Sobre prêmios e concursos

Muito já falamos aqui sobre prêmios e concursos literários. Há quem pense que não valem o tempo que exigem, há quem aposte o futuro inteiro neles.

Pessoalmente, prefiro uma abordagem mais moderada. Há, claro, aqueles concursos mais fajutos, feitos para extorquir dinheiro de escritores sem muito compromisso com a meritocracia em si. Mas há outros, que garantem ao autor algo ainda mais importante que a visibilidade: parâmetro.

Em concursos mais sérios, podemos comemorar vitórias ou entender os motivos da derrota. Perdemos por conta de uma sinopse pouco vendedora? Uma capa pouco atrativa? Um enredo solto demais? Um português pouco fluido?

Cada perda, afinal, nos garantirá aprendizados importantes, fundamentais, para que nos aprimoremos nessa arte que tanto amamos (e que estamos fadados a nos dedicar).

Meu conselho, portanto? Separe jôio de trigo, selecione os concursos e prêmios que julgar realmente sérios e ponha a sua cara na rua. Arrisque-se e atente-se à opinião alheia: é dela, afinal, que carreiras literárias inteiras se fazem!

Leia Mais

Sobre o sagrado de direito da expressão

Desde que os ataques terroristas mancharam Paris de sangue e medo, as redes sociais brasileiras tem reproduzido um outro tipo de “guerra ideológica”.

Por um lado, milhões de brasileiros mudaram seus perfis no Facebook adotando as cores da bandeira francesa em um ato de solidariedade; do outro, outros tantos milhões preferiram usar a bandeira mineira ou um símbolo da bandeira do Brasil em tons de lama. Somos um país livre: todos podemos nos comover mais com o que quisermos.

Mas, nas redes sociais, a liberdade é sempre algo relativo.

Acusados de alienados, os brasileiros que se solidarizaram com os franceses sofreram um bullying desnecessário. Disseram que eles estavam ignorando tragédias em seu próprio país, que o que acontecera em Mariana havia sido muito pior etc. Comparou-se tragédias, como se os passaportes dos cadáveres fizesse alguma diferença para a Morte.

Estes, por sua vez, replicaram. Disseram que o fato de protestarem contra o terrorismo na Europa em nada tinha a ver com as acusações de apatia em relação ao caso da Samarco. Disseram que, em que pese a responsabilidade da mineradora, a tragédia ainda assim era menos chocante do que um grupo de fanáticos assassinar, coordenadamente, mais de uma centena de inocentes.

Houve tréplica: o descaso da Samarco e dos órgãos de fiscalização do governo não poderia ser considerado como um assassinato coordenado?

Nova resposta: sim, mas uma coisa é assumir a responsabilidade por um eventual desastre fruto do mais puro e desumano descaso; outra é efetivamente se vestir de explosivos e se detonar em uma praça lotada, buscando ativamente matar o maior número possível de pessoas em nome de um Deus.

E, no final, o que deveria ser um momento para homenagear os mortos e pedir algum tipo de reação acabou se transformando em uma guerra ideológica à parte.

No final, acabou-se esquecendo o que há de mais sagrado na sociedade moderna: o direito à livre expressão.

Não é crime algum querer ficar mais solidário com quem quer que seja, brasileiro ou francês. Não é crime se sentir mais ultrajado com terrorismo ou com má administração. Não é crime expressar sua opinião, seja por meio de troca de avatar ou de posts em redes sociais.

Ao contrário: se expressar é a maior arma que temos. É o que nos inspirará a escrever as nossas histórias, a eternizar os nossos pensamentos e, portanto, a se inspirar.

Sua opinião é contrária à de alguém? É um direito seu – da mesma forma que é um direito deste alguém de ter e expressar a sua própria opinião.

Hoje, todos temos o direito sagrado de contar e curtir as histórias que quisermos.

Que esse direito nunca, nunca seja posto em cheque.

liberdadeexp

Leia Mais

Histórias, afinal, sempre nascem de opiniões

A Internet sempre tem dessas coisas incríveis, desses projetos que surgem do vento e prometem fazer história.

No ano passado vivemos, aqui no Brasil, um dos capítulos que reputo como dos mais emblemáticos da nossa história recente: a briga eleitoral. E a palavra certa é essa mesmo: briga. 

A população se dividiu em facções cuspindo mais insultos que argumentos, amizades se desfizeram, cisões nos separaram. E tudo por que? Porque temos uma dificuldade imensa em ouvir a opinião alheia. 

E digo ouvir mesmo – o que não significa concordar. Como podemos formar a nossa própria opinião, sobre o que quer que seja, sem escutar todos os lados? 

E, considerando que opinião é – na minha opinião – a base para qualquer narrativa, decidimos divulgar um projeto que tem tudo a ver com o fortalecimento dessa nossa maturidade coletiva nacional: o Oppina.

Este projeto está no Catarse, dependendo de doações para sair do papel. Veja o vídeo explicativo abaixo.

Se curtir, contribua. É sempre importante dar microfones a vozes que, afinal, ajudarão a definir o futuro do Brasil.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=_0xplS7yJl0&w=1280&h=720]

Link para página de doação: https://www.catarse.me/pt/oppina

Leia Mais