Inpire-se na outra Bienal

Quando vim para São Paulo, há mais de 20 anos, fiquei encantado com a cidade. Sim: a falta do mar baiano me deixava com banzo frequente, confesso. Mas a pluralidade da maior cidade da América do Sul foi, para mim, absolutamente sedutor.

Em um espaço relativamente pequeno, manifestações de artes e opiniões eram tão frequentes quanto o choque entre o antigo e o moderno, o velho e o novo, a evolução e a decadência. Essas diferenças tão comuns a grandes centros geram aquela sensação perfeita de caos que inspira qualquer um que se deixe levar por elas. Já no meu primeiro ano por aqui tive a oportunidade de descobrir a Bienal de Artes, então um evento inacreditavelmente rico e composto por obras de grandes mestres do passado a talentos que estavam surgindo no cenário global. Amei. Pirei.

E por que desse relato todo? Porque o último dia 7 de setembro marcou o início de mais uma Bienal de Artes.

A Bienal como um todo perdeu muito de anos para cá, é verdade – mas ainda mantém aquele clima de inspiração convertida em instalações exóticas que fazem a criatividade de qualquer um suspirar.

Há alguns dias fiz um post meio com cara de crítica à Bienal de Livros que, já faz tempo, vem se transformando mais em um feirão de descontos do que em uma exposição de novos talentos e inovações. A Bienal de Artes trafega no sentido oposto – ainda bem.

Do que nós, escritores, sempre precisamos? De inspiração – seja para conceber novas histórias ou para capitanear a abertura de mercados para as já publicadas. E inspiração, sem dúvidas, se pode encontrar lá na Meca das artes que se instalou até o dia 11 de dezembro no Parque do Ibirapuera.

O título da mostra, aliás, não poderia ser mais condizente com os nossos tempos: Incerteza Viva.

Vá.

Se inspire.

Respire.

E exale a inspiração que com certeza captará por lá.

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O sucesso da Bienal estaria no seu fim?

A Bienal de São Paulo está ganhando um tipo de destaque que não tinha faz tempo.

Seria isso uma luz no fim do túnel, um sinal de que o mercado editorial brasileiro está se reerguendo depois de anos em crise, sendo puxado por uma população que subitamente descobriu o prazer da leitura?

Sou cético. Luz no fim do túnel, ao menos neste caso, é um conceito simplesmente inaplicável. O motivo? A “luz”, se assim podemos chamá-la, já foi acesa faz anos com o conceito de autopublicação. Desde o começo nos anos 2000, quando empresas americanas decidiram apostar na impressão sob demanda como maneira de viabilizar o espaço para novos autores, tudo mudou radicalmente.

No Brasil, nós tivemos a honra de inaugurar este mercado e, hoje, recebemos cerca de 25 novos livros por dia – algo na casa dos 20% de todos – todos – os livros publicados anualmente em nosso país.

Talvez precise me contextualizar um pouco no raciocínio para não acabar perdendo-o. Acredito que sejam dois os elementos fundamentais para se “resgatar” o mercado editorial. O primeiro, claro, é a oferta de novos títulos, de opções que saiam da mesmice literária na qual estávamos imersos há tanto tempo. E esta, correndo o risco de me tornar repetitivo, já foi solucionada. Seja por via dos ebooks (ainda que com uma participação pequena, de cerca de 5% do mercado de livros no Brasil) distribuídos pela Apple, Google ou Amazon ou pelos impressos viabilizados aqui pelo Clube, o fato é que cada vez mais autores estão chegando em seus públicos.

Fantástico.

Mas esse primeiro elemento, essa mudança na oferta, veio quase que de surpresa, abaixo do radar, e independeu de qualquer grande bienal que sempre se promoveu como um compilado de grandes vitrines de grandes editoras e livrarias que, ironicamente, nunca precisaram de grandes vitrines. Em outras palavras: o próprio mercado solucionou a questão da oferta de novos títulos sem que bienais tivessem sequer uma mínima participação.

O outro lado da equação é o mais óbvio: a demanda.

Sempre se disse que o brasileiro lê pouco, embora esteja lendo cada vez mais. Seremos, um dia, um país de leitores tão ávidos quanto os suecos? Duvido. Mas que estamos melhorando ano a ano, estamos.

