Sobre prêmios e concursos

Muito já falamos aqui sobre prêmios e concursos literários. Há quem pense que não valem o tempo que exigem, há quem aposte o futuro inteiro neles.

Pessoalmente, prefiro uma abordagem mais moderada. Há, claro, aqueles concursos mais fajutos, feitos para extorquir dinheiro de escritores sem muito compromisso com a meritocracia em si. Mas há outros, que garantem ao autor algo ainda mais importante que a visibilidade: parâmetro.

Em concursos mais sérios, podemos comemorar vitórias ou entender os motivos da derrota. Perdemos por conta de uma sinopse pouco vendedora? Uma capa pouco atrativa? Um enredo solto demais? Um português pouco fluido?

Cada perda, afinal, nos garantirá aprendizados importantes, fundamentais, para que nos aprimoremos nessa arte que tanto amamos (e que estamos fadados a nos dedicar).

Meu conselho, portanto? Separe jôio de trigo, selecione os concursos e prêmios que julgar realmente sérios e ponha a sua cara na rua. Arrisque-se e atente-se à opinião alheia: é dela, afinal, que carreiras literárias inteiras se fazem!

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A raiva de um mercado moribundo contra o poeta independente vencedor do Jabuti

Duas reações me dominaram quando li a notícia de que um autor independente, Mailson Furtado Viana, havia levado o cobiçadíssimo Prêmio Jabuti

A primeira foi a mais óbvia: felicidade. 

Nós, que batalhamos aqui no front da literatura independente há 9 anos, acompanhamos de perto as dificuldades e barreiras que cada autor tem para se fazer lido. E mais: acompanhamos também, de pertíssimo, a sofisticada qualidade de muitas das obras que fazem do Clube o seu lar, espalhando histórias e versos incríveis pelos quatro cantos do nosso país e empurrando a nossa cultura para selvas totalmente desconhecidas do antigo e tradicional mercado editorial brasileiro. 

Um poeta independente, portanto, vencer o Jabuti, significa que há cada vez mais luz no fim desse túnel tão longo feito de atraso e de medo de inovar. 

Foi justamente desse atraso, aliás, que veio a minha segunda reação: incredulidade.

Imediatamente após a divulgação do prêmio, diversos “representantes” do mercado editorial tradicional foram aos seus Facebooks destilar rios de indignação com o fato de que um independente havia levado o prêmio. Seus carcomidos argumentos? 

“O Jabuti é um prêmio do mercado, então deveria premiar quem está dentro do mercado!” Como se o tal “mercado” fosse uma espécie de castelo medieval cercado por um fosso com o objetivo de impedir a inovação de entrar. 

Outro argumento: “Um autor independente vende quantos exemplares? 20? 200? 1000? Como pode alguém assim sequer ter reconhecimento?” Como se o reconhecimento estivesse preso unicamente à tiragem e não à crítica literária; fosse assim, nem seria necessário ter um prêmio, pois bastaria dar um troféu aos mais vendidos da Veja. 

Mais um: “Em um mercado em crise como o editorial, privilegiar as editoras que tanto carecem de novos sucessos deveria ser uma premissa!” Quanto a esse argumento, me faltam até meios para limpar o mofo que cobre suas assustadoras palavras. 

Pois bem: o mercado editorial brasileiro não entrou em crise porque o brasileiro decidiu se revoltar contra a literatura. Ao contrário: a última pesquisa de hábitos de leitura, feita em 2016 pelo Instituto Pro-Livro, apontou que o brasileiro médio aumentou a quantidade de livros lidos inteiros em cerca de 20%. 

Se o brasileiro está lendo mais e o mercado tradicional está vendendo menos, então o problema – por óbvio – está com o mercado tradicional. Por que? 

Porque ele não investe em novos talentos e se mantém refém dos mesmos autores best-sellers de sempre.

Porque ele não enxerga que o brasileiro mudou, que seus hábitos de leitura mudaram e que ele quer, acima de tudo, mergulhar em um tipo de literatura mais dinâmica e menos massificada que a antiga.

Porque ele não enxerga que o nosso mundo de hoje é feito não de uma massa de leitores, mas sim de uma incalculável variedade de pequenos nichos, cada um deles com seus próprios públicos carregando suas próprias demandas. 

Porque, em suma, ele se revolta ao ver o novo sendo premiado e reconhecido enquanto torce com o fanatismo de um cruzado medieval para que o calendário retroceda e o mundo volte ao tempo em que poucas editoras poderosas dominavam a leitura.

É inacreditável que, a esta altura, os livreiros, editores e distribuidores não tenham percebido que nada melhorará para eles se insistirem em fazer tudo da mesma forma. 

Para a nossa sorte, no entanto, alguns deles – como os jurados do Jabuti – perceberam que não precisam ficar reféns do tradicional justamente em tempos de tão grandes mudanças. 

O tempo dos independentes chegou. 

Parabéns, Jabuti. 

Parabéns, Mailson Furtado Viana.

 

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Inscreva-se no Jabuti

Já falei bastante aqui no blog sobre prêmios e concursos literários – e sobre a importância de se selecionar os mais sérios para se participar. Pois bem: reforço aqui a mesma dica que postei há menos de um mês: participe do Prêmio Jabuti.

Não, ele não é dos mais baratos. A inscrição de um romance beira os R$ 400,00. Mas há a contrapartida: é, de longe, o prêmio de maior prestígio do mundo editorial brasileiro.

E é, portanto, uma oportunidade do seu livro dividir o mesmo justo parâmetro com outros livros dos mais renomados autores brasileiros.

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Inscreva-se no Prêmio Jabuti

Postei aqui, na quarta, sobre prêmios e concursos literários – e sobre a importância de se selecionar os mais sérios para se participar. Pois bem: já adianto então uma dica.

Participe do Prêmio Jabuti.

Não, ele não é dos mais baratos. A inscrição de um romance beira os R$ 400,00. Mas há a contrapartida: é, de longe, o prêmio de maior prestígio do mundo editorial brasileiro.

E é, portanto, uma oportunidade do seu livro dividir o mesmo justo parâmetro com outros livros dos mais renomados autores brasileiros.

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Este ano teremos o Prêmio

Este não é o anúncio oficial, mas um comprometimento.

Ano passado, pela primeira vez desde que o Clube abriu as portas, não fizemos o Prêmio Clube de Autores de Literatura Contemporânea. Confesso que não sei ao certo o motivo de não o termos feito – mas me arrependo ferozmente.

Primeiro, porque ele já era tradicional – foram anos de realização, revelando ao Brasil alguns dos livros mais incríveis que a autopublicação já produziu.

Segundo, porque era uma oportunidade para os autores independentes se destacarem sem precisar pagar nada por isso. E oportunidade de divulgação, todos sabemos, é fundamental.

E, terceiro, porque havia uma participação incrível. Todos os anos somamos centenas – CENTENAS – de livros participantes. Poucos prêmios para autores independentes, no Brasil ou mesmo no mundo, podem alardear números assim.

Não fazer o Prêmio no ano passado foi um des-serviço à própria comunidade do Clube – um des-serviço que não repetiremos.

Este ano ele voltará.

Mais notícias nos próximos meses :-)

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