Sobre as pérolas escondidas em cada livro

– A igreja está fechada. Sabe que horas são? Quase cinco da manhã. E não deveria estar aqui. De noite esta zona é má, é uma zona perigosa.

Mylia sentiu vontade de rir em frente ao bom homem. Zona má porque perigosa! Ela que vem com a doença, uma doença que já está dentro e a vai matar num ano, dois, não mais. Ela que está com a morte fechada num sítio de onde já não sai; ela quer precisamente o perigo, aquilo que ainda a excite, que ainda revele nela energia suplementar. Esteve à beira de dizer ao homem, certamente trabalhador na igreja em ofícios menores, esteve tentada a dizer: se esta zona é perigosa, não é uma zona má. Aqui se poderá construir.

Esse é um trecho de Jerusalém, livro do português Gonçalo M. Tavares que li durante o final de ano.

Sempre acreditei que livros são como uma espécie de marisco: todos escondem, por trás de enredos envolventes, personagens marcantes e usos perfeitos da palavra escrita, alguma pérola solitária de conhecimento capaz de nos deixar absolutamente deslumbrados em maior ou menor grau. São as três bruxas que prevêem o destino de MacBeth, o perigo da vida de Riobaldo em Grande Sertão: Veredas, a relação entre discurso e poder em Guerra e Paz, a figura do homem mais triste do mundo em Nosso Reino, do também português Valter Hugo Mãe.

Não é que eu esteja diminuindo histórias gigantescas como Guerra e Paz, para ficar neste exemplo, a uma mera passagem de duas ou três páginas. Histórias, a meu ver, são como canais de transmissão de ideias sutilmente forjadas, delicadas, absolutamente complexas e detentoras de uma luz própria que, quando entendidas, efetivamente nos apresentam uma face nova da vida e da humanidade. Nesse sentido, é fundamental que elas sejam ricas o suficiente para nos envolver, para roubar a totalidade da nossa atenção e nos fazer enxergar as metáforas que carregam com o devido encanto.

Ler, para mim, é uma espécie de tarefa de investigação: sempre me vejo caçando pérolas e tentando enxergar a luz escondida nos enredos dos livros. Nem sempre consigo, é bem verdade: há vezes em que, provavelmente pela minha própria incapacidade investigativa, histórias são apenas histórias, entretenimentos frugais do cotidiano. Mas há outras – a maioria, ainda bem – em que essa luz me capta com um susto e me faz repensar a própria maneira de enxergar a vida.

Jerusalém não é um livro tão espetacular quanto os outros que citei aqui. Ele não envolve quanto Guerra e Paz, não nos deixa em estado constante de choque quanto Grande Sertão, não nos faz repensar a história da humanidade como MacBeth, não nos remete à melancolia pueril e direta de Nosso Reino. Ainda assim, ele tem a sua própria pérola, com a qual abri este post.

O resumo em uma frase? É no perigo que se constrói.

Sim, isso pode parecer simples. Sim: colocado desta maneira, como uma espécie de resumo de vestibular, pode até esbarrar no piegas.

Mas é também a mais pura verdade.

Que graça teria a vida (ou as histórias) sem os perigos que precisam ser transpostos para que se chegue a alguma nova síntese de vida? Nenhuma.

Que nossas próprias histórias sejam recheadas de perigos para que possamos construir sobre elas.

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Ler é multiplicar tempos

Já fiz um post aqui no blog sobre o papel que a leitura tem em nos fazer colecionar tempo.

Não pretendo me repetir sobre o assunto, mas sim abordar a forma com que os nossos tempos tem contribuído para enriquecer o nosso acervo literário como nenhum outro na história da humanidade.

Antes, um resumo meio cru de como encaro a literatura: a partir do momento em que livros nos transportam para outros tempos e outras realidade, nos alimentando de conhecimentos acumulados aos quais provavelmente jamais teríamos acesso em uma única vida, eles acabam alongando o nosso Tempo no mundo. Afinal, só sendo um louco para entender o poder da verdade carregada em Hamlet; só sendo um turco do século XVII para entender direito o quanto humanidade se opõe à perfeição como em Vermelho; só estando muito em contato com a própria brasilidade para se perceber como somos todos Macunaíma. Livros, portanto, multiplicam o nosso Tempo no mundo a cada nova experiência de vida alheia que nos permitem acumular. 

OK… e o que isso tem a ver com a vida moderna? Tudo. 

Primeiro, pela quantidade. Se vivêssemos nos ermos tempos do Nome da Rosa, precisaríamos ser teólogos, detetives e atletas para conseguir percorrer o mundo em busca dos poucos livros que se espalhavam pelos monastérios europeus. Nem precisamos ir tão longe: em nenhum outro momento da história da humanidade se tem tantos livros e com tão fácil acesso quanto hoje. Tem dúvidas? Navegue por minuto no Clube de Autores e veja as mais de 50 mil obras publicadas aqui apenas em 7 anos. 

Segundo, pela disponibilidade. Se livros eram restritos a poucos exemplares guardados como preciosidades (e, portanto, pouco acessíveis a todos), hoje eles são mais disponíveis do que orvalho à noite. 

Há livrarias espalhadas por todas as cidades esbanjando acervos de dezenas de milhares de livros. Há a Estante Virtual que reune uma rede imensa de sebos e faz da falta de estoque um problema essencialmente inexistente. Há Apple, Google e Amazon entregando ebooks que podem ser lidos nos mais diversos devices. Há Audible e Ubook fazendo livros entrarem pelos nossos ouvidos. 

