O aumento de autores no Clube é bom para o sucesso de cada autor?

Estávamos, aqui no Clube, comemorando o número recorde de livros publicados por dia: 40. Era um número que perseguíamos faz tempo, uma espécie de meta mágica que mostrasse e comprovasse a força da literatura independente no país e a consolidação do Clube de Autores como principal plataforma. 

Mas sabe o que aconteceu em novembro? 

Até ontem, 14/11, estávamos com 588 novos livros publicados aqui. 

42 livros novos publicados por dia ao longo de todo o mês de novembro – mês, aliás, recheado de feriados, que costuma representar uma queda brusca na audiência da Internet como um todo.

OK. Aí você pergunta: esse número todo de livros é bom para mim, autor independente, que com isso ganho mais de mil concorrentes por mês?  

A resposta é: sim. É fantástico para você. 

Por que? 

Porque a força de um autor independente está tanto em seu livro quanto na aceitação e acomodação no mercado da sua “categoria”, por assim dizer.  

A qualidade individual de cada livro, claro, sequer merece comentário. Basta olhar para o passado: certamente milhares de obras foram escritas e publicadas lá nos tempos do Machado de Assis – mas poucas, a exemplo de Dom Casmurro, sobreviveram à peneira qualitativa do olhar do leitor ao longo do tempo. Quanto a isso, o máximo que podemos fazer é apontar caminhos, pois a qualidade de cada livro depende diretamente de cada autor. Deixemos, portanto, esse argumento de lado e foquemo-nos no outro.

No passado, éramos o resto

Quando começamos a operar, em 2009, um autor independente era considerado apenas um autor que não tivesse conquistado nenhuma editora. Ou seja: ele já nascia, ele já era apresentado ao mercado como uma espécie de “algo a menos”. Isso, ainda bem, mudou. 

Hoje, somos a vanguarda

Em parte pelo retrocesso do mercado editorial tradicional, hoje um independente é visto muito mais como alguém que acredita em suas próprias histórias ao ponto de vestir-se de empresário de si mesmo e de desbravar novos territórios. Quer uma prova? É só olhar o Prêmio Jabuti deste ano, que premiou justamente um poeta independente

Nesse sentido, quanto mais autores independentes existirem e estiverem dominando o mercado, melhor: mais fácil será abrir espaço para que livrarias aceitem seus livros e os distribuam mundo afora.

Enquanto isso, no Clube de Autores…

Nós somos um exemplo perfeito do quanto essa mudança melhorou as condições gerais dos autores independentes. Foi justamente o crescimento do volume de livros publicados no Clube que viabilizou quedas significativas nos nossos preços. Os autores mais novos não devem saber mas, lá nos idos de 2009, quando começamos, um livro aqui no Clube custava mais que o dobro de hoje; em nosso futuro, certamente haverá novas rodadas de renegociação que permitirão baixar os custos mais e mais e mais.

Foi também justamente por estarmos nos tornando relevantes como uma espécie de hub, de central de autopublicação brasileira, que conseguimos acordos viabilizando a venda dos livros daqui na Cultura, na Estante Virtual, na Amazon e em tantas outras lojas. 

A união que faz a força

Assim, quanto mais autores estiverem aqui, mais vantagens conseguiremos para todos. 

Quanto mais vantagens conseguirmos, mais espaço e mais oportunidades serão abertas para os autores independentes. 

E quanto mais espaço e oportunidade, mais fácil será para que livros independentes ganhem mercados até então inimagináveis. 

Clube de Autores e autores independentes, afinal, estão no mesmo barco, o barco da necessária renovação do mercado editorial brasileiro. 

Renovação, não: revolução. 

E participar de uma revolução é das coisas mais revigorantes e energizantes que podem existir. 

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As noites revolucionárias

Na quarta passada escrevi aqui um post sobre os tempos que estamos vivendo e a possibilidade única dada a nós, escritores, sobre registrar a vida enquanto um país está em franca mudança. 

Sempre que penso no que está acontecendo no Brasil, busco comparações com outras revoluções. Já escrevi isso antes e repito: revoluções em nosso naco do planeta costumam ocorrer a fogo brando, com muito menos sangue e intensidade do que em qualquer outro local e tempo da história da humanidade. 

