Nós sempre escrevemos, afinal, sobre o tempo

Podemos criar universos paralelos, tecer tramas que se passam no século XXV ou recontar outras que ocorreram no século XIV – mas, no final das contas, tudo estão sempre inseridos em alguma cronologia.

O Tempo é o grande protagonista invisível de todas as nossas histórias – o que nossos livros contam, afinal, é sempre o que aconteceu com uma meia dúzia de personagens enquanto eles caminharam entre datas. Nesses períodos, fisionomias mudam, acasos irrompem, tempestades surpreendem. Se toda trama depende de uma teia de causas e consequências, e se a única coisa entre uma causa e uma consequência é o Tempo, então é ele também, sempre, o nosso grande herói.

E por que escrevo todas essas obviedades? Porque me deparei com um vídeo de um fotógrafo que, com uma técnica nova, está conseguindo inserir na mesma foto tempos diferentes e, assim, compor uma história que considero revolucionária.

Dêem uma olhada nesse vídeo abaixo.

Sim, sei que fazer isso em fotografia pode soar mais fácil – mas como seriam livros livres do tempo? Eu, pessoalmente, não conheço nenhum que siga esse pensamento. O mais próximo talvez seja o Deus Das Pequenas Coisas, de Arundhati Roy, que conta uma história a partir de colagens atemporais de outras histórias. É uma obra de arte belíssima, talvez única no mundo… mas ainda pára um pouco aquém dessa destemporização absoluta.

Para falar a verdade, nem sei se isso é possível – e agradeceria se alguém soubesse de algo nessa linha que pudesse me recomendar. De toda forma, fica então como um devaneio qualquer criado na esperança da próxima revolução literária sair daqui das nossas terras :-)

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Participe do Prêmio São Paulo de Literatura 2017

A Secretaria da Cultura do Governo do Estado de São Paulo está com inscrições abertas para o Prêmio São Paulo de Literatura 2017. O prazo para escritores e editoras se inscreverem vai de 7 de março a 20 de abril e podem concorrer romances em duas categorias: “Melhor Livro do Ano” e “Melhor Livro do Ano – Autor Estreante” – esta última dividida em duas modalidades “Autores com Mais de 40 Anos de idade” e “Autores com Menos de 40 Anos de idade”. 

Para conhecer o 
Edital Completo, clique aqui.

A Resolução do Secretário da Cultura, José Roberto Sadek, instituindo a versão 2017 do Prêmio pode ser lida clicando aqui.
   
Com a premissa de incentivar a leitura, a produção e a difusão literária, o Prêmio São Paulo de Literatura contribui para a formação de novos leitores e escritores, sendo um dos poucos no país a ter categoria específica para estreantes. Também se destaca por reconhecer os grandes nomes e os novos talentos da literatura contemporânea, abrindo portas não só para escritores nacionais, mas também para concorrentes estrangeiros com obras escritas originalmente em língua portuguesa e primeira edição mundial no Brasil em 2016. Abrangendo obras de ficção, no gênero romance, o Prêmio São Paulo de Literatura é o maior do país em valor de premiação individual: R$ 200 mil para o Melhor Livro do Ano e R$ 100 mil para cada autor estreante nas submodalidades +40 e -40.
Na categoria Melhor Livro do Ano, poderão se inscrever autores que já publicaram romances de ficção anteriormente. Já na categoria dos estreantes, os escritores podem ter obras publicadas em outros gêneros, desde que o livro inscrito seja o seu primeiro romance de ficção.

