muitas confusões para todo mundo. Uma conhecida minha ficou com tanto medo que protagonizou uma cena hilária no banheiro do trabalho. Após fazer xixi, deu descarga usando papel higiênico, lavou as mãos com muita água e sabão e não se tocou mais para não se contaminar. Na hora de sair, não sabia como abrir a porta.

A primeira tentativa foi com o cotovelo. Era um trinco apenas. Ele não virara sem segurar. Tentou então com o sovaco, apertando no vão do braço, logo abaixo. A manobra quase deu certo. Não foi ao final porque manchou a manga da blusa com restos de mãos sujas usadas antes. Ela torceu o nariz e foi olhar de perto o trinco, já que é míope.

Inadvertidamente, uma colega de trabalho forçou a entrada pelo lado de fora, o gesto abriu o trinco de vez e a porta foi empurrada para dentro. Como estava muito perto da maçaneta, de boca aberta observando a sujeira e não esperava que tentassem entrar, essa conhecida acabou tendo a maçaneta nojenta enfiada entre os lábios.

O namorado da minha vizinha, um sujeito que não é dado a muitas cerimônias, criou um grande embaraço também. Ela recomendou que ele tirasse os sapatos e as roupas e deixasse na entrada da casa para não contaminar dentro. O sujeito chegou sem fazer barulho, ficou nu na porta da casa e foi forçar a maçaneta para entrar, como de costume.

O problema é que a namorada estava vendo o noticiário, onde falavam da onda de assaltos que tem acontecido por conta do isolamento social. Envolvida com as informações, ela se assustou, abriu a porta sem acender a luz e encheu o namorado de pauladas com um pedaço de madeira que arranjou. Ele saiu pelado para a rua, gritando desesperado que era ele.

A frase do meu conhecido me perturbou, mas acabei esquecendo dela enquanto fui lembrando de todas essas maluquices que estão acontecendo por conta do coronavírus. Quando me dei conta de que, se tiver o gene e beber, é batata, já estava na quinta ou sexta dose. Então já havia uma confusão de pensamentos. A frase, o uísque, a pandemia.

Adormeci na área de luz de casa, esparramado como se fosse um saco de batatas. Não sei quanto tempo se passou. Os meus pensamentos embaralhados passaram dos episódios malucos para uma ficção futurista. De repente senti uma massa mole cobrindo o meu rosto. Seria uma legião de coronavírus? Não, não era. Era cocô de uma pomba desgraçada.

E você, já escolheu sua favorita? Conta pra gente nos comentários o que achou =)

Leia Mais

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Livros Infantis para entreter os filhos na quarentena

Só quem está em isolamento social com os filhos em casa sabe a dor e o amor de ser pai e mãe em tempo integral, 24h por dia, sem pausa. As crianças alegram os dias e trazem paz para um momento tão cheio de informações e sentimentos, mas também são pequenos furacões de energia, que exigem atenção e cuidados. 

A essa altura, sabemos que todos os métodos já foram testados: desenho animado, jogos no tablet, vídeos no YouTube, pintura, jogos de tabuleiro, cabanas dentro do apartamento e quebra-cabeça. Neste artigo, sugerimos mais um – a leitura. 

É claro que, para quem ainda não sabe ler, a arte de contar histórias fica a cargo dos adultos e adiciona mais uma tarefa à lista de afazeres, mas também pode ser uma forma de distração (e educação) para os momentos em que nada funciona. Além disso, livros infantis são incríveis para exercitar a imaginação dos pequenos. Quem sabe, mesmo sem saber ler, uma história pode surgir, não é? :)

E fique tranquilo! Você não é o único a pesquisar por livros para entreter os filhos durante este período. Pelo contrário: de acordo com o Google Trends, que registra tendências de pesquisa no Google, os últimos dias bateram o recorde de interesse no assunto dos últimos 12 meses. Veja:

Tendência de pesquisas no Google com os termos “livro infantil”

Para ajudá-los, criamos uma lista exclusiva de livros infantis recomendados para a quarentena – ideal para quem não aguenta mais ouvir a história dos Três Porquinhos ou da Chapeuzinho Vermelho…

6 Livros para crianças recomendados pelo Clube de Autores:

“Histórias Infantis”, Davi Maciel Bittencourt

O livro apresenta histórias especialmente escritas para crianças…. feitas por outra criança. As narrativas são inspiradas no seu dia a dia, de brincadeiras a desenhos assistidos. 

“Músicas Infantis”, Elziane Nogueira

Para os cantores de plantão, Elziane Nogueira criou um livro com histórias cantadas. Assim, os pequenos podem exercitar a memória (e a voz), aprendendo de uma forma diferente. 

“Histórias Infantis”, Luzia Frizanco

Que tal aproveitar o momento longe da escola para focar nos estudos das crianças? Este livro, escrito por uma especialista em educação infantil, é um excelente suporte para alunos com dificuldade em aprendizado. 

“A turma do Arujazinho”, Wilian da Cruz

Para os pais prontos para mergulhar no mundo da fantasia, recomendamos A turma do Arujazinho, que mistura magia e monstros com uma dose perfeita de imaginação. 

“Fábula o menino e o celular”, Paulo Henrique

Fábulas sempre carregam lições de moral incríveis para a fase de desenvolvimento infantil. Este livro conta a história de Lucas, que é criticado pelos colegas por não ter um celular de última geração. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência. 

“O elefantinho branco”, Isael Costa

Quem nunca quis um animal exótico para chamar de seu? Este livro narra as aventuras de uma garotinha apaixonada por elefantes brancos e a saga dos pais para realizar os desejos da filha.

Ficou curioso? Confira outros livros infantis no site do Clube de Autores e apoie os escritores independentes :)

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