Ainda assim, essa característica talvez excessivamente cordial do brasileiro não desmerece as nossas revoluções ou enfraquece as nossas bandeiras. Ao contrário: ela apenas torna ainda mais curiosa a nossa história, principalmente perante os olhares estrangeiros. 

Fui em busca de alguma referência, de algum outro relato escrito por alguém que testemunhou alguma mudança brusca na condução de uma política. 

Encontrei lá na mãe das revoluções modernas, talvez a mais sangrenta e aguda de todas: a francesa. O livro: As Noites Revolucionárias, escrito por Rétif de la Bretonne. 

Fica sendo esta a minha recomendação. Quer entender o que se passou na Paris do final do século XVIII enquanto Danton e Robespierre se engalfinhavam pelo poder, enquanto Louis XVI e Maria Antonieta perderam as suas cabeças, enquanto a briga pelo poder fez a humanidade mais parecer com uma rinha de galos? 

Leia o livro. Um relato absolutamente impressionante sobre o que acontece nos bastidores das mudanças sociais mais radicais. 

Inspire-se. 

E escreva a sua história também. 

Para facilitar, deixo aqui o link: http://livraria.folha.com.br/livros/literatura-estrangeira/noites-revolucion-rias-restif-la-bretonne-1311258.html

  

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Testemunhando uma revolução

O Brasil está em pandarecos. Já expressei a alguns amigos que, em minha opinião, estamos vivendo uma revolução à brasileira. O raciocínio é simples: o brasileiro, em sua essência, detesta conflitos mais agudos. Não foi por outro motivo que, enquanto sangue era derramado nos EUA e na França lá pelos idos do século XVIII, o máximo que testemunhamos aqui foi a Inconfidência. Não quero desmerecer este que talvez tenha sido um dos mais emblemáticos acontecimento da nossa história – mas não dá para comparar o enforcamento de um mártir e o degredo de um punhado de (grandes) poetas com as tantas cabeças que rolaram pelas ruas de Paris em nome dos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. 

Avancemos alguns anos até a nossa independência. Alguém conhece algum outro país que fez a sua libertação ao declarar como imperador o filho do que então reinava – e ainda se comprometer a pagar fortunas a título de indenização à metrópole? Pois é: foi assim, com mais canetas e menos balas, que nos libertamos. O mesmo imperador acabou saindo para se tornar rei da metrópole original, deixando seu filho no lugar. D. Pedro II foi considerado um monarca altamente popular e capitaneou inegáveis avanços – até que os quartéis decidiram se rebelar sob o comando de Deodoro da Fonseca em um movimento que poucos, possivelmente até o próprio marechal, realmente acreditavam que vingaria. E sabe porque vingou? 

Porque D. Pedro II, já cansado, simplesmente desistiu. 

O Brasil se revoluciona assim, a fogo brando. E é isso que está acontecendo agora. 
Não temos os presos políticos que apareceram no Egito, não temos as cisões da Síria e do Iraque, não temos o anarquismo que impera nos tantos países que decidem mudar tudo. Temos apenas – e esse “apenas” não deve ser menosprezado – manifestações populares pedindo mudanças radicais em um governo falido, com ideais espúrios, incompetência clara e corrupção escancarada. E, não tenho dúvidas, essa mudança acabará vindo. 

A Presidente Dilma já caiu. Lula dificilmente escapará das grades. Temer provavelmente assumirá – mas dificilmente se perenizará no poder. O vácuo que hoje é virtual se tornará real, concreto. A crise em si piorará? Talvez sim, se um novo governo, ainda que provisório, não mostrar um mínimo de competência de articulação para colocar o trem nos trilhos. Ou talvez não, se a briga pelo poder impedir os seus atores de perceberem que, na guerra, todos perderão. Ainda é cedo para dizer. 

E por que escrevo isso aqui, no blog do Clube de Autores? Porque, embalados por ânimos acirrados e por vozes que rococheteiam das ruas para as redes e das redes para as TVs, temos uma oportunidade única para nos inspirar no que fazemos de melhor: registrar histórias. 

Aqui, pouco importa se somos de direita ou de esquerda, se defendemos o PT ou não, se somos contra ou a favor do impeachment. Importa que somos escritores.

