A salvação da Internet

Há um fluxo de nem sei quantas pessoas por dia no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. São todas, em maior ou menor grau, leitoras.

Todas esperarão seus vôos por pelo menos uma hora, a maioria sentada, sozinha e sem nada para fazer. Há uma opção óbvia: a livraria, aberta desde as primeiras horas da manhã.

Pois bem: o pouco espaço que a livraria dispõe hoje é dividido entre livros sem nenhuma mínima tentativa de curadoria temática, chocolates, revistas e eletrônicos. Aliás, há tão poucos livros que parece até errado chamar a loja de livraria.

A julgar pela sua diminuição de tamanho nos últimos anos, é de se supor também que as vendas não estejam assim tão incríveis – mesmo em um país cujo hábito de leitura cresce tanto anualmente. Faz sentido? Faz.

Como, afinal, entregar a variedade nichada que os leitores de hoje demandam em tão poucas prateleiras? A livraria do aeroporto de Congonhas – da mesma forma que as de todos os aeroportos – é exemplo perfeito disso: mesmo ganhando de presente hordas diárias de leitores em busca de boas histórias para passar o tempo, elas penam para vender livros.

Por que? Porque, hoje, livrarias físicas são excelentes lugares para se passear – mas somente a infinita prateleira da Interner consegue garantir a cada leitor o livro exato que ele procura.

A literatura agradece à Internet.

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Estou deixando de ir a livrarias físicas

Eu sempre gostei de passar meu tempo folheando passos em livrarias. Há algo de inspirador em caminhar cercado por tanto conhecimento, por tantas histórias escritas por tantos gênios. Há algo de poderoso em constatar que, no fundo, todos nós, humanos, temos o poder dos deuses de criar mundos, histórias, personagens.

Tradicionalmente, eu caminhava por livrarias, escolhia um livro qualquer, comprava e começava a devorá-lo ali mesmo, no café da loja.

Mas aí algo mudou. Algo essencial, fundamental: parei de encontrar os livros pelos quais me interessava. Curiosamente, há muito mais megastores hoje do que na década passada – mas era muito mais fácil encontrar um título interessante nos anos 90 do que hoje.

Por que? Teriam os bons livros desaparecido? Óbvio que não. Ao contrário: se tem uma coisa que a nossa geração pode se orgulhar é da quantidade de obras de arte que temos gerado todos os dias.

O problema é justamente esse, inclusive: há muito mais obras de arte sendo escritas do que capacidade de exposição das livrarias. O que elas fazem, então, com seus estoques limitados? Limitam-se a exibir os ultra-best-sellers, aqueles que cismam e encantar a todos sem encantar nenhum indivíduo.

Meus hábitos de leitura já fogem das grandes livrarias. Hoje, compre no Clube de Autores, na Estante Virtual, em sites gerais. Compro neles porque, na infinitude da Internet, a probabilidade de eu achar o que quero é de 100%.

Sempre acho. Sempre acabo comprando.

Claro: compras na Internet são mais frias. Não há aquele espaço com cheiro de conhecimento, não há cafés gostosos com poltronas inspiradoras para sentar e ler. Não há nada disso.

Mas decidi ser mais prático e unir o útil ao viável e ao agradável. Se quero uma boa história, compro um livro no maior estoque do mundo, a Internet. Se quero ler em um café, vou a um Starbucks qualquer: sempre há um perto. Se quero sentir o cheiro das páginas… bom… aí é só dar uma boa fungada na história em minha frente.

Simples assim.

Livrarias tradicionais, talvez, estejam ficando no passado. De que servem elas, afinal, se deixamos de encontrar em suas prateleiras o que queremos?

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