Morram de inveja, finlandeses e suecos

Nos últimos anos tivemos Lava-Jato, impeachment, dezenas de ultrapoderosos e multimilionários presos, crise seguida por recessão, intervenção militar depois que a nossa segunda maior cidade entrou em colapso completo, brigas e incongruências entre os quatro poderes (os três “oficiais” e nós, a população), Copa do Mundo e, agora, eleições.

Fico imaginando a vida em algum lugar como Finlândia ou Suécia. Sim: deve ser de uma calma por vezes invejável, com uma estabilidade utópica para nós aqui deste lado do equador e uma facilidade para se tocar a vida que sequer conseguimos imaginar.

Mas olhe o lado positivo: a quantidade de assunto que temos aqui é de causar inveja a qualquer finlandês ou sueco.

Para nós, escritores, então, é um prato cheio. Já imaginou a quantidade de panos de fundo ou enredos que podemos desenvolver a partir da mera observação das tantas óperas que se desenrolam no nosso dia-a-dia? O tanto de personagens que podemos criar a partir de modelos que vão de supervilões a superheróis? O volume de ficção que podemos sugar a partir da assombrosa não ficção que nos inspira cotidianamente?

Nosso país pode estar em um dos momentos de estresse mais histéricos da história – mas pelo menos não podemos reclamar de falta de inspiração para que nos transformemos, em um futuro breve, na nação com maior potencial de produção de literatura de todo o globo!

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Exercitando o ócio criativo

Certa vez, um escritor amigo meu me ensinou um exercício que achei extremente interessante: criar enredos a partir de pessoas anônimas que cruzamos nas ruas.

Olhe para a frente. Sabe aquele sujeito ou aquela mulher que você nunca viu antes na vida mas que, agora cruza seu horizonte? E se você a transformasse em protagonista de uma história qualquer agora, inventando um par romântico, uma trama carregada de tensão, um destino de crueldade singular?

Claro: pode ser que a história em si não dê em nada, que ela não seja digna sequer de entrar no papel. Mas o ponto não é esse: inventar, afinal, é sempre um bom treinamento para nossos “músculos criativos”. E, além de treinamento, convenhamos… é um exercício no mínimo divertido :)

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Como funcionam os direitos autorais sobre Fan Fics?

Há algum tempo atrás, fiz um post sobre um site que todo autor deveria conhecer, o meudireitoautoral.com . Em linhas gerais, ele contém uma série de conteúdos de extrema relevância sobre, obviamente, os direitos e deveres que todos temos ao criar obras literárias.

E, como tudo nesse nosso mundo moderno, há sempre mais zonas cinzentas do que pretas e brancas.

Uma delas refere-se a Fan Fics – livros escritos por fãs de enredos já conhecidos, utilizando como pano de fundo cenários ou personagens, mas com histórias completamente originais. Exemplo: uma história que se passe em Hogwarts, terra de Harry Potter, mas que sequer cita os famosos personagens magos.

Como funcionam os direitos autorais nesse caso?

Bom: há um post no MeuDireitoAutoral exatamente sobre isso. Se você é autor de uma FanFic, recomendo seriamente que leia clicando aqui ou na imagem abaixo!

http://www.meudireitoautoral.com/fanfiction-direitos-autorais/

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1Q84 e a Lei de Tchekhov

Tchekhov dizia que, se um revólver aparecesse em uma cena qualquer de uma história, é porque ele eventualmente seria disparado. 

Histórias, ao menos sob a ótica do mestre russo, não tinham espaço para elementos supérfluos, para desnecessidades. Nas histórias, tudo devia ser calculado, medido, intercalado em uma relação simbiótica de causas e consequências.

Tudo devia ser construído para conduzir a concentração do leitor pela imaginação do autor: qualquer possível desvio, qualquer brecha deixada por descuido poderia soprar a imaginação do leitor para longe, fazendo-o criar versões paralelas repletas de “se’s” e costurar hipóteses que seriam, em essência, estradas abertas para a total perda de interesse no enredo real.

Tchekhov morreu em 1904.

Anos depois, um outro mestre da literatura, o japonês Haruki Murakami, publicou a sua obra prima 1Q84 – uma espécie de thriller psicometafísico tão impressionante que as suas 1.500 páginas terminam quase que em um susto só, deixando um surpreendente gosto de “quero mais”.

