Este ano (provavelmente) não estaremos na FLIP

No post da quarta passada, comentei sobre a indesculpável não realização do Prêmio Clube de Autores de Literatura Contemporânea.

Agora, já abro uma nova decisão: provavelmente não participaremos da FLIP.

Sim, eu sei: colocar a palavra “provavelmente” à frente de uma “decisão” soa como contrasenso, como uma desculpa para que possamos voltar atrás. E até pode ser – mas, hoje, agora, não enxergamos nenhuma motivação para voltar a Paraty.

Já fomos por anos – muitos anos. Em todos eles abrimos as portas da nossa casa, recebemos autores, nos envolvemos em papos absolutamente intensos e inspiradores.

Mas, nos últimos dois anos – principalmente no último – , o próprio teor da Festa Literária Internacional de Paraty mudou…

As ruas da cidade minguaram com a crise, a violência escalou na região, o clima de pessimismo dos editores e livreiros presentes contagiou todo o centro histórico com lágrimas e tristezas.

Para nós, só há crise no mercado editorial brasileiro porque os editores e livreiros insistem em rasgar suas intenções de inovação e em publicar apenas o que vem pronto, empacotado, de fora do Brasil. (OK, com uma exceção: os autores que já são best sellers brasileiros também ganham passe livre para o mercado).

Mas e o espaço para os novos, os independentes? Nada.

Sem nós, os autores independentes, não há renovação na literatura. Sem nós, os autores independentes, há apenas um velório das letras brasileiras.

A FLIP se transformou nisso: em um evento para que todos babemos nos autores estrangeiros e velemos os novos brasileiros. A FLIP, infelizmente, se transformou no oposto do que o Clube representa.

Tomara que mude – era um evento fantástico.

Mas, até lá, nós estaremos fora. Até lá, vamos pensar em algum outro evento para dar mais espaço aos independentes.

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Autores se autoempresariando

Em fevereiro do ano passado, publiquei um texto aqui no blog chamado de “se autoempresariando”. Reproduzo-o quase na íntegra aqui, hoje.

O motivo? Um dos temas mais recorrentes na Flip da semana retrasada foi justamente as mudanças no papel do autor: deveria ele se concentrar em escrever ou dividir os seus esforços entre escrever e divulgar, marqueteando-se? Sempre defendemos aqui no Clube que não há, em nosso mercado atual, janela de sucesso para escritores que não estiverem dispostos a se esforçar e a trabalhar para expor as suas obras – e isso foi mais do que confirmado nas mesas que conduzimos e que presenciamos lá em Paraty.

Hora perfeita para republicar o post do ano passado, aliás. Ei-lo:

Muita coisa mudou nesses quase 6 anos desde que o Clube foi fundado: o mercado editorial se abriu bastante, as editoras tradicionais abandonaram a ideia de lutar contra ebooks e o preconceito contra a autopublicação praticamente desapareceu. Não foi fácil: lembro inclusive de uma palestra que dei na Bienal de SP onde fui apresentado como “uma das pessoas que estavam destruindo o mercado editorial”. E o que estava fazendo? Apenas lançando o Clube de Autores como um espaço mais democrático para se publicar livros sem que nossos conhecimentos e experiências ficassem dependentes do julgamento de editores mal humorados e sempre ocupados demais para ler.

Não vou dizer que sou recebido com muito entusiasmo por todos os editores em eventos ou reuniões – principalmente nos que atuam com autopublicação paga, em que escritores precisam comprar uma tiragem mínima de exemplares para que a “engrenagem” rode. Mas há, hoje, uma noção mais generalizada de que o mercado editorial está passando por uma mudança que vai muito, muito além do (chatérrimo e irrelevante) debate entre livros impressos versus eletrônicos.

A questão agora é outra.

Se, no passado, o mercado editorial era pautado pela escassez, com poucos títulos criteriosamente selecionados por editores, hoje ele é pautado pela abundância.

Se, no Brasil, havia 50 mil títulos publicados anualmente, hoje há mais de 5 mil que vem apenas aqui pelo Clube de Autores – 10% do total. E isso sem contar com as tantas outras formas de publicação e autopublicação existentes no mundo.

Em que isso implica? Na mudança dramática de papel de um autor.

Quer ter sucesso no mercado literário? Então entenda que escrever bons livros é apenas uma parte de uma fórmula extremamente complexa. E o motivo é simples: há simplesmente muita gente que escreve livros incríveis competindo por um número de leitores que não é infinito.

