O preconceito dos intelectualoides vazios e a realidade da literatura

Por algum motivo qualquer – provavelmente algum surto de ignorância coletiva daqueles que volta e meia eclodem na Internet – começou a circular pela rede uma horda de opiniões sobre “o fim da literatura”, alegando que só se encontra livros de autoajuda nas grandes livrarias.

Fica difícil até escolher por onde começar a fazer uma crítica, tamanha a superficialidade e a arrogância dessas opiniões. Mas vamos lá: tentemos.

O que é uma boa literatura?

Uma boa literatura é – e não há outra maneira de colocar isso – uma opinião. Simplesmente isso.

Quando comecei o Clube, há dez anos, ouvi quilos e mais quilos de críticas vazias quanto a algum meio de se certificar a qualidade do conteúdo dos livros aqui publicados. Certa vez perguntei a um dos críticos que tipo de livro ele prefere.

Vou evitar citar títulos aqui, mas dos 5 que ele citou, nenhum único chegava perto do que eu considerava uma obra minimamente razoável. Na minha opinião, portanto, todos eram livros péssimos.

Isso significa que todos fossem, de fato, péssimo? Somente se eu fosse arrogante ao ponto de achar que o mundo deveria viver e morrer pelo meu gosto pessoal. Não sou – ainda bem.

Qual o ponto que fiz com esse crítico? O de que um determinado livro pode ser excelente para ele e péssimo para mim e de que é justamente a pluralidade de opções que tem transformado o universo literário mundial e trazido tantos novos leitores para o nosso país (e para o nosso mundo).

Não existe, portanto, boa literatura. Existe literatura.

E quanto mais opções literárias existirem, maiores as possibilidades de mais gostos serem atendidos e de mais pessoas ficarem satisfeitas com mais histórias. É, estatisticamente, um ciclo virtuoso: percepção de qualidade efetivamente nasce da constatação de quantidade.

Dentre as opções e livrarias…

Os sujeitos que têm disparado contra o mercado literário brasileiro, criticando-o de ser “monotemático” e de expor apenas títulos de autoajuda, certamente não são consumidores de livros.

Se fossem e tivessem o hábito de perambular pelas prateleiras da Cultura, da Livraria da Vila, da Travessa ou de qualquer outra loja, facilmente babariam com a quantidade de opções e com a qualidade das obras. E, sim, uso a palavra “qualidade” aqui quase que com liberdade poética, pois é muito difícil se sair de alguma megastore sem encontrar ao menos uma quantidade de livros que se encaixem em seu gosto pessoal e que sejam capazes de durar por anos de leitura.

Ainda assim, mesmo considerando uma eventual inexistência de grande livraria nos arredores de todos, há a opção mais óbvia de todas: a Internet.

Aqui, por trás destas mesmas palavras que você agora lê, há sites e mais sites com TODAS as opções literárias existentes desde que Gutenberg inventou a prensa. Arrisco inclusive dizer que não há um único livro hoje que você não consiga comprar – seja ele usado, eletrônico ou mesmo novo.

E isso é fantástico tanto para quem gosta de autoajuda quanto para quem gosta de romances, de ficção científica, de poesia, de negócios, de religião ou de qualquer outro tema.

Qual o cenário para o futuro?

Como não canso de falar por aqui, o melhor possível.

Porque novas tecnologias e modelos de negócio – como o próprio Clube de Autores – viabilizam que uma infinidade de novas histórias ganhem novos leitores, abrindo horizontes literários e trazendo cada vez mais pessoas para esse mundo incrível da literatura.

As próprias grandes redes já entenderam isso e têm aberto um espaço inédito para autores independentes como maneira de diversificar as suas ofertas e de captar leitores que, até então, estavam perdendo.

E isso porque estamos apenas arranhando a superfície das possibilidades no Brasil. Quer um parâmetro de comparação? Mesmo com 85% de participação de mercado aqui no Brasil, o Clube de Autores deve fechar 2019 com algo entre 12 a 15 mil novos livros autopublicados. Sabe quantos livros foram autopublicados nos Estados Unidos no ano passado? Mais de 1 milhão.

A que conclusão chegamos? Há muito, muito espaço para a literatura crescer aqui no Brasil – mas, hoje, a variedade de opções que temos já é tão gigante que, seguramente, podemos afirmar que estamos hoje no melhor momento cultural que jamais estivemos.

