A raiva de um mercado moribundo contra o poeta independente vencedor do Jabuti

Duas reações me dominaram quando li a notícia de que um autor independente, Mailson Furtado Viana, havia levado o cobiçadíssimo Prêmio Jabuti

A primeira foi a mais óbvia: felicidade. 

Nós, que batalhamos aqui no front da literatura independente há 9 anos, acompanhamos de perto as dificuldades e barreiras que cada autor tem para se fazer lido. E mais: acompanhamos também, de pertíssimo, a sofisticada qualidade de muitas das obras que fazem do Clube o seu lar, espalhando histórias e versos incríveis pelos quatro cantos do nosso país e empurrando a nossa cultura para selvas totalmente desconhecidas do antigo e tradicional mercado editorial brasileiro. 

Um poeta independente, portanto, vencer o Jabuti, significa que há cada vez mais luz no fim desse túnel tão longo feito de atraso e de medo de inovar. 

Foi justamente desse atraso, aliás, que veio a minha segunda reação: incredulidade.

Imediatamente após a divulgação do prêmio, diversos “representantes” do mercado editorial tradicional foram aos seus Facebooks destilar rios de indignação com o fato de que um independente havia levado o prêmio. Seus carcomidos argumentos? 

“O Jabuti é um prêmio do mercado, então deveria premiar quem está dentro do mercado!” Como se o tal “mercado” fosse uma espécie de castelo medieval cercado por um fosso com o objetivo de impedir a inovação de entrar. 

Outro argumento: “Um autor independente vende quantos exemplares? 20? 200? 1000? Como pode alguém assim sequer ter reconhecimento?” Como se o reconhecimento estivesse preso unicamente à tiragem e não à crítica literária; fosse assim, nem seria necessário ter um prêmio, pois bastaria dar um troféu aos mais vendidos da Veja. 

Mais um: “Em um mercado em crise como o editorial, privilegiar as editoras que tanto carecem de novos sucessos deveria ser uma premissa!” Quanto a esse argumento, me faltam até meios para limpar o mofo que cobre suas assustadoras palavras. 

Pois bem: o mercado editorial brasileiro não entrou em crise porque o brasileiro decidiu se revoltar contra a literatura. Ao contrário: a última pesquisa de hábitos de leitura, feita em 2016 pelo Instituto Pro-Livro, apontou que o brasileiro médio aumentou a quantidade de livros lidos inteiros em cerca de 20%. 

Se o brasileiro está lendo mais e o mercado tradicional está vendendo menos, então o problema – por óbvio – está com o mercado tradicional. Por que? 

Porque ele não investe em novos talentos e se mantém refém dos mesmos autores best-sellers de sempre.

Porque ele não enxerga que o brasileiro mudou, que seus hábitos de leitura mudaram e que ele quer, acima de tudo, mergulhar em um tipo de literatura mais dinâmica e menos massificada que a antiga.

Porque ele não enxerga que o nosso mundo de hoje é feito não de uma massa de leitores, mas sim de uma incalculável variedade de pequenos nichos, cada um deles com seus próprios públicos carregando suas próprias demandas. 

Porque, em suma, ele se revolta ao ver o novo sendo premiado e reconhecido enquanto torce com o fanatismo de um cruzado medieval para que o calendário retroceda e o mundo volte ao tempo em que poucas editoras poderosas dominavam a leitura.

É inacreditável que, a esta altura, os livreiros, editores e distribuidores não tenham percebido que nada melhorará para eles se insistirem em fazer tudo da mesma forma. 

Para a nossa sorte, no entanto, alguns deles – como os jurados do Jabuti – perceberam que não precisam ficar reféns do tradicional justamente em tempos de tão grandes mudanças. 

O tempo dos independentes chegou. 

Parabéns, Jabuti. 

Parabéns, Mailson Furtado Viana.

