Morram de inveja, finlandeses e suecos

Nos últimos anos tivemos Lava-Jato, impeachment, dezenas de ultrapoderosos e multimilionários presos, crise seguida por recessão, intervenção militar depois que a nossa segunda maior cidade entrou em colapso completo, brigas e incongruências entre os quatro poderes (os três “oficiais” e nós, a população), Copa do Mundo e, agora, eleições.

Fico imaginando a vida em algum lugar como Finlândia ou Suécia. Sim: deve ser de uma calma por vezes invejável, com uma estabilidade utópica para nós aqui deste lado do equador e uma facilidade para se tocar a vida que sequer conseguimos imaginar.

Mas olhe o lado positivo: a quantidade de assunto que temos aqui é de causar inveja a qualquer finlandês ou sueco.

Para nós, escritores, então, é um prato cheio. Já imaginou a quantidade de panos de fundo ou enredos que podemos desenvolver a partir da mera observação das tantas óperas que se desenrolam no nosso dia-a-dia? O tanto de personagens que podemos criar a partir de modelos que vão de supervilões a superheróis? O volume de ficção que podemos sugar a partir da assombrosa não ficção que nos inspira cotidianamente?

Nosso país pode estar em um dos momentos de estresse mais histéricos da história – mas pelo menos não podemos reclamar de falta de inspiração para que nos transformemos, em um futuro breve, na nação com maior potencial de produção de literatura de todo o globo!

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10 piores capas e títulos da história

Na quarta passada, fiz um post aqui no blog com base no site Megacurioso. Bom… navegando um pouco mais, acabei me deparando com outra matéria – hilária – que também não podia deixar de postar aqui.

Afinal, se podemos nos inspirar com dicas para se escrever melhor, também podemos rir um pouco e evitar seguir exemplos absolutamente estapafúrdios! Dê uma olhada nesse link: http://www.megacurioso.com.br/papo-de-bar/69398-10-piores-capas-e-titulos-de-livro-na-historia-da-literatura.htm

Exemplos? Que tal um livro chamado “Comer pessoas é errado”? E outro chamado “Como ter sucesso no trabalho sem um pênis”??

Pois bem. Hoje é segunda-feira de Carnaval, dia perfeito para rir um pouco.

Assim sendo, clique aqui e divirta-se!

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Sobre a variedade dos estilos

Eu me considero um leitor ávido.

Entre audiolivros e impressos – por algum motivo qualquer nunca me dei muito bem com ebooks – devoro algo como 3 ou 4 livros todo mês.

Hoje, estou lendo Memorial de Maria Moura, de Rachel de Queiroz, e, simultaneamente, ouvindo O Mestre e Margarida, do russo Mikhail Bulgakov. Sim: é óbvio que as histórias e a sapiência destrancada por essas duas obras primas são absolutamente inspiradoras. Mas há mais.

Há muito mais.

Em Memorial de Maria Moura, Rachel de Queiroz cruza diversas narrativas em primeira pessoa partindo de pontos de vista diferentes. Ora a própria Maria Moura fala seus pensamentos, ora seus primos Tonho e Irineu, ora o Beato Romano e assim por diante. A história se auto-costura a partir de visões individuais que, majestosamente entrançadas, constroem uma das epopéias sertanejas que mais marcou a nossa literatura.

A ótica narrativa de Bulgakov não é o que impressiona, embora seja incrivelmente sofisticada: a história é que salta aos olhos. O Mestre e Margarida foi escrito pouco tempo depois da revolução soviética e descreve uma Moscow cambaleante entre os distantíssimos ideais utópicos do comunismo e a mais corrupta realidade. Mas ele vai além: um dos protagonistas é o próprio Satanás, que descreve para poetas o que ele chama de história real de Jesus Cristo – uma história absolutamente diferente da que ouvimos, com um Jesus órfão de pai e mãe e originalmente seguido apenas por um discípulo, Mateus. Satanás leva aos moscovitas sua trupe, que inclui um gato gigante falante, uma ruiva que anda nua e dois “capangas” esquisitíssimos. Ainda assim, entre tanta exoticidade, ele tece uma história de amor belíssima entre um escritor e sua musa, uma história tão tradicional quanto surreal.

Costumamos “classificar” os livros que mais amamos pelas suas histórias. Isso pode ser um erro.

A forma da narrativa, em alguns casos, é tão ou mais importante por ter justamente a capacidade de nos catapultar de maneira decisiva para dentro das tramas.

Como escapar da curiosidade de entender uma história a partir das óticas de todos os personagens? E como não ficar preso a uma narrativa surrealista, que conta como a mais pura verdade situações tão impensáveis quanto um paletó vazio despachando ativamente em um prédio do governo ou notas de dinheiro caindo do céu de um teatro para, pouco tempo depois, se transformarem em rótulos de whisky ou abelhas zangadas?

Não é só o conteúdo que deve inspirar leitores e autores. Os mestres, os verdadeiros mestres, revolucionam a partir de onde menos esperamos: na própria maneira de colocar no papel o que as suas imaginações enxergam.

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