Os brasileiros

Não há, no mundo, nenhuma estirpe de escritores mais incrível que a brasileira. 

Por favor não entendam essa minha opinião como xenófoba ou preconceituosa: já me derramei em elogios, em posts passados, por autores dos quatro cantos do mundo. Mas nenhum deles consegue casar a delicadeza revolucionária da linguagem com a brutalidade desconcertante dos temas como os nossos. 

Tá… talvez essa seja uma opinião que se pode esperar de um brasileiro que, obviamente, compartilha os mesmos panoramas culturais que esses autores… 

Ainda assim, é uma opinião que insisto em repetir. 

Não há, no mundo de fora, nenhum autor que tenha conseguido captar a essência da vida de maneira tão incrível quanto Guimarães Rosa. Não há nenhum poeta tão embasbacante quanto Manoel de Barros. Não há cronista de cotidianos como Alcântara Machado. Não há nenhum retratista de lugares e épocas como Jorge Amado. 

Mas sabe qual o problema do parágrafo de cima? Todos os meus exemplos são feitos de cadáveres. 

Será que ainda somos um país de escritores geniais ou que, um dia, fomos – e deixamos de ser?

Quero crer que ainda sejamos – muitos dos livros do Clube que leio me apontam para essa conclusão. 

Só que livros são feitos de leitores e, enquanto o público brasileiro insistir em comer apenas a literatura empacotada vinda da Europa ou dos EUA, dificilmente conseguiremos consolidar carreiras de novos mestres nossos. 

Passou da hora de nos lermos mais e de nos concentrarmos mais na nova literatura produzida por aqui. 

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Compartilhando o depoimento de uma autora

Na semana passada recebemos esta mensagem de uma autora do Clube, Carol Sales. Normalmente não postamos no blog mensagens assim… mas sempre há uma exceção. Trabalhamos tão duro aqui, afinal, que receber um elogio desses é sempre motivo de orgulho e sorrisos generalizados!

À Carol, queria apenas deixar registrado que a satisfação e o orgulho são todos nossos de tê-la aqui, como parte do Clube, honrando a nova literatura brasileira que está sendo escrita a cada dia!

Nem sei como começar a descrever toda satisfação que venho tendo de fazer parte do Clube de Autores, mas isso não iria me coibir de tentar. Sou autora independente há pouco mais de dois anos. Fui leitora compulsiva desde que me descobri gente e escrevi à mão por mais de 13 anos antes de finalmente me aventurar nesse mundo editorial. Só recentemente descobri vocês por meio mais direto de outra autora nacional, Amatrici Romero, que recentemente lançou seu romance Argus entre Ciganos e Lobos. Decidi experimentar.

Em todos os campos, vocês estão com nota máxima, mas vou comentar aqui o que mais me chamou atenção e me deixou muito feliz de estar com vocês na criação dos meus livros físicos. A opção de pagamento por boleto bancário, que facilita e muito aos meus leitores que não possuem nenhum cartão de crédito; preço de custo do exemplar bem dentro do que eu vinha orçando com outras gráficas, sendo que, com vocês, sai bem mais em conta para o consumidor final e para mim, além de que, com essas gráficas, é
exigido uma tiragem mínima. Meu franco agradecimento e gratidão. Qualidade de material empregado no exemplar e velocidade de entrega, então? Sem palavras! Surpreendentemente bom, estimulante, eletrizante. No que depender de mim, os contatos no meio que vieram estreitando laços de amizades comigo terão meu sincero incentivo de entrar para o Clube com suas obras.

No fundo e a bem da verdade, só tenho um lamento, e é de não ter conhecido o Clube antes.

Mais uma vez, deixo meus sinceros agradecimentos e abraços para toda equipe, vocês estão de parabéns em todos os níveis!

Carol Sales

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6 motivos que comprovam que o melhor momento para ser um escritor é hoje

Às vezes converso com alguns escritores que dizem que o maior sonho deles era ter nascido em outros tempos – algo como a Paris do começo do século XX, a Londres vitoriana ou mesmo o Rio do final do século XIX.

Eu discordo de todos.

