Percebendo a percepção

Sempre tive como verdade absoluta que percepção é tudo – e que percepção é sempre relativa.

Tudo, no final das contas, depende de como o nosso cérebro cruza informações e experiências para gerar opiniões. Não é por outro motivo, aliás, que todos sempre temos opiniões fortes sobre tantas coisas.

Um programa na BBC fez uma espécie de metáfora mais dura com isso, forçando o cérebro a enxergar em cores uma imagem em preto e branco. Veja o vídeo e abstraia esse experimento para as nossas visões de mundo.

Antes, uma explicação técnica: esse fenômeno que você testemunhará no vídeo tem a ver com nossas “células cone”, um dos dois tipos de fotoreceptores em nossa retina e responsáveis pela visão a cores.

Temos três tipos de cones sensíveis a ondas de luz azuis, verdes e vermelhas. Quando somos expostos em excesso a uma única cor, o cone ligado a ela fica superestimulado, “cansado” e deixa de “responder”. Isso te deixa apenas com os outros dois tipos de cone temporariamente, o que, consequentemente, o faz enxergar as cores complementares (como vermelho versus verde ou azul versus amarelo).

Depois de alguns segundos, os cones voltam a funcionar normalmente e pronto.

Abstraindo o experimento, é o mesmo que acontece quando ficamos expostos em demasia a uma única visão de mundo: nos cansamos e passamos a ver “o outro lado”. Lembra de Laranja Mecânica, que “tratou” o protagonista estuprador com uma overdose de cenas de sexo? A mecânica é a mesma.

Para ajudar: ao ver o vídeo abaixo, haverá um momento em que você verá uma bola azul no centro da imagem. Foque-se nela e percebe como verá a imagem “preto e branca”.

 

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Capturando o tempo

No segundo em que um escritor termina uma história, qualquer que seja, ele terá cumprido uma das mais incríveis tarefas da vida: emprisionado o tempo.

Porque veja: séculos podem ter se passado, por exemplo, desde a Revolução Francesa; mas basta começar uma História de Duas Cidades e imediatamente somos guiados pelas mãos imortais de Dickens até as agruras da Paris pré-revolucionária, das guilhotinas, do cheiro de sangue e esgoto que costuma impregnar todos os ideais de liberdade.

E, se quisermos, podemos saltar da Revolução Francesa para a Moçambique pós-guerra civil, guiados pela genialidade de Mia Couto; depois para o Brasil neo-europeu de Machado de Assis; e então até mesmo para tempos que jamais ocorreram, como nas distopias fantásticas de Kazuo Ishiguro ou Haruki Murakami.

Há mais ainda: no instante que quisermos podemos sempre saltar de volta do conforto dos nossos lares para os inseguros séculos passados ou para os impossíveis séculos futuros, seja em nossas próprias cidades ou na Europa, na Antártida, na África, nos áridos sertões de Guimarães Rosa ou Rachel de Queiroz.

Livros nos permitem viver em um estado de liberdade quântica que jamais nenhum outro ser vivo, ao menos em nosso planeta, experimentou.

Arte em geral (e livro em específico) é, no fim, apenas uma belíssima estratégia de emprisionar tempos e espaços. Estratégia viável tanto pelos artistas e escritores, que dedicam-se a congelar momentos em forma de histórias, quanto a espectadores e leitores que, a cada passada de olhar, a cada atenção dedicada, esticam esse tempo até a eternidade.

Só a física quântica pode explicar essa tão fantástica relação entre artista, arte e espectador.

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Este ano (provavelmente) não estaremos na FLIP

No post da quarta passada, comentei sobre a indesculpável não realização do Prêmio Clube de Autores de Literatura Contemporânea.

Agora, já abro uma nova decisão: provavelmente não participaremos da FLIP.

Sim, eu sei: colocar a palavra “provavelmente” à frente de uma “decisão” soa como contrasenso, como uma desculpa para que possamos voltar atrás. E até pode ser – mas, hoje, agora, não enxergamos nenhuma motivação para voltar a Paraty.

