Conheça uma galeria de inspiração para capas de livros

Na quarta fiz um post falando sobre a importância de capas de livros. Não poderia reforçar mais esse ponto: uma boa capa é absolutamente fundamental.

Mas, aqui, não gostaria de ficar me repetindo: gostaria de ir um pouco além, mostrando alguns caminhos. Ou um caminho, pelo menos.

Uma das coisas mais fabulosas da Internet é que ela organiza, à sua maneira tecno-anarquista, um volume impensável de inspirações artísticas. Pois bem: este, que recomendo agora, é apenas um deles: uma galeria imensa no Pinterest dedicada a design de capas.

Veja. Pense na sua história. Inspire-se.

O link direto? Clique aqui ou acesse o https://br.pinterest.com/explore/book-cover-design/

Leia Mais

Zeitgeist e a inspiração que nasce dos tumultos de nossos tempos

Zeitgeist é uma palavra alemã que significa “espírito do tempo”. Sua aplicação prática: entender qual o conjunto de valores que está efetivamente movendo uma sociedade em um dado momento para que se consiga tomar proveito disso.

O “tomar proveito”, nesse caso, significa surfar a onda de uma comoção popular já formada e, portanto, deixando algo que se queira vender (seja um produto ou uma história) com uma vantagem fundamental. E, apesar do conceito parecer recém saído das páginas de um livro de marketing, ele já era essencial há séculos.

Tome Shakespeare, por exemplo.

Todas, absolutamente todas as suas grandes peças tiveram os seus enredos baseados em fatos que estavam mexendo com o imaginário popular. Othello foi escrito quando Elisabeth I expulsava os mouros de Londres; o Rei Lear se baseou em um caso jurídico real que se transformara na grande fofoca do reino; MacBeth foi feita para celebrar, por meio de metáforas, a linhagem do monarca James I , para quem a peça foi escrita.

A receita de Shakespeare sempre foi simples (o que, ressalvo, não subtrai em nada a sua genialidade): entender o que estava movendo o povo e criar uma peça que metaforizasse o momento para angariar um tipo mais entusiasmado de atenção.

O bardo, no entanto, viveu em um tempo de poucas imensas mudanças sociais – o oposto do nosso.

Nossos tempos são mais agitados: há pequenas revoluções, por assim dizer, acontecendo a cada par de dias. Olhe para a política brasileira: não há uma só semana em que tudo não esteja na iminência de uma ruptura completa.

Olhe a política americana: não dá para dizer que a eleição de Trump, com todas as suas promessas xenófobas e radicais, vá pacificar o planeta.

Olhe para os refugiados do Oriente Médio, para a falta de preparo da Europa em recebê-los e para o absoluto caos gerado por causa disso. Olhe para o Brexit.

Olhe ao seu redor.

O mundo tende a ser um lugar muito, mas muito mais tenso do que o que já foi em qualquer ponto do passado pós revolução industrial.

E por que isso tem alguma relevância em um blog que gira em torno de escritores?

Porque, se me permitem a frieza, nunca um mundo entregou tanto zeitgeist e tanta inspiração para histórias.

Esse lugar quente, feito de cataclismas semanais e de radicalismos diários, é uma espécie de paraíso para mover mentes e corações e gerar clássicos talvez muito mais intensos que os da Inglaterra Shakespeariana.

Para quem está do lado de cá da tela, apenas acompanhando a literatura moderna enquanto ela se forma, é um tempo que se pode traduzir no mais puro entusiasmo.

Para quem está do lado daí, torna-se cada vez mais imperativo saber como aproveitar bem esse nosso mundo tão inclinado a se revolucionar.

apocalypse-earth-exploding

Leia Mais

Não se esqueça: tem bienal acontecendo em SP

E não, não estou falando da Bienal de Literatura. Pode parecer esquisito dado que este é um blog totalmente dedicado a livros, mas as grandes bienais de literatura se transformaram em feirões exaustivamente gigantescos sobre papel (e não sobre histórias). São poucas, pouquíssimas as novidades que realmente podem ser encontradas nos seus pavilhões e que não possam ser degustadas, por exemplo, em uma das tantas livrarias deliciosas que polvilham qualquer cidade média.

Em minha modesta opinião, bienais tem que cumprir um papel que vai muito, mas muito além de expor livros que não precisam delas para serem expostos. Bienais precisam inspirar.

Inspirar leitores a lerem mais, inspirar autores a escreverem mais, inspirar o país como um todo a se vestir melhor com mantos culturais fundamentais para a nossa evolução. E, enquanto as bienais de literatura não cumprem esse papel – ao menos a meu ver – há outra que vale a pena: a Bienal de Artes de SP.

Sim, ela é restrita a uma cidade: a capital paulista. Mas se você mora longe daqui, é o tipo de evento para o qual vale considerar uma viagem. As loucuras pelas quais se pode enveredar no pavilhão do Ibirapuera, incluindo instalações insanas e obras para lá de disruptivas, são suficientes para instigar mesmo as mentes mais cansadas.

A arte que se vê por lá vai muito além da que se costuma encontrar em museus: ela pinta o mais puro caos de pensamentos. E há alguma coisa mais inspiradora do que mergulhar no caos?

Se concorda comigo, programe-se: a Bienal estará ativa até o dia 11 de dezembro. Para saber mais clique aqui, na imagem abaixo ou vá diretamente ao link http://www.32bienal.org.br

Screen Shot 2016-10-24 at 10.47.03

Leia Mais