 

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Inscreva-se no Jabuti

Já falei bastante aqui no blog sobre prêmios e concursos literários – e sobre a importância de se selecionar os mais sérios para se participar. Pois bem: reforço aqui a mesma dica que postei há menos de um mês: participe do Prêmio Jabuti.

Não, ele não é dos mais baratos. A inscrição de um romance beira os R$ 400,00. Mas há a contrapartida: é, de longe, o prêmio de maior prestígio do mundo editorial brasileiro.

E é, portanto, uma oportunidade do seu livro dividir o mesmo justo parâmetro com outros livros dos mais renomados autores brasileiros.

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Autor do Clube, George dos Santos Pacheco é eleito para a Academia Friburguense de Letras

O escritor friburguense George dos Santos Pacheco, autor de Uma Aventura Perigosa (2015) foi eleito para uma cadeira na Academia Friburguense de Letras. O anúncio foi feito pelo presidente da AFL durante a solenidade de premiação do Concurso Nacional de Literatura Heitor Villa-Lobos, que aconteceu no Auditório da Câmara Municipal de Nova Friburgo no dia 11/12. O evento celebrou também a entrega do título de Benemérito da Casa de Salusse a Luiz Fernando Bachini, presidente do Nova Friburgo Futebol Clube (NFFC) e contou com a apresentação do Coral da Academia Friburguense de Letras.

Pacheco é autor do Clube de Autores, e tem textos publicados em diversos sites, tendo sido premiado em 1º lugar, na categoria crônica, e em 2º lugar, na categoria conto, no 1º Concurso Literário da Câmara Municipal de Nova Friburgo, Troféu Affonso Romano de Sant’anna. Em 2014, teve seu conto “A Dama da Noite” adaptado para um curta metragem homônimo e em 2015, publicou o conto “Tarde demais para Suzanne” na antologia Buriti 100, e o romance “Uma Aventura Perigosa”, além de ser premiado em 3º lugar, na categoria Prosa, com o conto “O Dono do Bar”, no I Concurso de Prosa e Poesia de Bom Jardim – RJ. É também autor de O fantasma do Mare Dei (2010) e Sete – Contos Capitais (2015).

Uma Aventura Perigosa narra a história de Max de Castro, um funcionário público insatisfeito com trabalho e com problemas no casamento. Após uma crise de estresse em pleno expediente, incentivado por um psicanalista em um programa de entrevistas, escreve uma carta confessional, que deve ser escondida e destruída em 24 horas, mas a mesma desaparece, antes que ele pudesse fazê-lo.

Começa então o inferno de Max, angustiado pela possibilidade de seus maiores segredos serem descobertos, ou por sua esposa, ou por sua cunhada, a jovem Sophia, por quem se sente fortemente atraído. Uma série de coincidências atinge a vida de Max e ele descobre que nem tudo que ele sabe é verdade, e que todos tem segredos que precisam ficar escondidos a sete chaves.

No romance ‘Uma aventura perigosa’, George dos Santos Pacheco descreve de forma audaciosa e sem pudores as aventuras sexuais do “orgulhoso, impulsivo, e machista” Max de Castro, que se envolve com diversas mulheres ao longo da trama: jovens, universitárias e prostitutas. Com toques de humor e sarcasmo, Pacheco narra a impossibilidade de sair ileso a qualquer relacionamento, garantindo grandes surpresas aos leitores.

A posse do novo acadêmico deve ocorrer em março de 2016 em data a ser divulgada pela Casa de Salusse.

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Votações encerradas para o VI Prêmio Clube de Autores!

Terminou na quarta, dia 11, a fase de votações do VI Prêmio Clube de Autores de Literatura Contemporânea! 

Diferentemente dos últimos anos, esta edição tem apenas uma fase cujos resultados serão definidos parte por votação popular e parte por um corpo de jurados. Neste momento, os jurados já estão com acesso às obras e tecendo as suas avaliações. 

Os resultados finais serao divulgados no dia 18 deste mês. 

A todos os 1.139 participantes, nossos parabéns e votos de boa sorte!!!

  

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