10 Escritores essenciais da literatura brasileira contemporânea

Percebam que, no título deste post, a palavra “contemporânea” se destaca. Pois bem: esta lista, feita pelo Homo Literatus, inclui 10 nomes e livros que, segundo ele, são essenciais.

Pode ser que você concorde ou discorde – listas, afinal, são sempre pessoais como os gostos de cada leitor. Mas fica a dica aqui para quem quiser mergulhar um pouco mais fundo nas letras produzidas aqui em nossas terras:

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Fomos precursores pela primeira vez em muito tempo

O passado recente trouxe um inegável baque para o Brasil. Protestos sem precedentes foram encampados desde 2013, levando milhões às principais avenidas e ruas das maiores cidades do país a clamar por mudanças; o segundo impeachment da nossa história recente impôs uma mudança política e econômica de imensas proporções, tirando o Brasil do falido eixo bolivariano e nos aproximando de pensamentos mais liberais; no grito, a Lava-Jato encontrou forças para continuar caçando a corrupção mesmo com tantos no governo fazendo tantas manobras escusas para se salvar; e estamos, finalmente, começando a ver resultados que apontam para uma ainda tímida, mas já consistente melhora nos indicadores econômicos e sociais.

Se dermos um passo para trás para contemplarmos o cenário como um todo veremos que, de alguma forma, o Brasil está dando os seus primeiros passos para deixar aquele clima de divisão tão nefasto, do “nós contra eles”, que marcou tanto as últimas eleições presidenciais quanto os últimos embates entre esquerda e direita nos mais diversos fóruns.

Não, não é que não esteja havendo mais oposição e nem que todos estejamos felizes com os políticos que decidem os nossos futuros – longe disso. Mas talvez estejamos um pouco mais cientes da força das nossas vozes, o que já é um alento, e da ineficácia de discursos, propostas e governos populistas que se vestem de milagrosos, colhem vitórias de curto prazo geralmente baseadas no protecionismo e no agigantamento do estado, e enterram o país no atraso.

Estamos nos abrindo para o mundo – finalmente.

Mas sabe o mais curioso de tudo isso? Enquanto estamos dando esse passo tão decisivo, o mundo parece caminhar na contramão.

Nos EUA, um lunático xenófobo está buscando, de todas as maneiras, contrariar os mesmos ideais que fizeram do seu país a maior potência econômica do mundo; a Europa está quase se aniquilando como bloco unido ao permitir que uma assustadora extrema direita tome o poder; a Turquia decidiu brigar com tudo e com todos para se converter de democracia em ditadura; a Rússia parece querer reviver o conceito de imperialismo czarista e soviético que parecia ter sumido com o fim do regime comunista. E isso porque estamos falando aqui apenas de algumas das grandes potências do mundo e ignorando o absoluto caos no Oriente Médio.

Praticamente todas estão extremando-se, seja para a direita ou para a esquerda, e redesenhando as relações mundiais, dando a elas um toque vintage de guerra fria.

Normalmente, o Brasil persegue esses zeitgeists políticos globais com grande atraso – foi assim com a nossa esquisitíssima independência, com a abolição da escravidão, com a proclamação da república, com a queda da ditadura militar. Normalmente, o mundo apontava os caminhos para o progresso e nós seguíamos sempre com base na procrastinação e no jeitinho brasileiro.

Desta vez, no entanto, parece diferente.

Desta vez nós já provamos o sabor azedo de um governo mais divisor, de uma ideologia populista colocando pobres contra ricos enquanto se imiscuía em relações para lá de profanas. Não que corrupção nunca tenha existido aqui nas nossas praias, claro – mas os níveis que chegamos, e os efeitos desastrosos para a população dessa retórica de vitimização dos poderosos, nunca havia sido tão sentida por todo o povo, de todas as classes.

Em outras palavras: desta vez, de maneira inédita, nós já experimentamos o rumo para o qual o mundo aparentemente caminha, já o rejeitamos e já decidimos mudar.

Desta vez estamos na vanguarda.

Talvez seja essa, finalmente, a nossa grande chance de crescermos para além das nossas próprias fronteiras, de puxarmos o mundo ao invés de sermos puxados por ele.

Isso ainda pode levar algum tempo, claro… mas que boa história, que bom livro não é feito de reviravoltas em teias espetaculares de tramas?