E, como escritores, vivemos sempre à busca de inspiração, de algum tipo de tempestade que empurre nossos dedos para os teclados e faça nascer relatos daqueles responsáveis por contar às gerações futuras o que realmente aconteceu nos nossos tempos. 

Somos escritores e estamos testemunhando a história do Brasil acontecendo sob os nossos narizes, possivelmente com a nossa participação mais ou menos ativa, certamente carregando a esperança que pulsa nas veias de todo revolucionário de ver mudanças se concretizarem. 

E quer saber? Poucos foram os escritores abençoados com um período de acentuada efervescência política e social como a que estamos testemunhando; poucos foram os escritores que puderam contar, em vida, com uma transição de cenários como essa que pode mudar a face do nosso país. 

Como você está testemunhando a mudança do Brasil? 

Escreva. Não como um comentário aqui neste post, algo passageiro, temporário, fugaz. Escreva em uma história. 

Marque a sua visão. 

Publique-a para o mundo. 

O entendimento dos nossos tempos pelas gerações futuras depende unicamente de nós, escritores.

Escrevamos.

  

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O caos, nosso passado e nosso futuro

Sempre fui apaixonado pela teoria do caos. Parte dela inclui o famoso exemplo de uma borboleta que, ao bater as suas asas em algum canto qualquer do mundo, pode desencadear uma série de acontecimentos que vão crescendo feito uma bola de neve até mudarem, de maneira dramática, os rumos da humanidade.

Tomemos um exemplo claro, embora mais dramático do que o bater de asas de uma borboleta: o grande terremoto de Lisboa de 1755.

No dia 1 de novembro desta data, enquanto todas as igrejas da capital de um dos maiores impérios do mundo se iluminavam com velas para comemorar o dia de Todos os Santos, um movimento nas placas tectônicas no fundo do Atlântico fez tudo mudar de figura.

De repente, a capital foi sacudida com uma violência sem precedentes; as tantas velas acesas caíram e iniciaram focos de incêndio espalhados por todos os seus bairros; e, quando cidadãos apavorados saíram correndo em direção às margens do Tejo, longe das construções, uma tsunami veio e os varreu da existência. Tudo mudou.

À época, o Marquês de Pombal estava apenas começando no comando do império. Por conta do terremoto, conseguiu dinheiro e poder para reconstruir a capital ao espelho das outras grandes metrópoles europeias. Ele conseguiu – em grande parte fortalecendo a coleta de impostos das suas colônias e impondo reformas administrativas dramáticas. A capital do Brasil, por exemplo, mudou de Salvador para o Rio; e mudanças na burocracia local fizeram com que o mesmo ouro que correu para Portugal gerasse revoltas no Brasil. Um desses focos de descontentamento, por exemplo, foi a Inconfidência Mineira, combatida pelo Marquês com grande sucesso.

Bom… voltando às asas da borboleta, e se o terremoto não tivesse ocorrido ou se fosse em um outro dia, com menos velas e, portanto, menos incêndios? Teria Pombal adquirido tanto prestígio para mudar tanta coisa em Portugal e no Brasil? Como estaria a nossa vida? E a nossa literatura, à época contando com gênios que foram perseguidos na Inconfidência como Tomás Antônio Gonzaga ou Cláudio Manoel da Costa, dentre tantos outros?

Tudo, provavelmente, seria diferente.

Mas não é.

Hoje, somos o resultado de uma série de acasos caóticos que nos colocaram aqui e que nos levarão a futuros que estão, possivelmente, menos em nossas mãos do que gostaríamos. Essa sensação de impotência, no entanto, tem efeito dúbio: nos tira um pouco da esperança de comandar os grandes feitos do nosso destino mas, por outro lado, mantém alta a adrenalina pelo desconhecido que certamente está por vir.

E voltando à Lisboa de 1755, vale conferir essa incrível reconstrução da tragédia feita pelo Instituto Smithsonian:

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Sobre crises, rupturas e começos

Crise é uma palavra curiosa. Sua mera menção cotuma gerar pânico, suscitando uma espécie de onda de pessimismo e alarmismo do tipo que boiadas tem ao verem vaqueiros próximos demais. Há mais de 10 anos como empreendedor, me habituei a lidar com crises de outra forma: elas não são nada mais que demandas por mudança.