E que só temos a melhorar.

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Livraria Cultura tem seu plano de recuperação judicial aprovado. Por que isso deve interessar a você?

O que devemos esperar do novo mercado editorial brasileiro?

Para que todos fiquemos na mesma página, é importante contextualizar o que, exatamente, foi esse processo de recuperação judicial que tanto abalou o mercado editorial brasileiro nos últimos meses.

Desde o começo do ano passado, as duas maiores redes de livrarias do país – Cultura e Saraiva – estavam com dificuldades grandes em honrar seus compromissos financeiros com editoras, autores e fornecedores de forma geral. Pode não parecer, mas foi um tsunami: juntas, afinal, essas duas redes representavam quase metade de todos os livros vendidos no país inteiro.

O que os planos de recuperação judicial incluíam?

De maneira geral, uma espécie de calote consensado. Apesar de pequenas diferenças nos acordos das redes com seus fornecedores, as propostas seguiam mais ou menos nessa linha:

  1. Em torno de metade de todo o montante que elas deviam (ou devem) aos fornecedores seria “perdoado” (ou seja, calote)
  2. A outra metade do montante devido, por sua vez, seria paga em suavíssimas parcelas ao longo de algo como 12 anos (!!!)

Já imaginou o efeito de algo assim para um pequeno editor, que já pagou gráficas para imprimir e distribuir suas tiragens, tem os seus compromissos com autores e funcionários e sempre agiu dentro das regras? Pois é: de repente, esse pequeno editor viu quase metade dos seus recebimentos ser ceifado por circunstâncias relativamente além do seu controle.

Relativamente, reforço.

Porque, no final, essas quase falências das duas redes devem ser vistos como um sinal de que o velho e antiquado mercado editorial já deveria ter se modernizado faz tempo.

Porque se, por um lado, não há como não sentir algum nível de pena do velho editor tradicional que trabalha como sempre trabalhou desde o início dos tempos, por outro não dá para considerá-lo também como culpado justamente por não ter inovado em seu próprio negócio. Convenhamos: imprimir grandes tiragens para distribuir de maneira consignada para centenas de livrarias, recebendo apenas quando elas alegarem as vendas?… Faz pelo menos dez anos, desde que o Clube de Autores começou e popularizou o modelo de impressão sob demanda, que isso não faz mais sentido.

Mercados que não se modernizam quebram: simples assim. Foi o que aconteceu com os velhos editores e livreiros. E não há como usar eufemismos aqui: o processo que culminou nos pedidos de recuperação judicial da Cultura e da Saraiva foi devastador para o mercado editorial tradicional brasileiro.

Ao mesmo tempo, foi o que abriu espaço para que novas empresas, dos mais diversos setores, começarem a trabalhar de maneira mais inovadora. Dei uma entrevista sobre o assunto recentemente, aliás, para a Record – veja no vídeo abaixo:

Como foi  crise para as novas empresas? 

Nós, que também distribuímos livros para a Saraiva (no caso de ebooks) e Cultura (no caso de impressos), também sofremos com os termos das recuperações judiciais. Dado o crescimento das vendas em canais aqui no Clube, o não recebimento foi um baque grande no caixa – até porque continuamos honrando todos os compromissos daqui, com gráficas e autores, apesar de amargar um prejuízo desnecessário.

Mas, ainda assim, 2018 foi o ano em que mais crescemos em toda a nossa história.

Por que?

Porque imprimimos sob demanda, o que dá um teto relativamente baixo de endividamento com livrarias. Porque temos muitos autores independentes aqui vendendo das mais diversas formas. E porque estamos abertos a todos os tipos de formatos e canais, o que significa que a nossa dependência das grandes redes nunca foi tão gigante assim.

Como o mercado editorial está agora?

Economicamente falando, o Brasil ainda não se recuperou da recessão que destroçou quem contava com um crescimento mais forte – e isso tem, claro, seus efeitos em qualquer mercado.

Mas eu diria que, no mercado editorial, os mais antiquados já pereceram e estão saindo de cena de vez.

Há novas empresas, há novos modelos, há mais ofertas para os consumidores. Ou seja: em que pese a persistência da crise brasileira, o mercado editorial está se reinventando. E isso, sim, é bom para todos.