Que o futuro nos reserve um pouco mais de orgulho da nossa terra do que o que temos hoje.

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A revolução mundial que está acompanhando Trump

Há quem diga que Trump é problema dos Estados Unidos, que aqui temos coisas mais urgentes com as quais nos preocupar como, por exemplo, a Lava-Jato e toda essa corja política que insistimos em eleger e reeleger. 

Não nego que, entre a Casa Branca e o Planalto, as ações do segundo realmente trazem consequências muito mais imediatas para nós, brasileiros. Mas também não há como negar que, uma vez que vivemos em um mundo globalizado, o que acontece no país economicamente mais poderoso do mundo costuma ter impactos tremendos aqui. 

Basta olhar à nossa volta: nós nos locomovemos nas ruas com automóveis que foram, na prática, inventados por americanos; assistimos a séries e filmes majoritariamente americanos; e nos comunicamos via Internet – uma nuvem que, assustadoramente, “pertence” fisicamente a eles uma vez que é lá que ficam os servidores que coordenam todo o tráfego online do mundo. 

Se tudo o que acontece dentro das nossas fronteiras tem o potencial de afetar diretamente as vidas dos brasileiros, o que acontece nos EUA afeta não apenas os seus próprios cidadãos, mas sim todo o planeta.

E há um exemplo claro disso: o discurso inflamado do ex-presidente Lula durante a campanha de reeleição de Dilma Rousseff pregando a mística do “nós versus eles” e bradando que “os ricos não querem os pobres no poder porque não gostam de compartilhar com eles os assentos em aviões”. Foi com esse discurso que o governo conseguiu os votos necessários para se manter no poder – mas foi também com ele que acendeu o pavio emocional de quase metade dos eleitores, pondo em movimento toda uma cadeia de acontecimentos que culminou com o impeachment e com um dos mais dramáticos momentos do nosso país. 

O impeachment mudou o Brasil? É óbvio que sim. Mas ele mudou o restante do mundo? Muito pouco. Nós, infelizmente, ainda não somos tão relevantes no cenário global quanto gostaríamos. 

Os EUA, no entanto, são – e Trump parece estar repetindo lá, com precisão, os mesmos passos que o PT deu no Brasil. “Nós contra eles”? Que tal construir um muro para isolar o México ou vetar a entrada de muçulmanos de 7 países no seu? Há versão mais anabilizada da cisão de povos que essa?

Se vitimizar quando entidades da sociedade torcem o nariz para suas propostas e ações? Que tal acusar de comprados ou mesmo de burros todos os juízes e entidades que discordarem dele? 

Chamar a mídia de golpista? Que tal espalhar, oficialmente, que todo veículo de comunicação que discordar dele é desonesto e que mente descaradamente? 

Confundir patrimônio público com privado? Alguma dúvida sobre o questionamento ético do Trump usar o Twitter da presidência dos EUA para atacar uma loja que decidiu parar de vender produtos da sua filha? 

Não sou nenhum analista político, mas me parece claro que Trump está seguindo os mesmos passos que Dilma e buscando se manter no poder a partir de uma estratégia de criar divisões e preconceitos. Se o resultado do lado de lá for igual ao de cá, ele dificilmente terminará o mandato. 

E acreditem: isso afetará o mundo inteiro como um tsunami. 

Somos criaturas da dualidade – dependemos de conflitos para criar as nossas próprias histórias e tirar conclusões que, com alguma sorte, nos façam evoluir. E dualidades, conflitos, são a base para qualquer boa história que se escreva. Conflitos são a inspiração, a musa dos escritores e artistas. 

Pois bem: se a eleição do Trump fez subir ao mais alto posto do poder mundial um fascista mimado incapaz de entender que não é Deus em pessoa, ela também evidenciou um movimento anti-conservadorismo e pro-liberdade e união dos povos como em nenhuma outra era. Essas duas forças, que estão apenas esquentando seus motores, devem se enfrentar de maneira contundente e explosiva nos próximos anos. 

Nós, aqui no mundo real, estamos prestes a participar ativamente de uma das maiores revoluções ideológicas que a humanidade já testemunhou ao menos desde a Revolução Francesa. Ganhará a ideologia da divisão ou da união? O preconceito ou a conciliação?

