Sobre prêmios e concursos

Muito já falamos aqui sobre prêmios e concursos literários. Há quem pense que não valem o tempo que exigem, há quem aposte o futuro inteiro neles.

Pessoalmente, prefiro uma abordagem mais moderada. Há, claro, aqueles concursos mais fajutos, feitos para extorquir dinheiro de escritores sem muito compromisso com a meritocracia em si. Mas há outros, que garantem ao autor algo ainda mais importante que a visibilidade: parâmetro.

Em concursos mais sérios, podemos comemorar vitórias ou entender os motivos da derrota. Perdemos por conta de uma sinopse pouco vendedora? Uma capa pouco atrativa? Um enredo solto demais? Um português pouco fluido?

Cada perda, afinal, nos garantirá aprendizados importantes, fundamentais, para que nos aprimoremos nessa arte que tanto amamos (e que estamos fadados a nos dedicar).

Meu conselho, portanto? Separe jôio de trigo, selecione os concursos e prêmios que julgar realmente sérios e ponha a sua cara na rua. Arrisque-se e atente-se à opinião alheia: é dela, afinal, que carreiras literárias inteiras se fazem!

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O que somos, afinal?

O que somos, afinal, senão as histórias que deixamos para trás como pegadas das nossas próprias existências?

Qual o sentido de sequer vivermos senão para deixarmos marcadas as nossas opiniões, visões e pensamentos para que outras pessoas possam nos entender, nos aprender e introjetar em si, ainda que alguns poucos átomos, nossas ideias e nossos mundos?

Para que existimos senão para compartilhar da melhor forma possível tudo que somos?

E qual a melhor forma de fazer isso senão escrevendo?

Escreva sua história.

Publique seu livro.

E, na falta de alguma outra palavra melhor, simplesmente “seja”.

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Você não viverá direito se não ler

Desculpem-me a acidez no título, mas não há como florear o óbvio.

Vivemos duas vidas na nossa existência: a cronológica e a intelectual.

Nossa vida cronológica é óbvia, linear, de uma indiscutibilidade feita de cimento. Nós nascemos, crescemos, procriamos (às vezes) e morremos. Simples assim, direto assim, da mesma forma que ocorre com macacos, lebres e amoebas.

Não há o que discutir na vida cronológica: façamos o que quisermos, o tempo sempre seguirá impávido, senhor dos senhores, ignorante de todo e qualquer desejo que porventura quiser dobrá-lo.

Se você não lê, é a este tempo que deverá obediência para o resto de seus dias.

Mas e se tiver o hábito de ler?

Bom… aí tudo muda.

Porque, nos livros, você poderá mergulhar em outros mundos e tempos com a facilidade de quem se teletransporta em histórias de ficção científica. Poderá passear pela Inglaterra Vitoriana, se assustar com a Inquisição medieval, saborear as belezas do Rio da década de 50 ou mesmo voar por uma Nova York destruída por alienígenas robôs que nunca existiram de fato.

De fato.

Essa existência intelectual nos permite até redefinir o que é fato e o que é ficção.

Deixamos de ser caretas, presos às imagens que entram pelas nossas íris.

Aprendemos a entender que verdade não é necessariamente algo que vemos, mas sim tudo o que sentirmos ou percebermos, ainda que em nossos íntimos individualíssimos.

Porque há mais para a vida do que apenas a tediosa cronologia que envelhece as nossas células: há as histórias que a humanidade aprendeu a deixar pelo caminho como rastros de sua própria divindade.

Há a imaginação escrita, transcrita, inscrita.

Há as tantas páginas dos tantos livros capazes de nos catapultar para tantos tempos e mundos diferentes.

Capazes de nos fazer, em uma única vida cronológica, viver dezenas ou centenas ou milhares de vidas com a simultaneidade da nossa vontade, do nosso desejo.

Basta abrir um livro.

E depois outro.

E mais outro.

E deixar as vidas entrarem.

Certa vez disseram que só se vive uma vez. Besteira pura, essa.

Vive-se quantas vezes se quiser. O que basta mesmo é querer.

Porque o caminho para isso… bom, o caminho está nas tantas livrarias que hoje recheiam a Internet e as equinas de todas as cidades.

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