Voltando às recuperações judiciais

Todo plano de recuperação judicial precisa ser aprovado pelos seus credores antes de ser oficializado. Em linhas gerais, funciona assim:

  1. A empresa apresenta a proposta de recuperação judicial em assembleia para os credores
  2. Enquanto a proposta estiver sendo avaliada, suas obrigações de pagamento do passado essencialmente cessam, congelando-se até uma aprovação ou reprovação final
  3. A partir daí, no entanto, todas as novas compras feitas pelas empresas precisam ser honradas nas datas (afinal, elas precisam continuar em funcionamento – o que significa que precisam continuar recebendo livros para venderem)
  4. Se a recuperação for aprovada, oficializam-se os passivos e as expectativas passam a ser controladas até o último centavo para evitar qualquer atraso (sob pena de falência)
  5. Se for reprovada, a falência passa a ser quase certa

A Cultura

Nesses últimos dias, a proposta de recuperação judicial da Livraria Cultura foi formalmente aprovado.

O que isso significa? Que muito provavelmente a rede sobreviverá à tempestade e permanecerá de pé.

Seu funcionamento já mudou bastante nos bastidores: os pagamentos referentes a compras feitas depois do anúncio da recuperação judicial foram todos feitos em dia, a empresa enxugou seus custos e estruturou um plano estratégico diferente do que estava habituada. Ou seja: ainda que por força de circunstâncias tensas, ela se modernizou.

Isso é bom para você? Sem dúvidas.

Porque sem a Cultura, criaria-se um vácuo imenso no mercado que seria fatalmente preenchido por alguma outra empresa. Até aí, tudo bem… mas que outras empresas estão à altura de ocupar um patamar tão alto aqui no Brasil?

Martins Fontes? Livrarias Curitiba? Leitura? Livraria da Vila? Todas têm seus pontos positivos, claro – mas quase todas são empresas excessivamente analógicas, algumas sequer com ecommerce, o que as coloca lá no século passado. Como esperar que empresas velhas ocupem um lugar deixado justamente pela falta de modernização de outra? Seria ingenuidade pura.

Restaria, portanto, apenas uma capaz de ocupar o vácuo: a Amazon.

E experiências no mundo inteiro já comprovaram que só quem ganha quando uma empresa como a Amazon vira monopolista natural em um mercado é a própria Amazon. É ela quem passa a determinar as regras do jogo, os preços de livros, os termos de relacionamento com os autores. E a todos esses, resta aceitar. Ou deixar de atuar no mercado.

A Amazon não parece ainda uma grande ameaça para o Brasil, principalmente com essa notícia da Cultura: ela (ainda, ao menos) não tem presença física (algo importantíssimo em nosso mercado) e nem massa crítica para se tornar líder inconteste de audiência, apesar do crescimento poderoso nos últimos meses.

Quero dizer com isso que a Amazon é uma inimiga que deva ser combatida? De forma alguma! Desde que ela não seja monopolista, ela é extremamente bem-vinda. Como toda concorrência, vale acrescentar.

E a Saraiva? 

Sabe a foto do buraco negro divulgada na semana passada pela Nasa? É a imagem que me vem à cabeça quando penso na Saraiva. Sim, ela é gigante e sua quebra seria um baque… mas tem sido difícil perceber uma saída para a rede principalmente quando o próprio mercado começa a reclamar que ela não está conseguindo fazer os pagamentos cotidianos mesmo depois de ter anunciado a recuperação judicial.

É possível que ela sobreviva? Claro. Torcemos para isso? Sim, desde que isso seja acompanhado pela criação de um modelo diferente de negócios, de algo mais inovador. Acreditamos que isso vá acontecer? Na minha humilde opinião, acreditar na salvação da Saraiva está crescentemente parecido com acreditar em unicórnios. Mas espero estar enganado.

Qual o resumo para você, autor independente? 

No passado, o mercado era dividido em duas grandes redes (Cultura e Saraiva) e um mar de “outros”. Não era um mundo bom para novos autores e nem para os consumidores. Eis a vantagem do capitalismo: por um motivo ou por outro, o próprio sistema expurga situações ruins.

O modelo, portanto, quebrou.

Veio a Amazon. Vieram os grandes marketplaces, de Estante Virtual ao Mercado Livre, posicionando-se como alternativa.  Vieram novos modelos de negócio, de assinaturas mensais a audiolivros.

