Entenda o que é Fanfic e saiba como escrever

Você já terminou de ler um livro e ficou com a sensação de que a história podia continuar? Ou imaginou uma história paralela àquela, com outras referências de personagens? Já quis reescrever alguma história, mudando apenas o ambiente ou algum outro detalhe? E que tal detalhar uma cena ou período que não ficou claro para você? Se a resposta para essas perguntas for sim, você tem potencial para escrever uma fanfic!

A palavra fanfic é abreviação de “fanfiction” e significa “ficção de fã”. São contos escritos por pessoas que se inspiram em produções (de outros autores) já existentes como livros, filmes e séries. Para entender melhor: é a criação de novas histórias a partir do conteúdo original que o fã já conhece e admira.

Se você acha que o termo é novo, está enganado. Na década de 1960, foi lançada a “Spockanalia”, uma  fan magazine (também conhecida como “fanzine”) com conteúdo baseado em textos escritos por fãs inspirados na saga Star Trek (Jornada nas Estrelas). No entanto, se popularizou com o avanço da tecnologia e o acesso à internet – espaço onde a maioria dos adeptos de fanfic utiliza para divulgar suas criações, por meio de plataformas específicas, sites ou fóruns.

Como criar uma fanfic

A única regra para se tornar um fã-escritor é usar a imaginação! Os textos podem ser inspirados em uma série de TV, uma sequência de livros, filmes que te agradam, história em quadrinhos, celebridades e até sua banda favorita. As fanfics podem ser classificadas em diferentes categorias de acordo com os temas, número de palavras, gêneros, entre outros aspectos. 

Você pode utilizar o ambiente criado pelo autor no título original e incluir personagens na história ou até mesmo utilizar seus personagens favoritos em um cenário completamente diferente. Mas é preciso ter alguma ligação forte com o conteúdo original, já que esse material será lido por outros fãs que já possuem conhecimento sobre o enredo e os personagens principais.

As fanfics são divididas em categorias, que variam de acordo com o tipo da história, tamanho do texto, tipo de inserção e até referências. Veja as mais comuns:

Alternate Universe (universo alternativo): quando os personagens são inseridos em um universo diferente do original, por exemplo Harry Potter no universo de Alice no País das Maravilhas.

Angst: tem uma trama mais dramática. A angústia dos personagens centrais é o que rege a trama dessas histórias. Explora o sofrimento dos personagens como perdas e decepções.

Canon: é o estilo com menos liberdade para criar, entre as fanfics. Segue o enredo da história original, usando os mesmos personagens e locações. 

Crossover: fanfics que misturam dois universos fictícios diferentes, unindo personagens e aspectos de Crepúsculo e Jogos Vorazes na mesma história, por exemplo.

Drabble: contos curtos com cerca de 150 palavras. Esse estilo é utilizado para detalhar alguma situação como algum acontecimento, ponto de vista ou dar destaque ao personagem. 

Lime: romance adulto, indicado para maiores de 16 anos – não contém necessariamente algum tipo de mensagem de cunho erótico.

Mary Sue: fanfics com foco em romance, relacionamentos e histórias de amor entre os personagens. Já imaginou dois personagens do game Street Fighter em um relacionamento? Na fanfic isso pode acontecer.

Oneshot: fanfic com apenas um capítulo, escrita sem pretensão de continuidade.

Songfic: a história criada com uma música como base.

What If: um rumo diferente para a história original, como se De Volta Para o Futuro tivesse um final completamente diferente do que foi realizado, por exemplo.

O que os autores pensam

Normalmente, os criadores de fanfics não têm interesse em ferir os direitos autorais ou ganhar algo por meio dessas publicações mas a aceitação das fanfics por parte dos autores é muito relativa. Alguns acham que é saudável e estimula outros fãs a conhecerem a história original, além de interagir com aquele universo de maneira imersiva.  J.K Rowling, por exemplo, já disse em entrevistas que se sente lisonjeada com o empenho e criatividade dos fãs porque isso é um sinal de que eles realmente se identificam com o universo que ela criou. Autores como George R.R. Martin e Anne Rice possuem opinião contrária e já cogitaram tirar conteúdos do ar, apenas pela semelhança de escrita, conforme categorias citadas anteriormente. 

