Como se fez o caos de São Paulo

Nenhuma cidade nasce gigante e desorganizada – claro. Urbes como São Paulo são fruto de uma destruição de um ecossistema caoticamente organizado mas inadequado para pretenções civilizatórias.

Aos poucos, a cidade foi encontrando novas ordens para acomodar as suas necessidades e, com um planejamento certamente menor que o plausível, foi se erguendo, tijolo sobre tijolo, até virar um monstro disforme de concreto.

Da ordem veio o caos, contra o caos se impôs uma nova ordem, danova ordem surgiram novos incontáveis caos. Ciclo infinito e muito bem exemplificado neste documentário abaixo que encontrei flutuando pelo Youtube.

Vale assistir para entender como algo se transforma nessa ordenada confusão que é a maior cidade do país. Vale assistir para entender como cenários e histórias se desenrolam assim, a partir da união de tantas efemeridades caóticas, gerando – incrivelmente – berços culturais como poucos que existem no mundo.

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Inpire-se na outra Bienal

Quando vim para São Paulo, há mais de 20 anos, fiquei encantado com a cidade. Sim: a falta do mar baiano me deixava com banzo frequente, confesso. Mas a pluralidade da maior cidade da América do Sul foi, para mim, absolutamente sedutor.

Em um espaço relativamente pequeno, manifestações de artes e opiniões eram tão frequentes quanto o choque entre o antigo e o moderno, o velho e o novo, a evolução e a decadência. Essas diferenças tão comuns a grandes centros geram aquela sensação perfeita de caos que inspira qualquer um que se deixe levar por elas. Já no meu primeiro ano por aqui tive a oportunidade de descobrir a Bienal de Artes, então um evento inacreditavelmente rico e composto por obras de grandes mestres do passado a talentos que estavam surgindo no cenário global. Amei. Pirei.

E por que desse relato todo? Porque o último dia 7 de setembro marcou o início de mais uma Bienal de Artes.

A Bienal como um todo perdeu muito de anos para cá, é verdade – mas ainda mantém aquele clima de inspiração convertida em instalações exóticas que fazem a criatividade de qualquer um suspirar.

Há alguns dias fiz um post meio com cara de crítica à Bienal de Livros que, já faz tempo, vem se transformando mais em um feirão de descontos do que em uma exposição de novos talentos e inovações. A Bienal de Artes trafega no sentido oposto – ainda bem.

Do que nós, escritores, sempre precisamos? De inspiração – seja para conceber novas histórias ou para capitanear a abertura de mercados para as já publicadas. E inspiração, sem dúvidas, se pode encontrar lá na Meca das artes que se instalou até o dia 11 de dezembro no Parque do Ibirapuera.

O título da mostra, aliás, não poderia ser mais condizente com os nossos tempos: Incerteza Viva.

Vá.

Se inspire.

Respire.

E exale a inspiração que com certeza captará por lá.

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O sucesso da Bienal estaria no seu fim?

A Bienal de São Paulo está ganhando um tipo de destaque que não tinha faz tempo.

Seria isso uma luz no fim do túnel, um sinal de que o mercado editorial brasileiro está se reerguendo depois de anos em crise, sendo puxado por uma população que subitamente descobriu o prazer da leitura?

Sou cético. Luz no fim do túnel, ao menos neste caso, é um conceito simplesmente inaplicável. O motivo? A “luz”, se assim podemos chamá-la, já foi acesa faz anos com o conceito de autopublicação. Desde o começo nos anos 2000, quando empresas americanas decidiram apostar na impressão sob demanda como maneira de viabilizar o espaço para novos autores, tudo mudou radicalmente.

No Brasil, nós tivemos a honra de inaugurar este mercado e, hoje, recebemos cerca de 25 novos livros por dia – algo na casa dos 20% de todos – todos – os livros publicados anualmente em nosso país.

Talvez precise me contextualizar um pouco no raciocínio para não acabar perdendo-o. Acredito que sejam dois os elementos fundamentais para se “resgatar” o mercado editorial. O primeiro, claro, é a oferta de novos títulos, de opções que saiam da mesmice literária na qual estávamos imersos há tanto tempo. E esta, correndo o risco de me tornar repetitivo, já foi solucionada. Seja por via dos ebooks (ainda que com uma participação pequena, de cerca de 5% do mercado de livros no Brasil) distribuídos pela Apple, Google ou Amazon ou pelos impressos viabilizados aqui pelo Clube, o fato é que cada vez mais autores estão chegando em seus públicos.

Fantástico.

