Amigos críticos

Seu livro está “pronto”. Pronto – e daí as aspas – no sentido de que você acabou de escrevê-lo.

E agora? É só publicar no Clube?

Aceite nossa sugestão: não.

Um livro precisa de mais do que o enredo para ser considerado “pronto”. E não vou nem falar aqui do que considero básico e essencial: a revisão ortográfica e gramatical do texto, uma capa chamativa, ISBN e ficha gramatical.

Falo aqui da leitura crítica.

Há profissionais que fazem isso, que lêem o original e apontam pontos que devem ser melhor trabalhados. Mas, se não tiver dinheiro para isso, sempre se pode contar com algum amigo crítico.

Não muitos: distribuir o arquivo do seu livro para um universo de amigos e pedir opiniões dificilmente renderá bons frutos (além de matar compradores em potencial da obra).

Escolha um. Um cuja opinião literária você realmente confiar, um que você possa contar com a sinceridade, um que efetivamente se comprometer em ler e derramar opiniões sinceras.

Basta isso: opiniões sinceras de alguém confiável.

O que você fará com elas?

As levará em consideração. Simples assim.

Mudará o que julgar cabível, desconsiderará o que entender como supérfluo e refinará seu texto.

Será, afinal, a primeira opinião crítica que terá. Não faz sentido obtê-la antes da publicação, de maneira privada e a tempo de impor mudanças no texto?

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Escrever, escrever, escrever

Até começar meu novo projeto de livro, havia me esquecido do quão entusiasmante criar histórias pode ser.

Não que isso seja novidade para nenhum leitor aqui do blog – esse espaço, afinal, é praticamente exclusivo de escritores. Mas, ainda assim, é uma conclusão que talve precisemos chegar de tempos em tempos.

Tocar os dias sem ter histórias para criar é, afinal, mecânico demais, cotidiano demais, irracional demais. Como, afinal, viver sem o poder divino de conceber personagens e enredos, construir destinos, extravasar a onipotência que só escritores têm quando escrevem?

Nosso maior inferno? Falo por mim: aquele período de entresafra, aquele vácuo entre uma história escrita e outra ainda a ser imaginada. 

Bom… agora, enfim, estou embalado no processo de escrita. Que ele dure o tamanho do entusiasmo que já está gerando!

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Papel Pólen (amarelo) disponível no Clube!

Essa era uma demanda antiga, muito antiga dos autores – e finalmente conseguimos viabilizá-la aqui no Clube!

Desde o começo da semana passada, começamos a disponibilizar a opção de papel pólen (aquele amarelo) para os livros. Ele se juntará, portanto, a uma opção grande que inclui papéis offset e couché, de diferentes gramaturas, para que os livros fiquem com o formato que o autor preferir!

Há apenas uma questão importante aqui: livros que já estiverem publicados não podem ter seus tipos de papel “trocados” no site. O motivo é relativamente simples: como cada papel tem a sua gramatura específica, trocar a opção de um livro já publicado acabaria forçando todo um novo cálculo de lombada (pois a gramatura das folhas impacta diretamente no tamanho da lombada), de peso, de tabela de fretes etc. Nesses casos, a única opção é publicar um livro novo, começando o processo novamente como se ele não estivesse no ar antes. O autor pode, no entanto, deixar ambas as opções disponíveis no ar para que o leitor escolha (evitando perder assim o histórico de vendas e selos da sua obra).

Enfim, essa é a boa nova da semana :-)

Teremos mais em breve!

 

 

 

 

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O Brasil nasceu há 95 anos

O Brasil só virou Brasil entre 11 e 18 de fevereiro de 1922.

Antes, éramos um país perdido nos distantes trópicos, com uma produção artística que, embora belíssima, era uma escrava estética das artes europeias. A história de Bentinho e Capitu é ímpar – mas ela poderia ter se passado tranquilamente em qualquer cidade europeia e não causaria espanto algum se os personagens se chamassem Wolfgang e Frida. Aleijadinho e sua arte sacra são um indiscutível patrimônio da humanidade – mas os doze profetas em Congonhas poderiam facilmente ter sido feitos para uma catedral em Bragança ou em um convento qualquer perdido no Buçaco. Almeida Júnior talvez seja dos mais brilhantes pintores brasileiros – mas até os seus temas caipiras se confundiriam com cenas passadas no verão isolado de  Smolensk, na Rússia.