Minha fanfic pode virar um livro?

Em geral, os maiores interessados no conteúdo da fanfic são os fãs daquele universo que está sendo retratado. E temos que concordar que um fã de verdade é capaz de mover montanhas, se preciso for. É por meio de fóruns e sites específicos para fanfics que eles acessam os conteúdos e engajam com a história. Em diversos casos, o conteúdo é tão interessante que as editoras se propõem a publicar os livros. Anna Todd é um exemplo de sucesso. Sua fanfic sobre a banda One Direction teve os direitos autorais comprados para a realização de um filme e a publicação de um livro.

jovens no parque lendo no computador

Sabe aquele grupo que você tem para discutir sobre determinado filme, livro ou série? As inúmeras possibilidades que cria para o enredo ou desfecho da história? Pois bem, o seu hobby pode virar um livro de verdade e fazer a alegria de muitos fãs do mesmo tipo de entretenimento que você. 

E não precisa se preocupar, pois publicar um livro é mais simples do que você imagina. O Clube de Autores incentiva autores independentes e possui diversas dicas para quem está começando. 

Dê asas à sua criatividade, escreva e divirta-se! 

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O que Harry Potter pode ensinar aos escritores de hoje?

Há alguns anos, enquanto visitava a Feira do Livro de Londres, acabei agendando uma reunião na PotterMore, empresa da JK Rowling que tem como missão, em termos práticos, prolongar até o infinito a “experiência Harry Potter”.

No mundo mais cult (tendendo ao intelectualóide), os livros de Harry Potter são quase endemoniados. Mas ninguém pode negar o seu sucesso: em alguns anos, a escritora conseguiu cativar mais leitores adolescentes do que qualquer outra pessoa em toda a história da humanidade. Uma aula para todos nós, autores, que sempre estamos buscando novas formas de aprimorar os nossos textos e de divulgar os nossos trabalhos.

Tendo origem no papel escrito, Harry Potter logo chegou às telas de cinema onde arrecadou uma média de US$ 1 bilhão por filme – e nunca diminuindo as vendas dos livros. Pelo contrário: a ansiedade por novos textos da autora beirava a loucura.

Mude, agora, a maneira de encarar. Ao invés de pensar nos livros do Harry Potter, pense no modelo de narrativa.

Ao fazer isso, consegue-se somar textos, filmes e, claro, Internet. O carro chefe da Pottermore, hoje, é a sua comunidade online – a pottermore.com . O que ela faz? Permite algo diferente aos fãs do pequeno mago: interação viva.

Por interação, entenda inclusive testes online gratuitos que alocam cada usuário em uma das “casas” de Hogwarts, como Gryffindor e Slytherin. Há textos inéditos da autora, um relacionamento próximo com a comunidade e um tipo de prolongamento da saga que vai além da história de Harry Potter em si e chega a novos personagens e detalhes do universo mágico que ela criou.

Isso nos ensina duas coisas:

1) Escrever para mentes é diferente de escrever para páginas.

Ao pensar em uma história, sempre vale a pena explorar possibilidades que vão além de livros, como aplicativos, sites etc.

No caso da Pottermore, a própria criação desse ecossistema de conteúdo envolvendo site, livro, filme e interação com a autora já traz uma riqueza que apenas garante níveis muito, mas muito mais intensos de imersão na trama.

E, se pensarmos bem, não é exatamente necessário termos um sucesso estrondoso para começar a pensar em algo assim. Todo projeto de divulgação de um livro precisa ser multimídia por natureza, precisa envolver um público que está muito além das prateleiras de livraria. E qual a melhor maneira de cativar um público do que entregar a ele amostras do universo da sua narrativa em todos os lugares possíveis? Em grande parte, aliás, o nosso guia de divulgação de livros fala essencialmente desse processo.

2) Que universos não tem dono.

Esse segundo ponto é importante por ser uma espécie de falha no modelo da Pottermore. Lá, por mais que eles incentivem a interação, eles são declaradamente contra FanFics (livros de ficção escritos por fãs e tendo como base personagens e enredos originais).