O mercado se redesenhou e ficou mais dinâmico e competitivo.

Quem mais ganha com isso? Você.

Porque tamanho de acervo passou a ser um dos diferenciais entre os concorrentes – o que significa que todos os que até o passado fechavam as portas para autores independentes hoje os convidam ansiosamente para as suas prateleiras.

Se você, autor independente, ganha com isso, quem mais ganha? O leitor, óbvio, que passa a ter mais opções do que os best-sellers gringos que costumavam monopolizar as livrarias.

Em resumo: o plano de recuperação judicial da Livraria Cultura foi aprovado. Isso é ótimo para você, autor independente, que terá um canal de vendas poderoso cada vez mais disposto a vender os seus livros para um público imenso.

Que venham mais boas notícias assim!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Clube de Autores registra crescimento de vendas em canais e de livros publicados pela plataforma

O que os resultados do primeiro trimestre de 2019 dizem sobre o Clube de Autores e a autopublicação?

Houve uma espécie de ciclo virtuoso para a autopublicação como um todo desde que começamos a distribuir os livros em canais como Cultura, Estante, Mercado Livre, Amazon e outros. Sempre imaginamos, aqui no Clube, que isso mudaria a cara do próprio modelo de autopublicação – mas uma coisa é hipotetizar e outra, constatar.

Mudança cultural no perfil do cliente Clube de Autores

A primeira grande mudança que percebemos foi que as vendas feitas por consumidores finais – leitores – estão efetivamente migrando de local. Se, antes, comprar no site do próprio Clube de Autores era a única opção para os leitores de livros independentes, hoje o cenário é outro. Faz sentido, inclusive: não há como comparar a audiência do Clube de Autores com a de sites como Cultura, Estante ou Amazon. E considerando que ao publicar aqui, os livros são automaticamente (e gratuitamente) distribuídos por esses e outros ecommerces, nada mais natural que uma mudança importante no perfil, como pode ser ilustrado no gráfico abaixo:

O gráfico mostra a evolução do perfil do comprador do Clube nos três primeiros meses do ano (comparando 2018 com 2019). Ou seja: em janeiro de 2018, 19,63% dos compradores do Clube eram leitores; um ano depois, esse número saltou para 23,56%. O mesmo raciocínio se repete para fevereiro e março.

Por que esse número não é ainda maior – ainda?

Apesar do crescimento, era de se supor que essa proporção ficasse ainda maior. Por que ela não é? Porque, para que os livros sejam distribuídos nas livrarias, é fundamental que eles tenham o registro do ISBN – e nem todos têm.

Que sirva de alerta aos autores do Clube: maiores vendas dependem de uma maior distribuição e basta que você registro o ISBN – algo simples, rápido e extremamente barato – para isso. Clique aqui para saber como registrar seu ISBN por conta própria ou aqui para contratar ajuda de profissionais (caso deseje).

Vendas diretas x vendas por canais

A mudança de perfil veio junto com a mudança dos locais de venda, como comentamos acima. Veja no gráfico abaixo:

Há ainda uma outra informação “escondida” nesse crescimento de vendas por canais: o perfil da compra. Não é só que os canais tenham crescido 10% de 2018 para 2019: eles estão crescendo principalmente sobre as vendas a leitores finais enquanto as vendas diretas, ocorridas no Clube de Autores, tem sido cada vez mais geradas por pedidos maiores de autores.

Isso aconteceu desde que lançamos o modelo de vendas em grandes quantidades com gestão de estoque inclusa (veja aqui e aqui). Apenas para contextualizar esse modelo: desde o final do ano passado, o autor consegue descontos efetivamente imensos em compras acima de 500 exemplares com a vantagem adicional de não precisar estocar os livros em casa uma vez que nós mesmos cuidamos disso (a custo zero). É natural que uma oferta dessas mudasse o tipo de compra feita no Clube, o que de fato aconteceu.

Novos livros publicados por mês

Outra mudança importante aconteceu nesse primeiro trimestre: um crescimento grande na quantidade de novos títulos publicados por mês. E veja: estamos falando aqui apenas de novos livros – excluindo republicações ou reedições. O gráfico abaixo ilustra isso com clareza:

O que isso tudo significa?