Esse é, inclusive, o terceiro ponto: as diferentes formas. Uma coisa é ler livros, tarefa que exige, obviamente, um mínimo de “atenção ocular”. Outra coisa é ouvi-los. 

Ouvir livros é algo que pode ser feito quando se está preso no trânsito, quando se está correndo no parque, quando se está batendo perna no shopping. E veja que maravilha: ao invés de passar horas encarando uma fila de faróis vermelhos parados na Marginal pensando no vácuo, pode-se ouvir os contos de outros mundos de V.S. Naipaul ou Chinua Achebe. 

E, de carona com esses mestres, pode-se entender o mundo sob as suas óticas, aprender com as suas visões e crescer com as suas imaginações. Pode-se acrescentar mais Tempo ao nosso tempo, mais vida à nossa vida. 

Vivemos uma era singular em que podemos inserir séculos ou milênios, de maneira quase gratuita, no tempo que temos sobre esse nosso mundo. 

Isso não é incrível?


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Faça o seu tempo

Fiz um post bem extenso há algum tempo sobre os diferentes tempos que regem a humanidade – o tempo universal, cronológico, e o individual, que depende da somatória de memórias de cada um. Não vou me alongar muito nisso porque o post está aqui – mas descobri um infográfico no UOL Tab fantástico sobre o assunto.

O título não poderia ser melhor: Faça o seu tempo.

Para escritores que, por definição, criam tempos e realidades, acaba sendo um conteúdo extremamente interessante. Então, sem mais delongas, recomendo que cliquem aqui ou na imagem abaixo e divirtam-se com esse compilado de conteúdo sobre a relatividade do tempo que todos nós temos! :-)

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Sobre compras em quantidade no Clube

Uma das demandas mais recorrentes que temos de autores é, claro, a possibilidade de melhores condições de negociações para lançamentos.

E já temos – embora pouco destacada – toda uma área no site que explica o funcionamento e que garante descontos que começam de 10% e sobem até muito, mas muito mais que isso dependendo do volume.

Recentemente, no entanto, fizemos acordos com algumas gráficas mais especializadas em grandes volumes para aplicar a seguinte tabela:

  • Compras de 10 a 49 exemplares > Até 10% de desconto automático na compra.
  • Compras de 50 a 99 exemplares > Até 40% de desconto. Para se beneficiar, é necessário que você nos contate via email – atendimento@clubedeautores.com.br.
  • Compras a partir de 100 exemplares > Até 50% de desconto. Para se beneficiar, é necessário que você nos contate via email – atendimento@clubedeautores.com.br.

Como funcionam as compras automáticas? 
Em primeiro lugar, é importante entender que os descontos variam de acordo com a faixa de páginas do livro, não sendo fixos. Nos casos de compras até 49 exemplares, o cálculo é feito diretamente pelo sistema no momento da compra, sem haver a necessidade de contatar o Clube de Autores por email.

As faixas percentuais de desconto não incluem os direitos autorais, que são fixos e estabelecidos pelos próprios autores.

Quando os autores compram as suas próprias obras, o sistema já exclui automaticamente os valores referentes aos seus direitos autorais, evitando que se precise pagar por algo que se receberá no futuro. Essa regra é válida para qualquer quantidade (mesmo que de apenas 1 exemplar).

Para que o contato por email? 
Até então, todas as compras em quantidade tinham seus descontos calculados automaticamente, pelo site. O que notamos recentemente é que, provavelmente por conta da crise, muitas gráficas estão dispostas a negociar seus valores caso a caso, variando de cada situação. Se, por um lado, isso nos impede de aplicar descontos automáticos, por outro nos permite garantir aos autores situações mais vantajosas desde que consigamos nos engajar pessoalmente nas tratativas.

Foi isso que fizemos agora, montando uma área aqui dentro específica para compras em quantidade em que negociaremos, no cotidiano, cada compra feita para livros a partir de 101 exemplares. E tudo isso com grande agilidade, devo acrescentar: a ideia é que tenhamos o orçamento pronto em, no máximo, 2 dias.

Quer uma sugestão? Aproveite! Esse é um daqueles (poucos) negócios bons viabilizados pela crise que o Brasil vive :-)

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Chegamos, ainda bem, no capítulo final da crise

Há uma ligação entre crise e pessimismo parecida com aquela história do ovo e da galinha. Isso é óbvio: quanto mais crise, mais pessimismo se estabelece em uma sociedade; quanto mais pessimismo, menos as pessoas ficam dispostas a se arriscar e, portanto, mais crise acaba sendo gerada.

Nós, brasileiros, sabemos bem disso: estamos encerrando o pior ciclo de recessão da nossa história.

Foram dois anos em que menos ideias se transformaram em negócios (por falta de investimento), menos experiências de vida foram somadas (por falta de oportunidade), menos histórias memoráveis, enfim, foram acumuladas.

Mas os números, pela primeira vez em muito tempo, parecem abrir algum caminho para que mudemos a nossa “agenda mental”. A inflação desacelerou fortemente, os juros baixaram, a produtividade cresceu e até as previsões do PIB das instituições mais conservadoras passaram a abrir mais sorrisos nos sempre tensos “mercados”.

Estamos navegando em céu de brigadeiro? Claro que não – não se sai de uma recessão dramática como a brasileira em um punhado de meses. Mas, em muitos casos, não precisamos cruzar a porta para mudarmos de ambiente: basta que consigamos enxergá-la. É simples assim.

E, agora, pela primeira vez em dois anos, essa porta parece visível.

Aproveitemos. Todo livro precisa de um final para que possamos partir para o próximo.

the end

 

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