Não ignore o mar de referências à sua volta

Comentei, no post da segunda passada, sobre a viabilidade de se viver como escritor hoje em dia. Reforço isso aqui: embora não seja uma carreira fácil, ela já não é mais tão impossível quanto no passado.

Mas – e reforço isso aqui também – ela demanda um tipo de entrega total à arte que nem todos os escritores costumam estar dispostos.

É impossível escrever bem se você não lê bem. Aliás, isso não deveria sequer ser uma questão: é um privilégio inenarrável termos, hoje, a possibilidade de ler tanto por tão pouco. Temos ao alcance de todos gênios como Guimarães Rosa, Mia Couto, Tolstoi. Mestres que praticamente refundaram idiomas inteiros e criaram modelos de expressão literária absolutamente revolucionários.

Como sequer querer multiplicar leitores sem antes entender como esses grandes mestres dos nossos e de outros tempos o fizeram? Refazendo a pergunta: para quê desperdiçar essa base tão gigantesca de conhecimento que está ali, ao nosso alcance?

E isso porque estamos falando aqui apenas dos mestres já consagrados.

Há outros: há os escritores independentes que apenas agora começam a criar os seus públicos. E por que eles são fundamentais? Porque a literatura do futuro está sendo desenhada justamente por eles.

Há como ser um escritor incrível sem ser um leitor ávido? É possível, claro – mas não provável. E decididamente não é um caminho que me pareça muito inteligente.

Quer um lugar ao sol junto aos mestres da literatura? Comece pelo caminho mais fácil e óbvio: aprenda com eles.

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Uma visita aos mestres

Todos nós, autores, estamos seguindo uma trilha que nos foi aberta em 1439 por Gutenberg, quando este inventou a imprensa. De lá para cá, a humanidade produziu verdadeiras obras de arte e imortalizou a alma de poetas e de tempos em páginas.

No Brasil, a popularização da literatura – se é que se pode falar assim – veio séculos depois. Apenas em 1747 é que o primeiro livro pôde ser impresso no país, sendo este imediatamente seguido por milhares de outros que testemunharam a vida brasileira, os ares coloniais, o império, república, ditaduras, aberturas, amores, dores e todo tipo de sentimento que sempre fez com que penas, canetas ou teclas se unissem às mãos dos escritores como um único elemento.

Quem mora ou está visitando São Paulo tem a oportunidade única de testemunhar parte importante dessa nossa história literária: até o dia 2 de maio, a Pinacoteca do Estado abriga a coleção Brasiliana, do Itaú.

Lá será possível ver preciosidades inimagináveis como o primeiro livro impresso no Brasil, outro com uma dedicatória de Machado de Assis para José de Alencar e primeiras edições e manuscritos de Monteiro Lobato, Drummond, Oswald de Andrade, Clarice Lispector e tantos mestres que desenharam os contornos da nossa cultura.

Para quem é escritor, visitar a exposição é prestar uma homenagem aos antepassados – e uma honra que certamente será inesquecível.

Assim sendo, programa-se e, se necessário, arrume as malas. As primeiras letras do Brasil te aguardam na Pinacoteca.

Pinacoteca do Estado – pça. da Luz, 2, Bom Retiro, região
central, São Paulo, SP. Tel.: 0/xx/11/3324-1000. Ter. a dom.: 10h às
17h30 (c/ permanência até as 18h). Abertura 6/3. Até 02/05. Ingr.: R$ 6
(sáb.: grátis). Estac. grátis. Classificação etária: livre.

Primeiro livro impresso no Brasil

Livro com dedicatória de Machado de Assis para José de Alencar

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