Em um ponto específico da história, um personagem entrega um revólver para uma amiga mencionando a “Lei de Tchekhov” e, portanto, profetizando que ela eventualmente atiraria em alguém. Ela teria que atirar, afinal.

E há oportunidades para isso. Inúmeras.

A personagem, Aomami, chega a um ponto em que a arma vira quase uma extensão de seu próprio corpo. Mas… o livro chega ao fim e o revólver nunca cumpre o papel para o qual foi criado.

Alguns podem argumentar que, talvez, o papel do revólver tenha sido justamente esse: o de representar algo, de agregar alguma sensação de segurança para guiar a personagem pelo sempre tenso enredo. Talvez a sua própria existência tenha sido uma espécie de fim em si mesmo.

O fato, no entanto, é que tanto na arte quanto na vida as histórias são invariavelmente resultados dos seus tempos.

Na Rússia do final do século XIX – a mesma de Tolstoi e Gorki, diga-se de passagem – a vida real era tão rústica e prática que uma arma não disparada simplesmente não faria sentido em nenhuma história: geraria estranheza, angústia, incômodo. No passado, tudo tinha um motivo de ser, um destino a ser cumprido – e a arte, enquanto mímica da vida, não poderia ser diferente.

Hoje, nossos tempos são outros.

Hoje, lemos livros enquanto prestamos atenção na estação de metrô que devemos saltar, assistimos à televisão enquanto navegamos no Facebook e escrevemos as nossas histórias enquanto absorvemos as críticas feitas em tempo real sobre seus trechos inacabados.

O autor de hoje é tão multitarefa quanto seu leitor: vive escolhendo, a cada piscar de olhos, a que deve prestar atenção e o que deve ignorar. Hoje, portanto, todos estamos acostumados não a uma, mas a toda uma coleção de “desnecessidades” supérfluas nos cenários das nossas vidas reais. Nossas vidas reais, arriscaria dizer, são muito mais recheadas de coisas supérfluas do que de elementos que realmente fazem parte dos nossos destinos.

O próprio conceito de destino mudou: de algo pre-determinado e imutável ele se metamorfoseou em algo essencialmente volúvel, dependente das pequenas escolhas nossas de cada dia.

No mundo de Tchekhov, um revólver não faria sentido se não fosse disparado. Era a finalidade que definia o ser, o objeto.

No mundo de Murakami, no nosso mundo atual, basta que um revólver exista para que sua função seja cumprida. O objeto em si é também a sua própria finalidade.

E isso muda toda a forma com que interpretamos as grandes obras dos nossos tempos de uma maneira revolucionária, somando sutilezas nos enredos que tendem a acrescentar muito mais sentido a cada capítulo, a emprestar muito mais realidade à ficção.

Para quem costuma achar que a “boa literatura” já estava morta (algo infelizmente corroborado por fatos como Bob Dylan receber o Nobel ou José Sarney ser membro da Academia Brasileira de Letras), é bom despir-se de preconceitos e ler novos livros com novos olhos.

As obras primas de hoje são muito mais complexas, sutis e densas que as do passado: os novos autores estão revolucionando a literatura como em nenhum outro tempo da nossa história.

NW cover

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Tem novidade na Fábrica de Historinhas!

Lançamos, recentemente, um projeto diferente na Fábrica de Historinhas – empresa filha do Clube focada na personalização de livros infantis: um livro de aniversário. 

A ideia é simples (e, ao menos em nossa imodesta opinião, fantástica :-) ): publicamos um livro personalizável voltado para aniversário de crianças!

Seu funcionamento é diferente: 

  • Diferentemente de como a Fábrica costuma operar, não há a necessidade de assinatura: todos podem fazer uma compra avulsa diretamente no site
  • No ato da compra, a personalização é bem mais completa: a foto da capa, a ilustração dos personagens e seus nomes geram um livro com uma história diretamente relacionada à festa de aniversário dos pequenos.
  • Temos também duas opções: a compra do livro em si, que chega nos mesmos moldes e tamanhos que os livros da Fábrica (A4), e de pacotes de lembrancinhas (livrinhos com a mesma história, só que em formato menor, A6). 

Nesse caso, tanto convidados quanto os pais podem aproveitar e dar aos pequenos aniversariantes esse presente incrível: um livro personalizado tendo a própria criança como personagem principal! 
Curtiu? Dê uma olhada lá no nosso site, no www.fabricadehistorinhas.com.br e dê o presente de aniversário mais sensacional do mundo :-)

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