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O que todo escritor deve fazer para ter sucesso?

Marguerite Duras, uma das mentes mais brilhantes da história da literatura mundial, uma vez disse que, se não tivesse escrito, certamente teria se tornado uma alcoólatra incurável.

Em parte, esse pensamento responde à parte mais importante da pergunta título deste post. Desconsidere, ainda que por um breve instante, o “para ter sucesso”. O que todo escritor deve fazer? Escrever.

Não para ter sucesso, não para galgar posições mais nobres em seus círculos sociais, não até mesmo para disseminar pensamentos revolucionários e inovadores. Um escritor, afinal, escreve porque não tem outra alternativa: a vontade própria das letras, ansiosas por saltar de seus dedos para uma folha em branco, é simplesmente forte demais, poderosa demais para que se consiga enclausurar em uma silenciosa timidez.

Se você é um escritor – e o fato de estar aqui no blog, lendo este post, nos dá sinais relativamente claros de que seja – então sabe bem do que estou falando. No final das contas, nós é que somos reféns das palavras informadas e inconformadas que ricocheteiam pelas nossas mentes e peitos em busca de um sentido qualquer que as ajude a tomar corpo.

O que todo escritor deve fazer? Escrever, repito.

Mas escrever, apenas, certamente não garantirá o sucesso de um livro.

E aqui entra uma das maiores questões de nossos tempos: com uma abundância tão grande de conteúdo de qualidade sendo disparado por tantos meios de comunicação em um mundo tão ultraglobalizado, é preciso ir muito além de apenas “gerar” uma história.

É preciso ir além, muito além.

É preciso saber ler, saber beber da referência deixada pelos mestres que nos antecederam, da Marguerite Duras citada aqui aos tantos, tantos outros que pavimentaram a literatura mundial da mais pura beleza.

É preciso cuidar da forma tanto quanto do conteúdo: capa, diagramação, projeto gráfico como um todo.

É preciso interagir com leitores críticos que passem opiniões tecnicamente cruéis, forçando trechos a serem reestudados, repensados, reescritos.

É preciso tratar o próprio conteúdo, incluindo revisão ortográfica e gramatical, registro de ISBN.

É preciso planejar e executar um bom plano de divulgação antes mesmo de terminar o livro, formando uma audiência interessada no que você tiver a dizer.

É preciso aprender a ser o seu próprio editor, o seu próprio empresário.

São tempos difíceis para escritores, os nossos?

De forma alguma. Arrisco-me até a dizer que sejam os mais fáceis dos tempos – o que não significa, obviamente, que efetivamente sejam fáceis.

Nosso pensamento retrópico, que vive da certeza de que tudo no passado era melhor, esquece que os filtros literários nas décadas ou séculos passados eram imensamente maiores. Você mesmo pode tirar a prova indo para qualquer livraria e pesquisando autores ao longo do tempo: para cada um que tiver vivido no século XIX você certamente encontrará dez ou vinte do século XX; para cada dez ou vinte dos anos 30, você encontrará cem ou duzentos dos anos oitenta; e assim por diante.

Porque se, por um lado, publicar ficou mais fácil e mais acessível a todos, aumentando a concorrência por livros, por outro, o volume de leitores e de livros lidos por leitor aumentou dramaticamente.

Mais pessoas lêem mais: quer notícia melhor para autores?

As dificuldades não aumentaram do século passado para cá – elas apenas mudaram de forma. Se, antes, era importantíssimo se entranhar na imprensa para formar uma rede de contatos que garantisse acesso a uma editora disposta a investir na publicação – algo que poderia levar décadas e que exigia uma boa dose de sorte e competência em networking – hoje basta acessar o Clube de Autores, publicar seu livro e tê-lo à venda nas maiores livrarias do Brasil e do mundo. Por outro lado, se no passado você tivesse a rara sorte de conseguir uma editora, ela se responsabilizaria por fazer o seu livro ganhar a atenção de leitores sem que você precisasse se ocupar muito com questões como marketing e distribuição; hoje, no entanto, essas responsabilidades são exclusivamente suas e não aceitá-las significa cismar em viver e um passado que já não existe mais (e que, portanto, te condenará ao insucesso).

Sim, ser um escritor de sucesso hoje é muito mais fácil do que no passado – mas continua sendo difícil. Mas, se “não escrever” simplesmente não é uma opção para um escritor de verdade, o que nos resta a fazer senão mergulhar de cabeça nesse nosso novo mercado e enfrentar cada um dos desafios com toda a nossa energia para, assim, garantir o nosso lugar ao sol?

Se escrever é inevitável, que seja também inevitável a garantia de que nosso livro tenha as melhores chances possíveis de chegar ao máximo de leitores.

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Feliz 2014 :-)

Alguns anos são leves, quase tediosos. Poucos grandes acontecimentos, muita rotina e uma relativa calmaria geral.

Não foi o caso de 2014.

Hoje entramos oficialmente no primeiro dia do último mês deste ano. Em 11 meses, passamos por manifestações, Copa do Mundo, uma crise como faz tempo não víamos, eleições, denúncias e prisões nos mais altos escalões e todo um turbilhão de emoções que mexeram com os ânimos de muitos, muitos brasileiros. E, claro, entre tantos acontecimentos tivemos ainda que trabalhar e – obviamente – escrever. E arredondar nossas histórias, fazer os ajustes finos, lançar.

2014 está terminando de maneira intensa – muito intensa.

Anos assim são bons: nos garantem todo um acervo de histórias para que contemos em nossos contos, poemas e romances.

Ainda está cedo para desejar um bom 2015 a todos os escritores do Clube, mas me arrisco a desejar um feliz 2014. Espero que esse ano tenha sido realmente repleto de emoções e intensidades exageradas, quase insanas. Intensidades inspiram histórias – e histórias, afinal, são o sangue que pulsa nas veias de todos os escritores.

Que as tantas experiências que se somaram (e que ainda se somarão pelos próximos 31 dias) se transformem em histórias fabulosas no ano que vem.

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