Precisamos mesmo de uma Bienal para isso?

Infelizmente, sim. Infelizmente, só o que faz o livro ter destaque na mídia é um evento de grande porte, um evento capaz de mover centenas de milhares de pessoas e, por consequência, de se transformar em uma pauta interessante para os grandes veículos de comunicação.

Com cobertura da imprensa, histórias começam a ganhar visibilidade, livrarias começam a ganhar mais visitantes e as vendas, quase que de maneira natural, passam a crescer em volume.

Em um país que ainda lê pouco, ter o livro como destaque na imprensa é fundamental para que leitores adormecidos sejam instigados a escolher alguma história nova em alguma prateleira qualquer. Em um país ainda que lê pouco, bienais acabam são fundamentais para lembrar ao público de que livros existem.

Nesse raciocínio, o grande mérito da Bienal de São Paulo é simplesmente o de existir, deixando o livro como assunto central.

Mas faço aqui um pequeno à parte: os mesmos livros que podem ser encontrados nos pavilhões superlotados e exaustivos de uma feira gigante podem também ser encontrados em pequenas livrarias de bairro ou na hiper cômoda Internet. O que isso significa?

Que, ironicamente, o maior sucesso da Bienal de São Paulo será atingido quando ela não for mais necessária para instigar a leitura, quando o público entender que não é necessário aguardar dois anos para pensar em ler uma vez que há tantas opções espalhadas por todas as cidades do Brasil.

Se você não foi à Bienal de São Paulo, recomendo um programa à parte: vá a uma livraria gostosa perto de você (ou na Internet) e escolha um livro que agrade.

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Transforme isso em hábito, caso ainda não seja.

Basta isso para que a Bienal seja um sucesso retumbante. Até que ela deixe de existir.

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Sem programa para o final de semana? Vá para a 30a Bienal de Artes de São Paulo!

Sim: as Bienais de Arte de São Paulo já foram maiores no passado do que hoje. Afinal, desde a sua primeira edição, na década de 50, até pouco tempo atrás, alguns dos mais renomados artistas de toda história já passaram pelo prédio da Fundação Bienal, no Parque Ibirapuera (em SP).

Mas uma mudança de rumos – o foco maior em artistas contemporâneos do que nos grandes mestres do passado – certamente deu um ar diferente, mais “fresco” e mesmo mais impactante para quem quiser “beber” inspiração diretamente da frente de batalha cultural.

É por conta disso que indicamos – ferozmente – que todos os autores que puderem agendem uma visita ao evento. Veja como a curadoria definiu essa Bienal:

(…) a 30a Bienal de São Paulo – A iminência das poéticas não possui um tema, mas um motivo. Esse motivo é o ponto de partida do qual se deduz uma série de perguntas sobre o tempo presente – entre elas, como a arte contemporânea funciona em situação de iminência, em um mundo imprevisível, marcado por acontecimentos que estão por vir e que nossos sistemas de pensamento não são capazes de assimilar plenamente.

Nesse âmbito, ligam-se duas ideias: a de iminência – entendida como aquilo que está a ponto de acontecer, como o que está suspenso, em vias de efetivação – e a de poética – entendida como discurso, como aquilo que se expressa, que se cala, que se transforma e que ganha potência comunicativa por meio da linguagem das artes. De acordo com o curador Luis Pérez-Oramas, a iminência também se manifesta pelo fato de que as obras de arte acontecem adquirindo, cada vez, uma forma diferente. A poética, por sua vez – em um sentido muito antigo resgatado pela curadoria –, é o arsenal simbólico que permite o estabelecimento de estratégias discursivas, cada vez mais presentes na arte contemporânea.
Nas palavras do curador, “a 30a Bienal aspira contribuir com o estado da discussão sobre o rol das práticas artísticas hoje, e não pretende, portanto, afirmar-se com respostas definitivas, ortodoxas, messiânicas”. A curadoria da exposição deseja colaborar para a construção do presente, a partir das articulações que propõe entre as obras, da consistência de sua expografia, da claridade de sua identidade visual e do diálogo a travar com o público.