Produzíamos arte, indiscutivelmente, como em qualquer lugar do mundo: mas as técnicas, os temas e mesmo os ritmos eram ditados pelo mundo que mandava em nós.

Isso mudou em 22, ano em que o Brasil nasceu.

Foi a partir da Semana de Arte Moderna que descobrimos nossas raízes e que aprendemos a nos orgulhar dela. Foi por causa de 1922 que, poucos anos depois, Mário de Andrade pariu Macunaíma, obra mãe da literatura brasileiríssima. Foi 22 que gerou Tarsila, Bandeira, Di Cavalcanti. Foi a partir daí que nossas telas ganharam o estilo único de Portinari, que nossas esculturas receberam força sutil de Brecheret, que nossa música ganhou os inconfundíveis ritmos de Villa-Lobos.

Foi em 22 que o Brasil passou a ser Brasil de verdade, que deixamos o anonimato cultural para assumir o nosso lugar de direito.

Os resultados dessa ruptura proposta pelo movimento antropofágico? Dos sertões perigosos de Guimarães Rosa à Bahia hipersexualizada de Jorge Amado, passamos a ser temas de nossa própria cultura. Passamos a nos enxergar, a nos ouvir, a nos tocar. Até a nossa música virou nossa de verdade – ou alguém duvida que, sem uma identidade cultural única, samba e bossa nova teriam algum espaço.

Nossos avós culturais abriram espaço para a nossa personalidade artística há quase exatos 95 anos.

Comemoremos o nosso quase centenário, pois, honrando-os com o que de melhor sabemos fazer por aqui: escrevendo histórias.

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Os bons velhos tempos (que graças a Deus já se foram)

Na semana passada participei de um evento que, de alguma maneira não planejada, acabou enveredando para uma discussão sobre o mundo online versus o mundo offline.

Tenho pavor de discussões assim. Sempre tive.

Para mim, sequer considerar que há um mundo online que se contraponha a um mundo offline é uma excrescência. Ainda assim, o evento seguiu com pessoas dizendo que o mundo estava perdido, que o apocalipse poderia ser definido pelo excesso de conexões superficiais e pela carência de relações reais, que um post jamais substituiria um “cafezinho” e coisas do gênero. Argh.

Quem me conhece sabe que comentários assim chegam a me dar ânsia de vômito: são como tentar, a todo custo, se segurar a um passado que, como a própria palavra sugere, já passou.

O tempo caminha para a frente e, se quisermos nos manter vivos, ativos e relevantes, temos apenas uma alternativa: caminhar junto com ele.

Como? Deixando preguiça e preconceito de lado, aprendendo o que não sabemos e aproveitando todo esse universo de possibilidades que, pela primeira vez na história da humanidade, está aí, à disposição de todos. Afinal, se o mundo mudou tanto, foi porque nós, os humanos, impusemos essas mudanças; e se o mundo não está voltando a ser o que era, é também porque nós, enquanto comunidade global, preferimos continuar evoluindo.

Nesse mesmo evento acabei conversando com um autor daqui do Clube. Do alto dos seus 67 anos ele me contou que, ano passado, depois de incontáveis negativas de editoras tradicionais, decidiu publicar seu livro conosco. Como não sabia exatamente como já que intimidade tecnológica não era seu forte, pediu ajuda ao filho.

Depois de duas semanas, colocou o livro no ar. Aprendeu a usar o Facebook. Navegou pela infinidade de conteúdo sobre como se divulgar e testou o que pôde. Fez algumas ações de sucesso e outras de fracasso, mas seguiu tentando. Organizou um lançamento em uma livraria, fez promoções especiais, cativou um público fiel nas Internet. Um ano se passou e, hoje, ele está chegando perto dos mil exemplares vendidos – um número impressionante para um país como o nosso. Aliás, um número impressionante para qualquer país.

O que ele disse sobre toda essa discussão que se desenrolava no evento? Que não entendia a lógica, o motivo de ser dela. Afinal, imbuído do único desejo de contar a sua história, ele foi ao online descobrir uma solução que jamais existiria no mundo analógico, aprendeu a cativar uma audiência própria, feita de pessoas reais, conseguiu vender e, no processo, fez amigos que dificilmente cruzariam o seu caminho se ele se mantivesse apenas acomodado em um sofá velho reclamando da modernidade.

Sua conclusão? Só há uma maneira de viver hoje e ela não é nem online e nem offline: é onlife.

Nas palavras dele: “prenda-se ao passado e o máximo que você conseguirá publicar será a sua própria lápide”.

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