Há como escrever biografias reais?

Sim, eu sei que a pergunta é difícil – e já peço desculpas aos biógrafos que aqui me lêem.

Mas, recentemente, estou mergulhado de cabeça na tarefa de escrever a biografia de um atleta sul africano e heróis de guerra, um tal de Phil Masterton-Smith.

Mergulhado é pouco: já conversei com a irmã de 94 anos dele diversas vezes, já fiz amizade com sobrinhas e familiares, já bati papo com colegas de regimento, já capturei documentos oficiais da Segunda Guerra, já até me planejei para repetir um dos seus feitos, pedalar 1700km pela África em 10 dias e correr uma ultramaratona de 89km no dia 11.

E a história, modéstia à parte, está mesmo tomando uma forma belíssima. Mas sabe onde essa dúvida do título me bateu?

Nas partes entre datas e fatos documentados. Biografias, concluí, são sempre compostas de três partes: os inegáveis fatos, os dedutíveis pensamentos e as filosofias de vida quase sempre obscuras, íntimas demais para se fazerem realmente sabidas.

O que Phil, por exemplo, estava pensando antes de embarcar em um ou outro caminho de sua vida? O que ele buscava, realmente? E do que era composta aquela “matéria negra” tão vasta, tão maior, que circundava cada decisão sua.

No meu caso – como no caso de qualquer biógrafo – não há como saber.

Há, no entanto, como projetar, como encaixar filosofias entre ações, fatos e dados do biografado. A grande questão é que, no fundo, essas filosofias partem invariavelmente de uma única pessoa: do autor.

Assim, um biografado não é apenas uma pessoa real, que viveu sua vida e fez suas coisas: ele é também, ainda que em parte, um personagem de ficção, parido e criado pela mente do seu autor.

Volto, portanto, à pergunta do título: há como escrever biografias reais? Minha conclusão: não.

Biografias, no final, são sempre peças de ficção baseadas em fatos verdadeiros.

Mas a história da humanidade inteira não é também escrita exatamente desta forma?

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Aprendamos com os gregos

Na Grécia antiga, a Olimpíada era uma competição esportiva entre os melhores atletas da região com o objetivo de homenagear Zeus. Durante os dias em que as exibições ocorriam, guerras eram suspensas e a paz suprema reinava entre todos os povos de maneira inquestionável.

E como isso homenageava Zeus, o deus dos deuses, filho de Chronos? Mostrando uma espécie de perfeição da energia da espécie, usando os feitos esportivos campeões como exemplo do quão capaz era a humanidade como um todo.

As Olimpíadas, na Grécia antiga, eram muito mais filosóficas do que atléticas – até porque mal existia uma linha que separasse os dois conceitos.

Hoje, talvez, não seja diferente. Hoje, mais de 3 bilhões de pessoas no mundo todo param para ver o que atletas dos 5 continentes tem de melhor. Testemunham contorcionismos embasbacáveis das ginastas; velocidades guepárdicas de corredores; força paquidérmica de levantadores de peso; fluidez de nadadores que invejam golfinhos; e um tipo de garra que apenas nós, humanos, conseguimos ter. Há mais para as Olimpíadas do que o mero esporte: há a exibição do que os nossos corpos, motivados pelas nossas mentes, são capazes.

Na Grécia antiga, as Olimpíadas eram fonte de inspiração para os mais diversos gênios – incluindo, para ficar apenas em um dos maiores contadores de história da humanidade, Homero. Os feitos que aproximavam homens de Deuses davam margem a personagens, a épicos, a mundos que existem apenas na imaginação de quem testemunha heróis.

Aprendamos mais com nossos ancestrais gregos, a quem tanto devemos. Esses dias em que vivemos são dias de parar, contemplar e deixar o heroismo alheio entrar pelas nossas pálpebras, tocar os nossos corações e gerar impulsos em nossos dedos ávidos por contar histórias.

Ancient Greece, race illustration

 

 

 

 

 

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Destaque da semana: Reflexões filosóficas, de Silvério da Costa Oliveira

Se você está acompanhando a nossa página no Facebook, verá que estamos postando uma série de pensamentos de filósofos e outros mestres da literatura mundial. Mas é claro que, por trás das frases aparentemente soltas, há uma densidade impressionante de raciocínios e olhares sobre a vida, o mundo e a existência como um todo.

Como autores, todos temos quase que a responsabilidade de beber das fontes que tanto inspiraram o mundo a se transformar ao longo dos últimos séculos – e um livro que sirva de introdução à filosofia é um bom começo.

Esse é o propósito de Reflexões filosóficas, que se destacou no Clube essa semana. Veja na sinopse:

Este livro se apresenta como uma introdução à filosofia e psicologia destinada ao público universitário das referidas áreas ou de áreas afins, bem com, a qualquer um que tenha por característica o interesse informativo por filosofia, isto em virtude da linguagem empregada ser acessível e dos conteúdos se apresentarem numa forma crescente de informação, onde procura-se ir de um nível mais introdutório para um mais profundo.

Dentre os temas desenvolvidos temos: o pensamento de Sartre e sua relação com a angústia, a ética em Aristóteles e Kant, o desenvolvimento paulatino do pensamento kantiano expresso na Crítica da Razão Pura, o desenvolvimento do pensamento filosófico de Tobias Barreto e sua relação com I. Kant, o filósofo Nietzsche, a psicanálise de Sigmund Freud (apresentada de forma bem introdutória), a lógica moderna, além de textos sobre: liberalismo e educação, a comunicação no Brasil de hoje, estudo teórico sobre o sucesso literário, a morte, o poder etc.

Curtiu? Então acesse a página do livro clicando aqui, na imagem abaixo ou diretamente no link http://clubedeautores.com.br/book/143225–Reflexoes_filosoficas

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