Em linhas bem gerais:

  1. Apesar de ainda ter um apelo grande ao consumidor final, em grande parte por conta dos livros sem ISBN que contam com uma distribuição reduzida, o Clube de Autores está se tornando uma plataforma cada vez mais voltada para autores.
  2. Os canais, que cresceram 10% de 2018 para 2019, tendem a crescer cada vez mais e a superar o total de vendas de livros independentes.
  3. Pluralidade é chave: o mais importante desse crescimento é que não estamos falando de um canal de vendas: estamos falando de diversos, o que garante que o autor independente esteja virtualmente em todas as grandes livrarias brasileiras
  4. Há um ciclo virtuoso claro que se instala aqui: quanto mais canais, mais vendas; quanto mais vendas, mais novos autores tomam conhecimento da plataforma e publicam seus livros aqui; quanto mais publicações, mais livros são distribuídos por mais canais; e assim por diante

As previsões para 2019 são, portanto, intensas: o Clube deve crescer mais que o registrado no ano passado, abrindo cada vez mais espaço para que autores independentes encontrem seus leitores por todo o mundo.

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Livros do Clube de Autores passam a ser vendidos fora do Brasil

Há mercado para autores independentes fora das nossas fronteiras

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, cerca de 3 milhões de brasileiros estavam morando fora do país em 2016 – número que, ao que tudo indica, deve apenas ter aumentado nos últimos anos devido à crise recente pela qual passamos. Além deles, há também cerca de 50 milhões de cidadãos de outros países que falam português – um número extremamente expressivo por si só.

Claro: todas essas pessoas tendem a consumir livros vendidos localmente, seja em seus países de origem (Portugal, Moçambique, Angola etc.) ou nos países para os quais emigraram. Mas o fato é que, por sermos o país mais populoso (80% das pessoas que têm o português como idioma nativo vivem no Brasil), é natural que a maior parte dos livros em nosso idioma sejam brasileiros.

Quem vive fora costuma ter a opção, naturalmente, de comprar ebooks… mas ebooks representam uma parcela ínfima do mercado total (entre 2 e 3%).

Aqui entra a principal pergunta: onde essa massa de pessoas acha livros impressos em português, principalmente se estivermos falando de produções brasileiras?

A resposta: importando em sites nacionais (e pagando uma fortuna de frete) ou em esparsas livrarias espalhadas aqui e ali. Porque as opções realmente são mínimas.

Até agora.

Como as vendas internacionais foram viabilizadas?

O maior desafio é justamente a burocracia entre fronteiras. Para citar um exemplo, o frete para entrega de um livro nos Estados Unidos, por si só, pode custar três vezes mais que o valor do próprio livro – e levar cerca de um mês para chegar ao seu destino.

Já imaginou uma operação rodando assim – só que em escala? A administração seria tão ruim quanto a qualidade do serviço.

A solução para um problema desse tamanho passou por localizar e negociar com gráficas fora do país – e aqui entrou um novo problema.

O tradicional complexo de vira-lata brasileiro nos empurra sempre a acreditar que tudo o que fazemos já é feito – melhor – nos outros países. Nada pode estar mais longe da verdade.

São pouquíssimas as empresas no mundo que conseguem viabilizar a impressão sob demanda. O próprio Clube de Autores, diga-se de passagem, foi considerada a empresa mais inovadora do mundo no segmento de publishing pela Feira do Livro de Londres – e isso em 2014!

E foi um fato: achar gráficas capazes de imprimir sob demanda e entregar em outros países durou muito, muito tempo. Depois que achamos, fazer as integraçoes tecnológicas que viabilizassem o processo levou outro pedaço largo de tempo.

E de testes.

E de acertos.

Até que, no começo de fevereiro, colocamos no ar uma versão beta.

E agora? O Clube de Autores está entregando fora do país?

SIM!!!!

Desde meados de fevereiro já passamos a entregar para quase todos os países do mundo, como noticiado em primeira mão pelo Estado de São Paulo. O “quase” fica por conta de países como a Síria e a Venezuela, pois estruturas logísticas em países economicamente colapsados ou em guerra civil são quase inexistentes.

Estados Unidos? Canadá? Portugal? Reino Unido? França? Austrália? Todos esses – e mais algumas centenas – já estao aptos a receber livros do Clube.