Pode ser cedo para prever, mas não para torcer: que vençamos nós, os que defendem que o mundo existe para ser um único território, e não um punhado de cidades-estados medievais. 

E tomara também que registremos essa nossa guerra em histórias incríveis para que a posteridade não repita os mesmos erros da nossa geração. 

 

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O Brasil nasceu há 95 anos

O Brasil só virou Brasil entre 11 e 18 de fevereiro de 1922.

Antes, éramos um país perdido nos distantes trópicos, com uma produção artística que, embora belíssima, era uma escrava estética das artes europeias. A história de Bentinho e Capitu é ímpar – mas ela poderia ter se passado tranquilamente em qualquer cidade europeia e não causaria espanto algum se os personagens se chamassem Wolfgang e Frida. Aleijadinho e sua arte sacra são um indiscutível patrimônio da humanidade – mas os doze profetas em Congonhas poderiam facilmente ter sido feitos para uma catedral em Bragança ou em um convento qualquer perdido no Buçaco. Almeida Júnior talvez seja dos mais brilhantes pintores brasileiros – mas até os seus temas caipiras se confundiriam com cenas passadas no verão isolado de  Smolensk, na Rússia.

Produzíamos arte, indiscutivelmente, como em qualquer lugar do mundo: mas as técnicas, os temas e mesmo os ritmos eram ditados pelo mundo que mandava em nós.

Isso mudou em 22, ano em que o Brasil nasceu.

Foi a partir da Semana de Arte Moderna que descobrimos nossas raízes e que aprendemos a nos orgulhar dela. Foi por causa de 1922 que, poucos anos depois, Mário de Andrade pariu Macunaíma, obra mãe da literatura brasileiríssima. Foi 22 que gerou Tarsila, Bandeira, Di Cavalcanti. Foi a partir daí que nossas telas ganharam o estilo único de Portinari, que nossas esculturas receberam força sutil de Brecheret, que nossa música ganhou os inconfundíveis ritmos de Villa-Lobos.

Foi em 22 que o Brasil passou a ser Brasil de verdade, que deixamos o anonimato cultural para assumir o nosso lugar de direito.

Os resultados dessa ruptura proposta pelo movimento antropofágico? Dos sertões perigosos de Guimarães Rosa à Bahia hipersexualizada de Jorge Amado, passamos a ser temas de nossa própria cultura. Passamos a nos enxergar, a nos ouvir, a nos tocar. Até a nossa música virou nossa de verdade – ou alguém duvida que, sem uma identidade cultural única, samba e bossa nova teriam algum espaço.

Nossos avós culturais abriram espaço para a nossa personalidade artística há quase exatos 95 anos.

Comemoremos o nosso quase centenário, pois, honrando-os com o que de melhor sabemos fazer por aqui: escrevendo histórias.

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Cara Liberdade, de Zdenek Korecek, narra o drama da emigração da Europa em guerra até o Brasil

Estamos entrando em uma era com um infeliz crescimento de conceitos como xenofobia, protecionismo e anti-globalização. Neste começo de 2017 tão cheio de rupturas, do Brexit ao Trump com seu muro no México, as mudanças de comportamento das gerações futuras prometem ser intensas.

Mas há um outro lado para isso, como já postei diversas vezes aqui no blog. Momentos de ruptura social, momentos que marcam mudanças grandes nas mentes das pessoas, costumam vir juntas com histórias intensas e extremamente dramáticas. Histórias, acrescento, que tendem a se metamorfosear em obras primas da literatura e, assim, ajudar a própria humanidade a crescer enquanto espécie. Não vou me alongar muito aqui sobre esse assunto – escrevo um outro post na sext sobre ele. Mas um livro recentemente publicado no Clube me chamou a atenção: Cara Liberdade, escrito por Zdenek Korecek.

O motivo: trata-se da história do próprio autor que passou pela guerra e emigrou da antiga Tchecoslováquia para o Brasil. Ou seja: é um testemunho vivo e intenso de uma outra era de mudanças na história da humanidade.

Veja o book trailer abaixo, que conta ainda com algumas preciosas fotos do autor:

Gostou? Deixo então uma dica que estou pessoalmente prestes a fazer: vá neste link (https://www.clubedeautores.com.br/book/201591–Cara_Liberdade), no site do Clube, compre o livro e mergulhe nessa incrível história!

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