Não ignore o mar de referências à sua volta

Comentei, no post da segunda passada, sobre a viabilidade de se viver como escritor hoje em dia. Reforço isso aqui: embora não seja uma carreira fácil, ela já não é mais tão impossível quanto no passado.

Mas – e reforço isso aqui também – ela demanda um tipo de entrega total à arte que nem todos os escritores costumam estar dispostos.

É impossível escrever bem se você não lê bem. Aliás, isso não deveria sequer ser uma questão: é um privilégio inenarrável termos, hoje, a possibilidade de ler tanto por tão pouco. Temos ao alcance de todos gênios como Guimarães Rosa, Mia Couto, Tolstoi. Mestres que praticamente refundaram idiomas inteiros e criaram modelos de expressão literária absolutamente revolucionários.

Como sequer querer multiplicar leitores sem antes entender como esses grandes mestres dos nossos e de outros tempos o fizeram? Refazendo a pergunta: para quê desperdiçar essa base tão gigantesca de conhecimento que está ali, ao nosso alcance?

E isso porque estamos falando aqui apenas dos mestres já consagrados.

Há outros: há os escritores independentes que apenas agora começam a criar os seus públicos. E por que eles são fundamentais? Porque a literatura do futuro está sendo desenhada justamente por eles.

Há como ser um escritor incrível sem ser um leitor ávido? É possível, claro – mas não provável. E decididamente não é um caminho que me pareça muito inteligente.

Quer um lugar ao sol junto aos mestres da literatura? Comece pelo caminho mais fácil e óbvio: aprenda com eles.

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Amigos críticos

Seu livro está “pronto”. Pronto – e daí as aspas – no sentido de que você acabou de escrevê-lo.

E agora? É só publicar no Clube?

Aceite nossa sugestão: não.

Um livro precisa de mais do que o enredo para ser considerado “pronto”. E não vou nem falar aqui do que considero básico e essencial: a revisão ortográfica e gramatical do texto, uma capa chamativa, ISBN e ficha gramatical.

Falo aqui da leitura crítica.

Há profissionais que fazem isso, que lêem o original e apontam pontos que devem ser melhor trabalhados. Mas, se não tiver dinheiro para isso, sempre se pode contar com algum amigo crítico.

Não muitos: distribuir o arquivo do seu livro para um universo de amigos e pedir opiniões dificilmente renderá bons frutos (além de matar compradores em potencial da obra).

Escolha um. Um cuja opinião literária você realmente confiar, um que você possa contar com a sinceridade, um que efetivamente se comprometer em ler e derramar opiniões sinceras.

Basta isso: opiniões sinceras de alguém confiável.

O que você fará com elas?

As levará em consideração. Simples assim.

Mudará o que julgar cabível, desconsiderará o que entender como supérfluo e refinará seu texto.

Será, afinal, a primeira opinião crítica que terá. Não faz sentido obtê-la antes da publicação, de maneira privada e a tempo de impor mudanças no texto?

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Escrever, escrever, escrever

Até começar meu novo projeto de livro, havia me esquecido do quão entusiasmante criar histórias pode ser.

Não que isso seja novidade para nenhum leitor aqui do blog – esse espaço, afinal, é praticamente exclusivo de escritores. Mas, ainda assim, é uma conclusão que talve precisemos chegar de tempos em tempos.

Tocar os dias sem ter histórias para criar é, afinal, mecânico demais, cotidiano demais, irracional demais. Como, afinal, viver sem o poder divino de conceber personagens e enredos, construir destinos, extravasar a onipotência que só escritores têm quando escrevem?

Nosso maior inferno? Falo por mim: aquele período de entresafra, aquele vácuo entre uma história escrita e outra ainda a ser imaginada. 

Bom… agora, enfim, estou embalado no processo de escrita. Que ele dure o tamanho do entusiasmo que já está gerando!

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Papel Pólen (amarelo) disponível no Clube!

Essa era uma demanda antiga, muito antiga dos autores – e finalmente conseguimos viabilizá-la aqui no Clube!

Desde o começo da semana passada, começamos a disponibilizar a opção de papel pólen (aquele amarelo) para os livros. Ele se juntará, portanto, a uma opção grande que inclui papéis offset e couché, de diferentes gramaturas, para que os livros fiquem com o formato que o autor preferir!

Há apenas uma questão importante aqui: livros que já estiverem publicados não podem ter seus tipos de papel “trocados” no site. O motivo é relativamente simples: como cada papel tem a sua gramatura específica, trocar a opção de um livro já publicado acabaria forçando todo um novo cálculo de lombada (pois a gramatura das folhas impacta diretamente no tamanho da lombada), de peso, de tabela de fretes etc. Nesses casos, a única opção é publicar um livro novo, começando o processo novamente como se ele não estivesse no ar antes. O autor pode, no entanto, deixar ambas as opções disponíveis no ar para que o leitor escolha (evitando perder assim o histórico de vendas e selos da sua obra).

Enfim, essa é a boa nova da semana :-)

Teremos mais em breve!

 

 

 

 

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O Brasil nasceu há 95 anos

O Brasil só virou Brasil entre 11 e 18 de fevereiro de 1922.

Antes, éramos um país perdido nos distantes trópicos, com uma produção artística que, embora belíssima, era uma escrava estética das artes europeias. A história de Bentinho e Capitu é ímpar – mas ela poderia ter se passado tranquilamente em qualquer cidade europeia e não causaria espanto algum se os personagens se chamassem Wolfgang e Frida. Aleijadinho e sua arte sacra são um indiscutível patrimônio da humanidade – mas os doze profetas em Congonhas poderiam facilmente ter sido feitos para uma catedral em Bragança ou em um convento qualquer perdido no Buçaco. Almeida Júnior talvez seja dos mais brilhantes pintores brasileiros – mas até os seus temas caipiras se confundiriam com cenas passadas no verão isolado de  Smolensk, na Rússia.

Produzíamos arte, indiscutivelmente, como em qualquer lugar do mundo: mas as técnicas, os temas e mesmo os ritmos eram ditados pelo mundo que mandava em nós.

Isso mudou em 22, ano em que o Brasil nasceu.

Foi a partir da Semana de Arte Moderna que descobrimos nossas raízes e que aprendemos a nos orgulhar dela. Foi por causa de 1922 que, poucos anos depois, Mário de Andrade pariu Macunaíma, obra mãe da literatura brasileiríssima. Foi 22 que gerou Tarsila, Bandeira, Di Cavalcanti. Foi a partir daí que nossas telas ganharam o estilo único de Portinari, que nossas esculturas receberam força sutil de Brecheret, que nossa música ganhou os inconfundíveis ritmos de Villa-Lobos.

Foi em 22 que o Brasil passou a ser Brasil de verdade, que deixamos o anonimato cultural para assumir o nosso lugar de direito.

Os resultados dessa ruptura proposta pelo movimento antropofágico? Dos sertões perigosos de Guimarães Rosa à Bahia hipersexualizada de Jorge Amado, passamos a ser temas de nossa própria cultura. Passamos a nos enxergar, a nos ouvir, a nos tocar. Até a nossa música virou nossa de verdade – ou alguém duvida que, sem uma identidade cultural única, samba e bossa nova teriam algum espaço.

Nossos avós culturais abriram espaço para a nossa personalidade artística há quase exatos 95 anos.

Comemoremos o nosso quase centenário, pois, honrando-os com o que de melhor sabemos fazer por aqui: escrevendo histórias.

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