Edições anteriores

Em 2016, Anatomia do Paraíso (Editora 34), de Beatriz Bracher, foi eleito pelo júri do Prêmio São Paulo de Literatura o Melhor Livro do Ano. Já Marcelo Maluf, com A Imensidão Íntima dos Carneiros (Editora Reformatório), foi contemplado na categoria Autor Estreante +40 e Rafael Gallo recebeu prêmio na categoria Autor Estreante -40, com o romance Rebentar (Record).
A categoria “Autor Estreante” contribuiu também na revelação de novos nomes da literatura, tais como Jacques Fux (Antiterapias), Paula Fábrio (Desnorteio), Micheliny Verunschk (Nossa Teresa – Vida e Morte de uma Santa Suicida), Débora Ferraz (Enquanto Deus Não Está Olhando) e Marcos Peres (O Evangelho Segundo Hitler).
Sobre o Prêmio São Paulo de Literatura
Criado em 2008 pelo Governo do Estado de São Paulo, o Prêmio São Paulo de Literatura é o maior do País em valor individual e tem como principais objetivos incentivar a produção literária de qualidade, apoiar e valorizar novos autores e editoras independentes, além de incentivar a leitura.
Desde que foi criado, o Prêmio teve participação de mais de 1.700 livros e premiou 22 romances, contribuindo de forma decisiva para dar visibilidade não só às obras vencedoras, mas também aos trabalhos finalistas.

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Tem novidade na Fábrica de Historinhas!

Lançamos, recentemente, um projeto diferente na Fábrica de Historinhas – empresa filha do Clube focada na personalização de livros infantis: um livro de aniversário. 

A ideia é simples (e, ao menos em nossa imodesta opinião, fantástica :-) ): publicamos um livro personalizável voltado para aniversário de crianças!

Seu funcionamento é diferente: 

  • Diferentemente de como a Fábrica costuma operar, não há a necessidade de assinatura: todos podem fazer uma compra avulsa diretamente no site
  • No ato da compra, a personalização é bem mais completa: a foto da capa, a ilustração dos personagens e seus nomes geram um livro com uma história diretamente relacionada à festa de aniversário dos pequenos.
  • Temos também duas opções: a compra do livro em si, que chega nos mesmos moldes e tamanhos que os livros da Fábrica (A4), e de pacotes de lembrancinhas (livrinhos com a mesma história, só que em formato menor, A6). 

Nesse caso, tanto convidados quanto os pais podem aproveitar e dar aos pequenos aniversariantes esse presente incrível: um livro personalizado tendo a própria criança como personagem principal! 
Curtiu? Dê uma olhada lá no nosso site, no www.fabricadehistorinhas.com.br e dê o presente de aniversário mais sensacional do mundo :-)

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Os brasileiros

Não há, no mundo, nenhuma estirpe de escritores mais incrível que a brasileira. 

Por favor não entendam essa minha opinião como xenófoba ou preconceituosa: já me derramei em elogios, em posts passados, por autores dos quatro cantos do mundo. Mas nenhum deles consegue casar a delicadeza revolucionária da linguagem com a brutalidade desconcertante dos temas como os nossos. 

Tá… talvez essa seja uma opinião que se pode esperar de um brasileiro que, obviamente, compartilha os mesmos panoramas culturais que esses autores… 

Ainda assim, é uma opinião que insisto em repetir. 

Não há, no mundo de fora, nenhum autor que tenha conseguido captar a essência da vida de maneira tão incrível quanto Guimarães Rosa. Não há nenhum poeta tão embasbacante quanto Manoel de Barros. Não há cronista de cotidianos como Alcântara Machado. Não há nenhum retratista de lugares e épocas como Jorge Amado. 

Mas sabe qual o problema do parágrafo de cima? Todos os meus exemplos são feitos de cadáveres. 

Será que ainda somos um país de escritores geniais ou que, um dia, fomos – e deixamos de ser?

Quero crer que ainda sejamos – muitos dos livros do Clube que leio me apontam para essa conclusão. 

Só que livros são feitos de leitores e, enquanto o público brasileiro insistir em comer apenas a literatura empacotada vinda da Europa ou dos EUA, dificilmente conseguiremos consolidar carreiras de novos mestres nossos. 

Passou da hora de nos lermos mais e de nos concentrarmos mais na nova literatura produzida por aqui. 

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