Aqui vale uma observação: é natural que uma autora, por mais famosa que seja, não se sinta à vontade ao ter terceiros que ela não conhece escreverem sobre os seus “filhos”. Até aí, tudo bem.

Mas, se você se propôs a criar um universo mágico inteiro, como evitar que ele caia nas mãos de outros escritores?

Há um ditado que prega que escrever um livro é o mesmo que brincar de Deus, pois o autor tem poderes plenos de criação e destruição. O problema é que, depois de publicar o livro, esse poder é inevitavelmente compartilhado pelo mundo de leitores-escritores que mergulham na história. Cada um quererá participar com as suas próprias letras – e é esse movimento, esse envolvimento, que permitirá uma narrativa sobreviva ao seu autor original.

Não dá para afirmar, ainda, se a Pottermore mudará de ideia no futuro, mas dá para afirmar que essa relação com autores de FanFics certamente é algo delicado.

O que deve ficar de lição para autores?

Em uma frase: o foco total na criação de universos multifacetados e multimídia em que a trama se insere sem nenhuma preocupação com terceiros criarem novas histórias baseadas em sua trama. Por que?

Bom… cada FanFic criada com base em sua história será uma nova e incomparável força de divulgação para você. Por outro lado, para quer você consiga isso, é realmente fundamental criar um universo riquíssimo e, sobretudo, autêntico.

No final das contas, por mais que todo o processo de publicação e divulgação sejam fundamentais para o sucesso de qualquer livro, é a sua criação, o seu conteúdo, a sua narrativa que mais acaba fazendo a diferença. E isso não mudará jamais.

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Sobre Fan Fics

O mundo superconectado trouxe consigo algumas características curiosas: o abandono do conceito de privacidade por muitas pessoas, um “boom” nos hábitos de leitura e uma espécie de globalização cultural sem precedentes.

Nessa toada, um novo gênero literário surgiu com força total: as fan fics, ou fan fictions. Para quem não conhece, são livros escritos com base em personagens ou enredos de outras histórias mais famosas (como Senhor dos Aneis, Harry Potter, Start Trek e tantas outras).

Há um “quê” de marginalidade nesse novo gênero: muitas das editoras das obras originais são simplesmente contrários a eles, considerando-os infratores de direitos autorais e, portanto, criminosos. Curioso esse ímpeto de considerar fãs ardorosos como bandidos, aliás.

Mas, claro, há um bom senso imperando na maioria dos casos: é difícil imaginar a Pottermore, empresa que cuida da obra de Harry Potter, processando seus próprios fãs. O escândalo em mídias sociais seria tamanho que ela teria mais a perder do que a ganhar.

OK… mas isso torna o gênero algo legal?

Não.

Na teoria e na prática, personagens e enredos tem direitos autorais assegurados por lei e qualquer uso indevido pode resultar em penalidades severas para o infrator.

Isso significa, portanto, que há uma zona cinzenta onde esse gênero se enquadra: ele não é legal (do ponto de vista jurídico) – mas qualquer tipo de processo movido pelo detentor dos direitos, embora com o apoio da lei, não é “legal” do ponto de vista da manutenção de uma audiência de fãs fiel.

O que fazer então? Negociar individualmente pode ser uma solução, desde que se entenda que a maioria das editoras, sempre antiquadas na sua forma de pensar e ver o mundo, cordialmente negarão qualquer forma de autorização. Na prática, muitos preferem enfrentar os riscos e seguir adiante, arcando com possíveis consequências.

Mas o fato é que fan fics são um espelho de um novo mundo que veio para ficar e que, mais cedo ou mais tarde, as grandes editoras precisarão articular uma solução mais clara para a convivência com elas.

A propósito, há um livro aqui no Clube que fala especificamente sobre essas questões sob aspectos que vão do cultural ao legal inseridos na realidade brasileira. Recomendo a todos que forem curiosos sobre o tema ou que se enquadrarem como autores: https://www.clubedeautores.com.br/book/137578–Fanfiction_Fragmentos_da_ficcao#.VNCv0FXF-LE

A propósito disso, cabe uma pergunta? O que você acha sobre fan fics? É contra? A favor? Ou acha um movimento simplesmente inevitável?

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