O que descobrimos aqui em Guadalajara? Nós mesmos.

Reputação é uma coisa curiosa.

Quando estamos imersos em nosso trabalho, garimpando novos mercados e abrindo novas estradas para os autores independentes, acabamos tão assoberbados que sequer paramos para olhar no espelho.

Trabalhamos de sol a sol, sem finais de semana, nos revezando noites adentro e tapando com os músculos as tantas brechas deixadas abertas em um mercado essencialmente definido pela gambiarra – o mercado brasileiro.

Aí, quando saímos e começamos a falar com quem é de fora, nos percebemos.

Isso pode parecer arrogante – e peço perdão se o for – mas uma das coisas mais curiosas que descobrimos aqui no México foi… o Clube de Autores.

Cada vez que contamos o que fazemos, que mostramos o volume de livros publicados, o alcance dos acordos que fizemos com livrarias, a quantidade de histórias publicadas aqui e que pavimentam os seus caminhos para as casas de milhões de autores, recebemos de volta olhares incrédulos e bocas abertas.

Houve uma ocasião em que foi necessário abrir o nosso sistema para mostrar que os nossos números eram esses mesmos, que não estávamos exagerando ou mentindo.

E vejam… apesar de trabalharmos há mais de 9 anos aqui no Clube, somos encarados mundo afora como novidade, como uma espécie de luz no fim do túnel de um mercado que já se sabe incapaz de lidar com o próprio futuro.

Colhemos esses mesmos olhares anos atrás, na Feira de Londres de 2014, quando inclusive fomos premiados como projeto mais inovador do mundo do segmento editorial – mas isso foi há 4 anos. 4 anos. Uma eternidade em nossos tempos.

Ainda assim, aparentemente, continuamos novos. E diferentes. E bem distantes do “tradicional”.

Um autor do Clube uma vez me disse que o segredo do sucesso está em se envelhecer permanecendo eternamente jovem. Palavras sábias, as dele.

E responsabilidade grande, essa nossa.

Que essa juventude empresarial, por assim dizer, perdure até o infinito – e que ela já nos traga muitos, muitos frutos vindos dos quatro cantos do mundo que somente agora começamos a explorar.

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Sobre os deuses Caos e Eros

Segundo os gregos, Caos foi a primeira divindade do universo, a primeira de todas as consciências supremas. Suas características: a desunião, a ausência, a confusão, a cisão.

Pior que o nada, o caos era uma espécie de pandemônio em que tudo o que existia morava em um caldo conflituoso, amorfo. Ele tinha um oposto que surgiu algum tempo depois: Eros, divindade que representava justamente a união dos elementos na primeira estipulação de ordem do universo.

E por que isso é importante? Porque há, obviamente, doses de caos em tudo o que nos cerca hoje.

Sempre que se percebe conflitos, ineficiências, frustrações em aspectos profissionais ou pessoais, é porque há algum tipo de manifestação de Caos na vida cotidiana.

E Caos pede Eros assim como confusão pede ordem.

Problemas, seja no âmbito pessoal ou profissional, pedem soluções. E a melhor maneira de se inovar é justamente perceber as pequenas ou grandes manifestações de Caos que transitam pelo cotidiano de um determinado perfil de público.

Quanto mais forte e disseminado esse caos, mais intensa é a oportunidade de negócio a ser buscada.

Muitos acreditam que inovar é sobre criar uma solução elegante para alguma coisa qualquer e esquecem que o ponto mais importante é detectar um problema concreto, crítico, a ser resolvido. Mas inovar não é ciência criativa: é a arte de perceber problemas reais, de enxergar o Caos em seus mínimos contornos.

A solução, tal como Eros, é o que vem depois. É o segundo passo.

Ou, colocando em outros termos: não há livro ou história que sobreviva à falta de conexão com a realidade, os sonhos ou as angústias de seus leitores.

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