Tomara que as boas livrarias físicas voltem logo

Fazia tempo que eu não ia à Cultura do Conjunto Nacional, aqui em São Paulo, um dos pontos de origem das grandes livrarias brasileiras. Fui recentemente e confesso que não tive a melhor das experiências do mundo.

Na minha lembrança, ela costumava ser um templo do saber com os seus devidos guias espalhados pelos diferentes andares. Estava interessado em artes? Havia ali um especialista ímpar que conhecia cada título, autor e tema pronto para ajudá-lo. Literatura portuguesa? Outro especialista brotava do chão para te guiar entre Camões e Saramago. Negócios? Um terceiro, amigo íntimo de Kotler e Porter.

Por muito tempo, a Livraria Cultura foi a minha Meca pelo simples fato de empregar pessoas que eram nitidamente apaixonadas por livros. Algo óbvio para uma livraria? Talvez em outros tempos.

Por favor me entendam: não quer fazer nenhuma crítica isolada à Cultura em si, que mesmo hoje segue como uma das melhores livrarias paulistanas. Mas esses especialistas, esses apaixonados por livros que falavam com propriedade de Platão a Sartre simplesmente evaporaram não apenas dela, mas do mercado inteiro.

Em seus lugares, profissionais clonicamente treinados para encontrar rapidamente títulos disponíveis ou para lamentar a inexistência de outros no estoque. Tudo rápido como mandam as leis do mercado, claro… mas tudo absolutamente descolado de um ambiente que deveria ser pautado pelo Saber.

Os especialistas em livros não sumiram só da Cultura, repito: eles foram, aparentemente, abduzidos em massa do planeta Terra. Exceto por um ou outro sebo escuro escondido em alguma rua de algum centro, todas as grandes livrarias se transformaram em ambientes tão assépticos quanto a sala de espera de uma clínica ortopédica.

“São as leis do mercado”, dizem muitos. Será? Leis de mercado costumam ser infalíveis por unir, em um casamento perfeito, o que o consumidor busca ao que o empreendedor oferece. Só que, se o mercado editorial tradicional está à beira do colapso, certamente é porque as tais leis do mercado foram, no mínimo, mal interpretadas.

Falando como consumidor, quando quero comprar algum livro específico, dificilmente vou a uma livraria física: a Internet me satisfaz com maior velocidade, menor preço e garantia de “encontrabilidade”. Mas e quando eu preciso ser “guiado” em um tema qualquer, quando ainda estou tateando um assunto imerso naquela típica insegurança socrática? Aí só a opinião alheia pode ajudar.

E sim: certamente conseguirei encontrar uma diversidade de opiniões alheias na Internet… mas às vezes há simplesmente caos demais no ambiente digital para que se consiga extrair dele um rumo mais claro, uma curadoria confiável.

É esse tipo de rumo que eu, pelo menos, esperaria encontrar em uma livraria física.

É precisamente ele que não existe mais lá.

Não é de se surpreender que a própria Cultura, assim como muitas outras redes de livrarias, estejam fechando lojas e diminuindo seus espaços: esse “nivelamento por baixo” generalizado que elas encamparam acabou se mostrando diametralmente distante das leis do mercado que pregam, acima de tudo, que se conheça bem tanto o consumidor quanto o próprio produto.

Tomara que alguma livraria acorde para o fato de que vender livro não é o mesmo que vender bananas.

Tomara que as boas livrarias físicas voltem logo.

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Vendas (para quem detesta vender)

Em um mundo multicultural e globalizado, todas as pessoas – independentemente de credo ou vocação – acabam assumindo também o papel de vendedoras de si mesmas. Seja na busca de um emprego no competitivo mercado de trabalho (onde se busca vender um currículo e uma promessa de competência diferenciada) ou no mundo artístico (onde a venda de um quadro, de uma escultura ou de um livro é parte importante na realização do autor), o fato é que o sucesso está intimamente vinculado a uma certa habilidade comercial.

E, a bem da verdade, isso não é exatamente uma novidade: os grandes mestres do renascimento, de Michelangelo a Botticelli, eram considerados exímios vendedores. O mesmo se aplica a escultores, como Rodin; a escritores, de Shakespeare a Nietzsche, e a praticamente todos os gêneros existentes.

Mas e quando não se sabe – ou não se gosta – de vender? É muito provável que a humanidade tenha deixado de conhecer muitos grandes mestres que, apesar de talento, não tenham conseguido convencer mecenas e públicos em geral a dar-lhes boas oportunidades.

Hoje, em plena era da informação, as oportunidades já se apresentam a quem as quiser – mas mantendo uma imutável característica: é preciso saber se posicionar, se divulgar e, finalmente, se vender bem. Quer queira, quer não.

Há uma série de cursos que podem ser feitos e técnicas que podem ser aprendidas – mas uma obra, publicada recentemente no aqui Clube, nos chamou a atenção. O seu nome é “Vendas para quem detesta vender“, de autoria do professor Henrique Nascimento.

Segundo a sinopse:

Dedicado para todos que reconhecem a importância das comissões no fim do
mês, este livro foi escrito para ajudá-lo a compreender a relação entre
vendedor-comprador-lucro. Neste mercado cada vez mais competitivo,
apenas quem dominar a técnica e tiver comportamentos produtivos tem
chance de faturar ainda mais com as vendas. Nesta segunda edição o Prof.
Henrique Nascimento ensina como transformar o atendimento em vendas e
garantir melhores resultados com menos esforço.

Apesar de um foco maior no aspecto tradicional de vendas, a obra pode ser um excelente ponto de partida para quem quiser se aprofundar no tema e aprender teorias e técnicas que certamente farão a diferença.

Quem quiser conhecer melhor a obra pode clicar aqui ou acessar diretamente o link http://clubedeautores.com.br/book/16491–VENDAS

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