Em minha modesta opinião, o melhor momento para escritores é agora.

Veja seis motivos que confirmam que vivemos na era perfeita para escritores:

  1. Livros são baratos e onipresentes. Já imaginou a dificuldade que os arcadistas do século XVIII tinham, lá em Ouro Preto, para acessar a literatura? Hoje, pagando menos de um almoço, compra-se uma obra prima que pode ser digerida no formato que preferir – impresso, digital ou áudio. Os limites para o acúmulo de conhecimento e inspiração são praticamente inexistentes.
  2. A informação é plena. Nem consigo imaginar o tamanho da pesquisa que Mário de Andrade teve que fazer para escrever Macunaíma. Sei que ele rodou a Amazônia e o restante do país e que levou anos compilando as lendas que fizeram nossa alma brasileira. Hoje, até podemos (e devemos) viajar para desbravar o mundo com nossos próprios olhos – mas temos o apoio fundamental da Internet como ferramenta perfeita de pesquisa. Quer estudar algo para um novo romance? Basta abrir o Google e começar a navegar.
  3. O acesso ao público depende apenas de você. Costumamos achar que a vida de escritores do passado era fácil, que bastava que eles escrevessem para serem magicamente descobertos por editores e conseguirem suas famas. Ledo engano: se hoje temos acesso a apenas um punhado de autores do passado é porque muitos, mas muitos MESMO, deixaram o mundo sem conseguir se publicar. Concorrência no mercado editorial sempre foi imensa – mas a diferença é que, hoje, com acesso a redes sociais, cada autor consegue criar o seu próprio público sem depender de ninguém.
  4. A publicação é gratuita. Não preciso nem me alongar muito nesse tópico: pelo Clube de Autores consegue-se publicar seu livro em um punhado de minutos.
  5. Há profissionais à disposição para te ajudar. Quer um revisor? Um capista? Um diagramador? Alguém para te guiar na burocracia do ISBN? Simples e barato: basta acessar o www.profissionaisdolivro.com.br e escolher dentre algo como 2 mil profissionais do mercado editorial que oferecem seus serviços a preços diferentes.
  6. Sempre haverá interessados em suas obras. No mundo plural que vivemos, a probabilidade de não haver público interessado em seu livro, sobre o que quer que seja ele, é mínima (ou inexistente). Pode ser que você ainda não saiba acessá-lo, claro – nem todo mundo nasce com talento para marketing. Mas com alguma pesquisa e estudo, certamente se pode criar uma estratégia de divulgação que abrirá aos autores as portas do paraíso.

the ends, clu

 

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Juro que estou sendo otimista!

Um amigo meu me disse que eu estava muito pessimista com o mundo. Disse que estava escrevendo demais sobre a morte da arte, sobre o ano que vem ser mais caótico que esse etc. etc. etc.

É verdade que tendo mesmo a enxergar (ou mesmo a buscar) o caos em cada cenário com o qual me deparo. Mas isso seria pessimismo? Não sei.

Como diria Hamlet, não existe o bom ou o ruim: o que existe é a nossa opinião sobre as coisas. A meu ver, todo caos é essencialmente positivo. É o que nos instiga a pensar, o que nos tira da zona de conforto, o que gera inovações nas artes e na vida. É o que faz o nosso sangue pulsar.

Que graça teria a vida de Pi sem seu conflito com o mar e o tigre, para ficar apenas em um exemplo?

E, se a vida imita mesmo a arte, que graça tem viver sem obstáculos quaisquer a serem transpostos, sem batalhas a serem travadas, sem caos a ser normalizado? Afinal, nossa vida tem um tempo contado – e tenho como certo que ela vale mais na medida em que somamos mais histórias em nossas memórias.

Em outras palavras: entendo que precisamos de caos e conflitos para celebrar a nossa própria humanidade e não vivermos como planta. Quem quer viver como planta, afinal??

A esse meu amigo, portanto, – que espero estar lendo este relato – respondo então que não há pessimismo em toda essa escuridão pintada aqui nos últimos posts. Ao contrário: quer ambiente mais otimista para quem gosta de criar histórias do que um que soma tempestade atrás de tempestade?

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