Crises ocorrem quando o mercado está, de maneira geral, saturado da forma com que vem sendo administrado. E quando falo ‘o mercado’, não entendam aquele ser amorfo e maléfico que os mais radicais tendem a colocar a culpa de todos os males da humanidade. Nós somos o mercado. 

Nós compramos, nós vendemos, nós produzimos, nós votamos, nós elegemos. Em uma democracia, afinal, tudo – absolutamdente tudo – é, em última instância, responsabilidade de cada cidadão. Mas não quero entrar em discussões políticas aqui: essa não é, nem de longe, a vocação deste blog e nem a intenção deste blogueiro. 

Ignore, ainda que com algum esforço, o caótico espectro político brasileiro. Olhe ‘o mercado’. Pluralize-o. 

Há décadas (senão séculos) se compra e vende imóveis, por exemplo, exatamente da mesma forma.

Há décadas se locomove em cidades coalhando ruas de carros e esfumaçando os céus de monóxido de carbono como se isso fosse o melhor. 

Há anos o mundo editorial está habituado a ter, na figura de um editor antiquado e ultrapassado, o juiz supremo da qualidade de cada parágrafo escrito, decisor do futuro de milhões de escritores. 
Todos esses mercados – e muitos outros – são a parte mais prática da crise que vivemos. Não apenas uma crise política – embora esta também seja consequência, e não causa. Uma crise de eras. 

O país como um todo está entendendo que é hora de mudar, de revolucionar algumas das nossas tradições mais danosas e virar a página. E quer saber de uma coisa? Por pior que esteja sendo a crise brasileira, os setores que mais estão apostando em “fazer as coisas de forma diferente” parecem estar driblando-a. 

Exemplos? 

Lidar com imóveis em um período de alta de juros e escassez de crédito dificilmente é uma boa ideia. Não me parece, no entanto, que empresas como a AirBnB – que inauguraram um modelo de aluguel por pequenos períodos, mesclando os mercados de turismo e de imóveis urbanos – estejam reclamando. Ao contrário: elas estão crescendo diariamente, inclusive no Brasil. Talvez isso seja apenas um indício de uma mudança ainda maior que esteja por vir. 

Se, há demissões em massa nas montadoras e carros estocados em pátios deprimentes. Mas quer saber? Talvez a era do carro esteja passando a passos mais largos que imaginamos. Talvez os quilômetros de ciclovia, embora criticados pelos mais diversos motivos, realmente estejam abrindo novas opções. Lojas especializadas em bikes não tem reclamado desses tempos, afinal. Isso sem contar que alternativas de transporte coletivo, como o Uber, que contam como inimigos apenas os velhacos políticos que lutam para que o velho mundo permaneça velho e que a concorrência não cumpra o seu odiado papel de melhorar a oferta. 

E no mercado editorial? A mesma coisa acontece – e nesse podemos falar pela experiência. Enquanto editores tradicionais reclamam do apocalipse que parece se desenhar no horizonte, uma coisa é fato: nunca se leu ou produziu tanta literatura. Para onde ela está indo? Para a Web, em outros formatos, e para sites como o Clube de Autores. Esses últimos meses tem testemunhado um boom tanto em publicações quanto em vendas que jamais poderíamos ter antecipado. E sabe qual o resultado disso? Maior capacidade de investimento interno em mais ferramentas, em mais ações de divulgação, em mais parcerias. 

Esses três exemplos – AirBnB, Uber e Clube de Autores – são apenas alguns dos tantos exemplos. É claro que todos estão sob o impacto de uma crise quase sem precedentes no Brasil redemocratizado: exceto pelos bancos, ninguém ganha com juros altos e crédito escasso.

Mas há um movimento importante por trás disso tudo que poucos estão percebendo: uma crise como essa tem como papel eliminar as velhas maneiras de se fazer negócio e potecializar uma renovação. Ou uma revolução. 

Crises são, afinal, exatamente isso: ruptura com o status quo e começo de uma nova era. 

Que ela venha a galope. 

  
 

 

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