Há limitações?

Em um primeiro momento, sim: apenas livros em tamanho A5 e A4 podem ser entregues – e apenas em capa brochura (ou seja, sem ser espiral ou capa dura). Ainda estamos trabalhando para viabilizar as impressões internacionais de livros em outros formatos (como pocket ou quadrado).

Ainda assim, os A5 serão impressos lá fora sem orelhas, tendo sido essa uma condição imposta a nós pelas gráficas de fora do país.

Mas estamos trabalhando para ampliar as características dos livros.

O que você deve fazer para que seu livro seja vendido fora do país?

Ele está publicado no Clube de Autores? Então você não precisa fazer nada.

Observe essa imagem de tela abaixo, aqui neste post. Ela se refere à página de carrinho de compra de um livro. Perceba que, dentre as opções de envio, adicionamos a “desejo receber fora do Brasil”.

É só isso: basta selecionar essa opção e o sistema fará a conversão para o dólar, moeda padrão para todas as transações, e permitirá que você escreva o endereço.

Simples assim.

O que você ganha com isso?

Essa é a mais simples das respostas: um mercado potencial de quase 55 milhões de leitores. Nada mal, hein?

Há próximos passos a serem dados?

É claro que há – e muito além da inserção de outros formatos e especificações de livros. Mas isso, por enquanto, ainda é um segredinho :)

 

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Como escrever um livro de sucesso

Quais os segredos para que o seu livro seja um sucesso?

Muitos se perguntam como, exatamente, os grandes escritores do mundo conseguiram se sagrar best-sellers e se alçar ao posto de grandes influenciadores do pensamento humano.

Há, é claro, o óbvio: a qualidade dos seus textos. Não há história que resista a um texto ruim, mal escrito, com personagens frágeis e tramas desconexas.

Mas se tudo dependesse apenas disso, grandes autores jamais teriam colecionado fracassos.

J. K. Rowling, a “mãe” de Harry Potter, foi rejeitada por 12 editoras antes de conseguir ser publicada. “Tempo de Matar”, de John Grisham, foi rejeitado por nada menos que 27 (!!!) editoras. “Carrie”, de Steven King, foi ainda pior: teve 30 rejeições. Aliás, dê uma olhada nessa listinha daqui para ter uma dimensão maior.

Todos eles, vale ressaltar, tinham as óbvias qualidades literárias que acabaram transformando-os em alguns dos maiores best-sellers da história da humanidade.

A primeira conclusão a que podemos chegar? Qualidade literária é fundamental, mas não é a única coisa que importa. O que mais um autor deve considerar?

1. Sonhe grande

Sabe a diferença entre um objetivo gigantesco e um pequenininho? O efeito deles.Sonhar grande dá o mesmo trabalho que sonhar pequeno.

Não tenha medo de sonhar em ser um best-seller. Ao contrário: nutra esse sonho, incentive-o, acredite nele custe o que custar. Até porque, convenhamos, se você não acreditar em si mesmo, como espera convencer um leitor?

Tem mais: só um sonho grande te forçará a agir de acordo, o que nos leva ao segundo ponto.

2. Tenha um plano claro

Onde, exatamente, você quer chegar? Se isso não estiver claro, se a ideia for apenas publicar e esperar os ventos e as marés trazerem resultados, esqueça: eles dificilmente chegarão. Você precisará assumir o comando do seu negócio – e isso inclui entender que um livro é, sim, um negócio.

E todo negócio precisa de um plano. Como o produto será finalizado? Como ele será lançado? Como ele alcançará influenciadores relevantes? Como ele será distribuído? como você manterá seu público engajado? Quanto você deseja vender e como imagina chegar nesse número?

São, sim, perguntas difíceis e complexas: mas você precisará responder a todas elas caso queira ter sucesso.

3. Publique uma obra de arte

Assegure-se de que o seu livro esteja realmente bom. Isso inclui trabalhar revisão, capa e diagramação, convidar ou negociar o trabalho de algum crítico que você confie e, enfim, transformar a obra em uma obra de arte.

