A revolução mundial que está acompanhando Trump

Há quem diga que Trump é problema dos Estados Unidos, que aqui temos coisas mais urgentes com as quais nos preocupar como, por exemplo, a Lava-Jato e toda essa corja política que insistimos em eleger e reeleger. 

Não nego que, entre a Casa Branca e o Planalto, as ações do segundo realmente trazem consequências muito mais imediatas para nós, brasileiros. Mas também não há como negar que, uma vez que vivemos em um mundo globalizado, o que acontece no país economicamente mais poderoso do mundo costuma ter impactos tremendos aqui. 

Basta olhar à nossa volta: nós nos locomovemos nas ruas com automóveis que foram, na prática, inventados por americanos; assistimos a séries e filmes majoritariamente americanos; e nos comunicamos via Internet – uma nuvem que, assustadoramente, “pertence” fisicamente a eles uma vez que é lá que ficam os servidores que coordenam todo o tráfego online do mundo. 

Se tudo o que acontece dentro das nossas fronteiras tem o potencial de afetar diretamente as vidas dos brasileiros, o que acontece nos EUA afeta não apenas os seus próprios cidadãos, mas sim todo o planeta.

E há um exemplo claro disso: o discurso inflamado do ex-presidente Lula durante a campanha de reeleição de Dilma Rousseff pregando a mística do “nós versus eles” e bradando que “os ricos não querem os pobres no poder porque não gostam de compartilhar com eles os assentos em aviões”. Foi com esse discurso que o governo conseguiu os votos necessários para se manter no poder – mas foi também com ele que acendeu o pavio emocional de quase metade dos eleitores, pondo em movimento toda uma cadeia de acontecimentos que culminou com o impeachment e com um dos mais dramáticos momentos do nosso país. 

O impeachment mudou o Brasil? É óbvio que sim. Mas ele mudou o restante do mundo? Muito pouco. Nós, infelizmente, ainda não somos tão relevantes no cenário global quanto gostaríamos. 

Os EUA, no entanto, são – e Trump parece estar repetindo lá, com precisão, os mesmos passos que o PT deu no Brasil. “Nós contra eles”? Que tal construir um muro para isolar o México ou vetar a entrada de muçulmanos de 7 países no seu? Há versão mais anabilizada da cisão de povos que essa?

Se vitimizar quando entidades da sociedade torcem o nariz para suas propostas e ações? Que tal acusar de comprados ou mesmo de burros todos os juízes e entidades que discordarem dele? 

Chamar a mídia de golpista? Que tal espalhar, oficialmente, que todo veículo de comunicação que discordar dele é desonesto e que mente descaradamente? 

Confundir patrimônio público com privado? Alguma dúvida sobre o questionamento ético do Trump usar o Twitter da presidência dos EUA para atacar uma loja que decidiu parar de vender produtos da sua filha? 

Não sou nenhum analista político, mas me parece claro que Trump está seguindo os mesmos passos que Dilma e buscando se manter no poder a partir de uma estratégia de criar divisões e preconceitos. Se o resultado do lado de lá for igual ao de cá, ele dificilmente terminará o mandato. 

E acreditem: isso afetará o mundo inteiro como um tsunami. 

Somos criaturas da dualidade – dependemos de conflitos para criar as nossas próprias histórias e tirar conclusões que, com alguma sorte, nos façam evoluir. E dualidades, conflitos, são a base para qualquer boa história que se escreva. Conflitos são a inspiração, a musa dos escritores e artistas. 

Pois bem: se a eleição do Trump fez subir ao mais alto posto do poder mundial um fascista mimado incapaz de entender que não é Deus em pessoa, ela também evidenciou um movimento anti-conservadorismo e pro-liberdade e união dos povos como em nenhuma outra era. Essas duas forças, que estão apenas esquentando seus motores, devem se enfrentar de maneira contundente e explosiva nos próximos anos. 

Nós, aqui no mundo real, estamos prestes a participar ativamente de uma das maiores revoluções ideológicas que a humanidade já testemunhou ao menos desde a Revolução Francesa. Ganhará a ideologia da divisão ou da união? O preconceito ou a conciliação?

Pode ser cedo para prever, mas não para torcer: que vençamos nós, os que defendem que o mundo existe para ser um único território, e não um punhado de cidades-estados medievais. 

E tomara também que registremos essa nossa guerra em histórias incríveis para que a posteridade não repita os mesmos erros da nossa geração. 

 

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Mercado de ebooks mostra sinais de estagnação no mundo

Antes de sequer começar o post: desde que começamos as nossas operações, lá nos distantes idos de 2009, sempre afirmei aqui pelo blog que está para surgir algum formato de leitura que aniquile os demais. À época, era grande o temor de que ebooks simplesmente assassinassem o livro impresso.

Não foi o que aconteceu. Já faz mais de um ano, aliás, que a indústria mundial vem relatando queda nas taxas de crescimento de livros eletrônicos enquanto os impressos permanecem ganhando território.

Recentemente, novos dados e estudos reforçam que o ebook está perigosamente próximo da estagnação. Apenas para citar um trecho de matéria publicada na Folha (íntegra aqui) em 2015:

A venda do Kindle, o leitor de e-book da Amazon, que domina o mercado, vem caindo tanto que a rede britânica de livrarias Waterstones abandonou em outubro as vendas do aparelho. E a consultoria Gartner projetou para 2017 uma redução para a metade das unidades vendidas em 2014.

Uma análise mais recente foi feita pelo blog Inteligência Competitiva, com mais números e dados pra lá de interessantes. Vale conferir a matéria na íntegra clicando aqui ou na imagem abaixo – mesmo porque nós, autores, temos a obrigação de nos mantermos informados com relação a qualquer coisa que envolva o hábito de leitura do mundo… certo?

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