Adicionando a curadoria como forma de receita dos autores

Nos tempos românticos, ter sucesso como autor era simples: bastava escrever um livro, ser escolhido por um editor e ver a sua obra nas vitrines de todas as livrarias do mundo.

É claro que, no mundo real, esses tempos nunca existiram: ter sucesso como autor sempre foi algo de dificuldade colossal desde os primórdios. Mas uma coisa era fato: o modelo de negócios era simples e muito direto.

Uma vez que o autor conseguisse uma editora e o livro fosse distribuído, tudo se desenrolava como um cálculo aritmético partindo do preço pago pelo leitor.

Hoje, no entanto, a fórmula é mais complexa. A oferta de conteúdo explodiu, os preços despencaram depois do surgimento dos ebooks e a Internet proporcionou acesso a zilhões de conteúdos relacionados, de artigos a recomendações – muitos dos quais gratuitos, diga-se de passagem.

Onde isso entra na vida de autores como nós? No entendimento de que não somos, necessariamente, apenas criadores de conteúdo. Somos coletores e curadores.

Se um leitor chega à página de venda de nosso livro ele precisa de mais informações. Precisa de sinopse, de um contato, de acesso a opiniões de terceiros, claro. Mas, hoje, ele precisa de – ou pelo menos quer – mais.

Se você escreveu um livro, provavelmente tem sua própria coleção de inspirações que delineiam o universo do livro: outros títulos que leu, artigos, músicas, lugares, pesquisas, referências etc.

Ou seja: você criou um conteúdo próprio, escreveu um livro – mas, para isso, também agiu como curador de uma base maior de conteúdo para si mesmo, escolhendo o que devia ou não utilizar como sua inspiração.

No mercado tradicional, esse conjunto de fontes, essa curadoria particular, sempre foi mantida em sigilo (possivelmente por falta de opções de divulgação). Hoje, no entanto, esse universo pode ser escancarado (e melhor explorado).

Já imaginou se, além da obra prima Os Miseráveis, pudéssemos ter acesso a todas as fontes de pesquisa utilizadas por Victor Hugo na época? Ou viajar pelos livros, artigos e filmes aue inspiraram Saramago a escrever o Ensaio sobre a Cegueira?

De certa forma, o universo de conteúdo que orbita, escondido, em torno de cada livro, pode ser tão ou até mais inspirador do que o livro em si – e pode permitir uma experiência de leitura fora de série.

Mas, novamente, entra a pergunta: o que o autor ganha com isso?

A partir do momento em que seu papel de curador passa a ser oficializado, ele pode ganhar uma merecida remuneração. Afinal, se ele fez tanta pesquisa valiosa para chegar a um livro, nada mais natural do que receber também pelo acesso a essa pesquisa – abrindo uma oportunidade mais rica de aprofundamento em conteúdo para os seus leitores e, claro, uma bem vinda fonte adicional de renda para si mesmo.

No mercado literário, esse modelo ainda não existe – ao menos não exatamente dessa forma. Mas foi uma das possibilidades aventadas aqui na Feira do Livro de Londres e considerada como tendência em tempos onde buscas de novos modelos de negócio estão sendo nuscados quase como o Eldorado.

Devemos considerar isso em um futuro próximo aqui no Clube, possivelmente acoplando um modelo de curadoria remunerada para autores no Pensática (que está já saindo do forno). E, como tudo o que fazemos, queríamos antes compartilhar com todos os autores.

Qual a sua opinião sobre isso? Como soa a possibilidade de abrir para os leitores todas as suas fontes de pesquisa e agregar uma nova fonte de receita com isso?

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