Não sabe por onde começar? Há inúmeras referências na Internet – como essa aqui.  Pesquise, estude, siga as melhores práticas. Evite, sobretudo, cair na cilada de publicar algo “ruim” às pressas só por não saber como fazer para ter algo melhor. Quer um exemplo? Capa. Livros vendem pela capa – isso é tão verdade que virou até piada em círculos literários. De que adianta você correr para lançar o seu livro se uma das principais forças de venda dele – a capa – estiver ruim?

Isso deve fazer parte do seu plano, diga-se de passagem. Você precisa de uma capa boa. Como consegui-la? Pode ser com algum amigo artista, contratando algum profissional, negociando com alguma agência etc. Há inúmeras formas e, sim, você terá que se virar para descobrir a sua. O que você não pode ou deve fazer é ignorar e lançar algo “de qualquer jeito”. Traduza sempre o “de qualquer jeito” por “de jeito nenhum” e tenha claro de que não adianta nada cumprir um prazo de publicação para colocar algo que ninguém lerá no ar.

Nesse sentido, recomendamos que veja esse checklist aqui com tudo o que seu livro precisa para ficar pronto, finalizado.

4. Organize seu lançamento 

Sim, um lançamento é importante. Mais: ele é fundamental. Organize o seu. Há inúmeras opções para isso como fazer uma parceria com livrarias ou mesmo cafés ou bares locais. Tenha em mente o óbvio: você levará pessoas – os seus convidados – para esses lugares. E pessoas consomem – o que é precisamente o que todos os estabelecimentos comerciais buscam.

Esse post aqui pode te ajudar com uma série de dicas relacionadas à organização de um lançamento.

5. Garanta sua distribuição

É fundamental que seu livro esteja disponível no máximo possível de lugares. Garantir que todas as livrarias físicas o exibam não será algo exatamente fácil (ou mesmo viável) – mas isso não é um problema. Por que? Porque o principal lugar que as pessoas vão para encontrar um livro é sempre o mesmo: a Internet.

No caso de livros, isso significa que o seu deve estar nas principais livrarias online do Brasil.

Se seu livro está aqui no Clube de Autores, ótimo: nós já distribuímos para uma imensa gama de livrarias como Cultura, Estante Virtual, Amazon e outras, muitas outras. Para saber como publicar seu livro, dê uma olhada nesse post aqui ou nesse manual de autopublicação

6. Monte um plano de divulgação

Seu objetivo é responder à seguinte pergunta: como as pessoas saberão e se interessarão pelo menu livro? Há n maneiras de se responder a isso – mas o fundamental é que a resposta parta de você.

A própria Internet te dará uma imensa gama de dicas e conteúdos relevantes. Pesquise, converse, discuta, escreva seu plano. Facilitaremos o caminho por aqui: baixe esse guia de divulgação de livro, totalmente gratuito, feito com base em nossa experiência.

7. Permita-se errar, aprenda a acertar

Acredite: não há inovação sem erro. E todo livro novo é, quase que por definição, uma inovação. Por que estamos dizendo isso? Porque existe a possibilidade de alguma ação sua ser o fracasso. O nome do livro pode ser pouco impactante; a capa, mesmo sendo bem trabalhada, pode não chamar a atenção o suficiente; a sinopse pode ser pobre; o evento de lançamento pode ser um fracasso de público por algum motivo qualquer.

Problemas acontecem: aprenda a lidar com eles. Observe o que deu errado e busque a correção, seja alterando o produto em si ou organizando um outro evento.

8. Não fuja dos fatos brutos

Fatos brutos são aquelas realidades que doem. Quando lançamos algo tão pessoal quanto um livro, costumamos quase que caçar desculpas para eventuais fracassos. O livro não vendeu tanto quanto você imaginava? Não perca tempo achando alguém ou alguma coisa a quem culpar. Culpe-se a si mesmo: só assim você conseguirá mudar algo e dar uma guinada nos resultados.

Aceite a realidade que se colocar à sua frente, estude-e, ajuste seu plano para alterá-la.

9. Seja disciplinadamente resiliente

Essa talvez seja a maior das dicas. Sabe o plano que você montou lá no começo? Atenha-se a ele.

Sim, variáveis entrarão em cena, fatos não planejados cairão como bombas pelo seu caminho e problemas surgirão. Conte com isso.

E saiba manusear as suas ações para que elas sempre, sempre sigam em direção aos objetivos que você traçou em seu plano.

Se você fizer isso, garantimos: os resultados virão.

 

 

 

 

 

 

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