Nesses últimos 6 anos convivemos, diariamente, com dois tipos de autores: os que culpam o mundo e os que culpam a si mesmo.

Explico a diferença.

Quando não se tem a noção do tanto que se precisa trabalhar para divulgar um livro – incluindo a organização de lançamentos, de uma estratégia de presença, da construção de um público em redes sociais etc. – é natural que uma frustração pela quebra do romantismo apareça. Não se trata apenas de escrever e esperar o Jabuti ou o Nobel: é preciso trabalhar mais do que jamais se imaginou.

Com essa conclusão em mente, muitos autores começam uma rotina de caça aos culpados: consideram que o preço é o vilão, xingam o pouco hábito de leitura dos brasileiros, reclamam de pouco incentivo do governo, sentem-se incompreendidos. Esses, infelizmente, acabam trilhando um caminho mais difícil (ou mesmo improvável) até o sucesso.

Mas há outros autores que entendem que sucesso em um mercado concorrido como o literário está mesmo longe de ser fácil. Esses culpam a si mesmo, o que acaba sendo uma opção muito mais prática. Por quê? Porque quando se culpa os outros não ha espaço algum para se aprimorar ou se corrigir – afinal, o problema está fora de si.

Quando se culpa a si mesmo, por outro lado, reconhece-se falhas e erros que podem facilmente ser corrigidos com empenho, dedicação e estudo tomando como base teorias e experiências de outros autores encontradas na própria rede.

Ou, colocando em outros termos, culpar a si mesmo é o primeiro passo para que um autor se transforme em empresário de si mesmo, entendendo que cabe apenas a ele pavimentar o caminho para o sucesso que ele merece. Dá mais trabalho? Sem dúvida.

Mas a única maneira de conseguir um futuro dourado na literatura é justamente passando por mais aventuras que o mais aventureiro dos personagens de ficção. Reclamar, afinal, nunca resolveu nada na vida.

 

 

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Ainda pensando sobre ir à Flip? Aproveite a crise! :-)

Finalmente, chegou o evento que todos nós, aqui do Clube, mais esperamos: a Flip.

Já postei aqui no blog, na semana passada, a nossa programação – mas há todo um outro mundo de eventos literários que transformarão Paraty em uma espécie de paraíso para todos os amantes da literatura.

E, se a crise tem sido um motivo justo de reclamação por parte de todos nós, cidadãos, por outro há também o aspecto da oportunidade. Como?

Paraty é conhecida por seus preços altíssimos de hospedagem durante eventos como a Flip: pousadas e hotéis parecem querer tirar todo o lucro do ano em uma semana. Bom… a quantidade de hotéis e pousadas com vagas ainda hoje, nesta semana, é alta – pelo menos de acordo com o que autores tem nos relatado. O que isso significa?

Preços promocionais e maiores facilidades para quem quiser aproveitar o evento. Nossa dica, portanto, é quase óbvia: se ainda estiver pensando em ir ao evento, programe-se e dê um jeito.

E, claro, não esqueça de dar um pulo lá em nossa casa, bem na entrada do Centro Histórico, no número 375 da Rua da Lapa :-)

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O que aconteceu na Flip?

Os mais críticos bradaram reclamações para os quatro cantos: disseram que o evento nunca esteve tão vazio, que Paraty estava despreparada, que um cancelamento de última hora por um dos autores-estrela havia estragado tudo.

Honestamente? Em 5 anos, essa foi a melhor Flip de todas – ao menos para o Clube.

Com ruas que realmente estavam menos abarrotadas – ainda bem – foi possível caminhar com mais atenção pelo evento. Foi possível conhecer mais gente, participar de mais eventos abertos sem a sensação de estarmos em um metrô abarrotado.

Nossa casa lá recebeu convidados incríveis, incluindo Susanna Florissi, que debateu sobre crise vs. oportunidade no mercado editorial; Newton Neto, do Google, falando sobre ebooks; Júlio Cruz contou toda a sua experiência arrecadando mais de R$ 20 mil via crowdfunding para seu primeiro livro; e assim por diante. Só eventos incríveis e absolutamente enriquecedores marcaram a Casa do Clube lá na Flip, o que acabou gerando um ambiente incrível até para gerar novidades aqui para nós.

Neste momento, passada quase uma semana desde o evento, estamos terminando de digerir tudo para montar os planos para este semestre. Uma coisa posso garantir: muitas, muitas novidades estão por vir aqui no Clube.

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