Já quer sair correndo para a Bienal? Então veja as informações abaixo:

TRIGÉSIMA
BIENAL DE SÃO PAULO
A IMINÊNCIA DAS POÉTICAS

7 DE SETEMBRO – 9 DE DEZEMBRO 2012

PARQUE DO IBIRAPUERA, PAVILHÃO DA BIENAL – SÃO PAULO

ENTRADA GRATUITA

HORÁRIO DE VISITAÇÃO:
TER, QUI, SÁB, DOM E FERIADOS
DAS 9 ÀS 19H – ENTRADA ATÉ 18H
QUA E SEX DAS 9 ÀS 22H – ENTRADA ATÉ 21H
FECHADO ÀS SEGUNDAS

SITE: http://www.bienal.org.br/30bienal

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Se você mora em São Paulo, confira a programação cultural das bibliotecas

Bibliotecas sempre foram locais sagrados para a literatura, certo? Só que, desde que a Internet apareceu e transformou os hábitos de leitura, muitas acbaram tendo o seu próprio papel questionado pela sociedade.

Em alguns países, no entanto, bibliotecas foram reposicionadas não como “guardadoras de livros”, mas sim como portas de acesso para a cultura escrita em uma forma mais ampla. Na cidade de São Paulo, por exemplo, a prefeitura tem investido em programas culturais variados e muito ricos envolvendo saraus, bate-papos literários, palestras etc. – tudo sempre focado em cidadãos apaixonados pela literatura.

Se você mora ou está visitando a capital paulista, portanto, não deixe de visitar o site do Sistema Municipal de Bibliotecas e fazer a sua programação. O acesso pode ser feito clicando aqui, na imagem abaixo ou no link http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/bibliotecas/

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Que tal aproveitar o final de semana na Bienal de Artes de SP?

Neste sábado, 25 de setembro, o Parque do Ibirapuera recebe a 29a Bienal de Artes de São Paulo. Fonte de inspiração para artistas os mais diversos – incluindo, claro, os escritores – o evento tem como tema a impossibilidade de se separar arte de política.

Segundo a curadoria:

A 29ª Bienal de São Paulo está ancorada na idéia de que é impossível
separar arte e política. Impossibilidade que se expressa no fato de a
arte, por meios que lhes são próprios, ser capaz de interromper as
coordenadas sensoriais com que entendemos e habitamos o mundo, inserindo
nele temas e atitudes que ali não cabiam ainda, tornando-o assim maior e
diferente.
 
A eleição desse princípio organizador do projeto
curatorial se justifica por viver-se em mundo de conflitos diversos em
que a arte se afirma como meio privilegiado de apreensão e de simultânea
reinvenção da realidade. Essa escolha torna-se necessária, além disso,
para afirmar a singularidade da arte em relação a outras formas de
entender e de intervir no presente, levadas quase ao ponto da
indistinção em décadas recentes.
 
É nesse sentido que o título dado à exposição, Há sempre um copo de mar para um homem navegar – verso do poeta Jorge de Lim?a tomado emprestado de sua obra maior, Invenção de Orfeu –,
sintetiza o que se busca com a 29a Bienal de São Paulo: afirmar que a
dimensão utópica da arte está contida nela mesma, e não no que está fora
ou além dela. É nesse “copo de mar”, nesse infinito próximo que os
artistas teimam em produzir, que de fato está a potência de seguir
adiante, a despeito de tudo o mais; a potência de seguir adiante, como
diz o poeta, “mesmo sem naus e sem rumos / mesmo sem vagas e areias”. (clique aqui para ler o texto completo)

A bienal vai até o dia 12 de dezembro e, com 150 artistas de todo o mundo, promete resgatar a sua força e impacto inspiracional – deixado de lado na criticadíssima edição anterior. Se você estiver por São Paulo, aproveite para inspirar-se com a arte ja a partir deste final de semana; se não estiver, organize-se, arrume as malas e venha!

A programação completa da Bienal pode ser vista no seu site oficial, clicando aqui ou acessando diretamente o link http://www.29bienal.org.br

Segue, abaixo, um vídeo em que André Stolarski conta um pouco sobre a criação da marca do evento e o seu conceito.

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