Mas esse primeiro elemento, essa mudança na oferta, veio quase que de surpresa, abaixo do radar, e independeu de qualquer grande bienal que sempre se promoveu como um compilado de grandes vitrines de grandes editoras e livrarias que, ironicamente, nunca precisaram de grandes vitrines. Em outras palavras: o próprio mercado solucionou a questão da oferta de novos títulos sem que bienais tivessem sequer uma mínima participação.

O outro lado da equação é o mais óbvio: a demanda.

Sempre se disse que o brasileiro lê pouco, embora esteja lendo cada vez mais. Seremos, um dia, um país de leitores tão ávidos quanto os suecos? Duvido. Mas que estamos melhorando ano a ano, estamos.

Precisamos mesmo de uma Bienal para isso?

Infelizmente, sim. Infelizmente, só o que faz o livro ter destaque na mídia é um evento de grande porte, um evento capaz de mover centenas de milhares de pessoas e, por consequência, de se transformar em uma pauta interessante para os grandes veículos de comunicação.

Com cobertura da imprensa, histórias começam a ganhar visibilidade, livrarias começam a ganhar mais visitantes e as vendas, quase que de maneira natural, passam a crescer em volume.

Em um país que ainda lê pouco, ter o livro como destaque na imprensa é fundamental para que leitores adormecidos sejam instigados a escolher alguma história nova em alguma prateleira qualquer. Em um país ainda que lê pouco, bienais acabam são fundamentais para lembrar ao público de que livros existem.

Nesse raciocínio, o grande mérito da Bienal de São Paulo é simplesmente o de existir, deixando o livro como assunto central.

Mas faço aqui um pequeno à parte: os mesmos livros que podem ser encontrados nos pavilhões superlotados e exaustivos de uma feira gigante podem também ser encontrados em pequenas livrarias de bairro ou na hiper cômoda Internet. O que isso significa?

Que, ironicamente, o maior sucesso da Bienal de São Paulo será atingido quando ela não for mais necessária para instigar a leitura, quando o público entender que não é necessário aguardar dois anos para pensar em ler uma vez que há tantas opções espalhadas por todas as cidades do Brasil.

Se você não foi à Bienal de São Paulo, recomendo um programa à parte: vá a uma livraria gostosa perto de você (ou na Internet) e escolha um livro que agrade.

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Transforme isso em hábito, caso ainda não seja.

Basta isso para que a Bienal seja um sucesso retumbante. Até que ela deixe de existir.

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Parceria entre Clube e Festival Path garante desconto a autores

Já fiz um post aqui sobre o Festival Path – um evento FENOMENAL de cultura que deve dominar as ruas do entorno do Largo da Batata, aqui em São Paulo.

Pois bem: conseguimos também uma parceria com eles para dar desconto a autores do Clube :-)

Antes, um pouco sobre o evento:

O Festival Path, produzido pelo O Panda Criativo, é o maior festival de inovação e criatividade do Brasil, e o único de seu gênero no país. Durante um fim de semana em 2016 o festival vai oferecer mais de 300 horas de conteúdo (palestras, filmes, shows e mais) para aproximadamente 10 mil pessoas.

Como obter o desconto

Para resgatar o desconto de 15% da parceria entre Clube de Autores e Path basta:

  1. Acessar o site: www.ingresse.com.br/festivalpath
  2. Clicar em: Comprar ingressos
  3. Digitar no campo do Cupom a palavra: especial
  4. Clicar em: Aplicar Cupom
  5. Scroll para escolher o ingresso com desconto
  6. Clicar em: Comprar

Para conferira agenda completa e saber mais sobre o festival, acesse o site http://www.festivalpath.com.br

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10 livrarias incríveis para conhecer em São Paulo

Dia desses me deparei com uma lista de livrarias incríveis em São Paulo. Bom… quem segue este blog já sabe que sou meio fissurado tanto em listas quanto em livrarias.

E, como vivo em São Paulo já faz mais de 20 anos, sempre acreditei conhecer pelo menos quase todas. Ainda bem que estava errado :-)

O bom de cidades grandes é justamente a infinidade de possibilidades de descobertas – e essa lista da Vejinha acabou dando também dicas preciosas para o próximo final de semana. Se você vive ou está de passagem por Sampa, portanto, aconselho acessar a lista e montar um programa cultural pelos templos de literatura da metrópole. Uma coisa posso garantir: vale MUITO a pena – principalmente pelas pérolas fora do circuito tradicional como a Zaccara, a Fonomag ou – melhor – a Tatuí, dedicada a literatura independente!

Para acessar a lista completa clique aqui, na imagem abaixo ou vá direto ao link http://vejasp.abril.com.br/materia/livrarias-sao-paulo?utm_source=redesabril_vejasp&utm_medium=facebook&utm_campaign=vejaspScreen Shot 2015-11-02 at 11.51.05 AM

 

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