A Revolução Francesa do mercado editorial

Não é segredo para ninguém que o mercado editorial está passando por toda uma revolução. Aliás, vou além: estivéssemos na Revolução Francesa, essa seria a fase do Terror. A aristocracia dominante no Velho Modelo, talvez representado metaforicamente pela Cosac Naify, caiu; editoras e livrarias seguem sendo guilhotinadas a cada dia; e o nosso mercado enxerga mais profissionais e empresas tradicionais perecendo do que em qualquer outra era.

Como na França do final do século XVIII, já tivemos também nossa parcela de Marats, Dantons e Robespierres: de línguas afiadas, daquelas que tecem críticas ácidas sem propor soluções, a nomes apoiados pelo governo (velho ou interino) igualmente tão repletos de promessas quanto vazios de atitudes.

Como na França do final do século XVIII, a única certeza que temos é que a guilhotina ainda levará muita gente do nosso mercado para o Passado, como símbolos de tempos que começaram na Ouro Preto arcadista e terminaram com a Era da Informação.

Nos baseemos, pois, na Revolução Francesa. Quem sobreviveu a ela? Os que entenderam que o mundo estava diferente e que não adiantava mais se prender a um passado empoeirado, os que entenderam que o único caminho possível para evitar a queda – seja pela lâmina da guilhotina ou pela corrosão da fome – era tomar para si mesmo a responsabilidade da luta.

Em nosso mercado, ser revolucionário é entender que não se pode mais depender de editoras ou governos para “acontecer”. É entender que, hoje, tudo está em nossas próprias mãos, bastando que estejamos dispostos a suar e a batalhar pelo que queremos sem esperar que um terceiro aposte em nós. É entender que cabe unicamente a nós somarmos competência a persistência.

Temos exemplos assim aqui no Clube. Autores como Helena Polak, Fred K, José Maria Alencastro, Maurício de L. Rodrigues e Fábio Del Santoro, para citar apenas alguns, são exemplos perfeitos de revolucionários da literatura que estão moldando esse nosso novo mercado com suas próprias mãos. Os caminhos deles certamente não são fáceis: mas os esforços que empregam são o único responsável pelos resultados impressionantes que já colhem e pelo futuro brilhante que certamente terão pela frente.

Hoje, este post é uma homenagem a esses revolucionários da literatura.

É uma homenagem aos autores empreendedores que conseguem fazer o nosso mercado crescer quase 40% enquanto o tradicional cai mais de 12%.

É uma homenagem a esses novos tempos e um enterro definitivo dos velhos.

Que, juntos, todos saibamos escrever um futuro da literatura em que os protagonistas sejam os próprios autores e não as velhas corporações. Nossas armas?

Curiosamente, as mesmas da Revolução Francesa: a liberdade de sermos os únicos responsáveis pelas nossas carreiras; a igualdade de condições que todos que nos autopublicamos temos; e a fraternidade, representada pela troca altruísta de dicas e experiências, que caracteriza os escritores dessa nova era.

Vive la Revolución!

poussin123

 

5 comentários em “A Revolução Francesa do mercado editorial

  1. Vi que com surpresa meu nome citado na matéria acima. Comprei a ideia do Clube de Autores desde o primeiro momento, e entendi que tinha que trabalhar em todas as fases. Eu acho que estamos revolucionando sim, os números provam isso. Parabéns a todos os envolvidos, que fizeram de nós “rebeldes” mas com muita causa!

  2. Verdade, Pollyanna. Também me representa. De fato, são novos tempos para o mercado editorial, que não teria como ficar de fora das transformações em curso no mundo inteiro e em nosso país. É maravilhoso ter uma opção como o Clube de Autores neste momento. Mesmo num quadro de crise político-econômica como a que estamos vivendo, em que os editores se fecham mais ainda para os novos autores, poder disponibiizar um livro para o país inteiro, numa plataforma que imprime, manda entregar e paga a comissão do autor… Sem palavras. Um benefício inestimável para a carreira de qualquer escritor. Algo verdadeiramente revolucionário.

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