Já fomos por anos – muitos anos. Em todos eles abrimos as portas da nossa casa, recebemos autores, nos envolvemos em papos absolutamente intensos e inspiradores.

Mas, nos últimos dois anos – principalmente no último – , o próprio teor da Festa Literária Internacional de Paraty mudou…

As ruas da cidade minguaram com a crise, a violência escalou na região, o clima de pessimismo dos editores e livreiros presentes contagiou todo o centro histórico com lágrimas e tristezas.

Para nós, só há crise no mercado editorial brasileiro porque os editores e livreiros insistem em rasgar suas intenções de inovação e em publicar apenas o que vem pronto, empacotado, de fora do Brasil. (OK, com uma exceção: os autores que já são best sellers brasileiros também ganham passe livre para o mercado).

Mas e o espaço para os novos, os independentes? Nada.

Sem nós, os autores independentes, não há renovação na literatura. Sem nós, os autores independentes, há apenas um velório das letras brasileiras.

A FLIP se transformou nisso: em um evento para que todos babemos nos autores estrangeiros e velemos os novos brasileiros. A FLIP, infelizmente, se transformou no oposto do que o Clube representa.

Tomara que mude – era um evento fantástico.

Mas, até lá, nós estaremos fora. Até lá, vamos pensar em algum outro evento para dar mais espaço aos independentes.

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Participe do 1o Congresso Online e Gratuito de Escrita Criativa

Sim, todos somos escritores. Sim, temos uma óbvia paixão por literatura e, provavelmente, o tanto que lemos certamente tem impacto na maneira que escrevemos.

Mas isso não significa, claro, que saibamos tudo. Ninguém nunca sabe e a troca de conhecimento continua sendo fundamental para a nossa própria sobrevivência como escritores e artistas. É aqui que entra a boa notícia: um congresso online e gratuito sobre escrita criativa que acontecerá no mês que vem, entre 9 e 15 de novembro!

Veja o vídeo abaixo falando sobre o Congresso e, para mais informações, acesse o link http://www.clec.vc/

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Começa hoje a 6a edição do Prêmio Clube de Autores!!!

Em sua sexta edição, o Prêmio Clube de Autores de Literatura Contemporânea apresenta novidades

O Clube de Autores, maior site de publicação e impressão sob demanda da América Latina, premia revelação da literatura independente com projeto editorial completo, por meio do Prêmio Clube de Autores de Literatura Contemporânea. Representante de aproximadamente 10% do número de livros publicados no Brasil, a plataforma apresenta novidades para esta edição.

O autor ganhará para sua obra um projeto editorial completo que engloba revisão, leitura crítica, projeto gráfico, plano de divulgação na imprensa e redes sociais além de noite de lançamento.

Outra novidade é que a partir de agora, o prêmio passa a ser composto por uma única fase, em que o voto popular valerá 50% da avaliação e a outa parcela será eleita pela comissão julgadora. A estimativa é que mais de 700 autores independentes participem.

Para o Diretor-Presidente do Clube de Autores, Ricardo Almeida, iniciativas como esta aquecem o mercado editorial brasileiro: “O prêmio tem se mostrado numa crescente evolução. Nesta edição nossa expectativa é que tenhamos um recorde de obras inscritas e assim, cada vez mais, ano a ano, movimentarmos o mercado editorial brasileiro”.

“Nós alimentamos sonhos, e como forma de retribuição ganhamos muitos talentos. O prêmio aquece a base da nova literatura brasileira”, acrescenta Indio Brasileiro, Sócio-Diretor do Clube de Autores.

As inscrições para o prêmio iniciam no dia 14 de outubro e as votações poderão ser feitas até o dia 11 de novembro. O resultado final será no dia 18 de novembro.

Para saber mais, acesse http://premio.clubedeautores.com.br/

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