Quem mais ganha com essa crise distópica do mercado editorial brasileiro?

Em uma palavra: a Internet

Por que? Simples: a consequência imediata de uma crise cujo epicentro está nas duas maiores redes de livrarias físicas do Brasil é o desabastecimento de seus estoques locais. Sem receber pelos seus livros, as editoras não têm alternativa senão parar de entregá-los – seja de maneira consignada ou vendida – para empresas que se tornaram suas devedoras. O que elas estão fazendo, então? Buscando outros canais de venda, seja em marketplaces ou em livrarias online mais flexíveis, onde possam se fazer praticamente onipresentes sem a necessidade de entregar volumes grandes de exemplares físicos. Na Internet, afinal, o “produto físico” precisa existir apenas depois da venda, o que viabiliza modelos disruptivos e perfeitos como a impressão sob demanda. 

Mas e sob a ótica do consumidor, a que realmente importa?

Basta se colocar no lugar dele e imaginar uma jornada de compra tradicional: ele vai a uma livraria física, busca um livro e recebe de volta a informação de que o mesmo está fora de estoque. Ele faz isso uma, duas, três, quatro vezes. E, na medida em que o desabastecimento dos estoques das grandes livrarias físicas vai crescendo por conta de suas crises particulares, são cada vez maiores as chances dele ouvir um, dois, três, quatro respostas negativas. 

Se o consumidor estiver decidido a comprar um determinado livro, ele vai desistir por não encontrá-lo na sua Saraiva local? Pode até ser que sim… mas não é o que o leitor determinado costuma fazer. Desanimado com o prospecto de achar o que deseja nas ruas, ele rapidamente saca o seu celular e faz a busca na Internet. 

E lá, na Internet, ele certamente encontrará o que busca – seja no Clube de Autores, que imprime 100% sob demanda e que já está recebendo volumes imensos de títulos de pequenas e médias editoras, seja na Estante Virtual, que une em rede milhares de sebos espalhados pelo país, seja nos próprios e-commerces das livrarias tradicionais que, com centros de distribuição maiores, tendem a ter mais estoque que as suas unidades físicas dispersas Brasil afora. 

Aos poucos, de compra em compra, essa “solução” vai deixando de ser uma exceção e passando a se transformar em hábito, em cultura. Afinal, se os livros buscados passam a ser raros em livrarias físicas, mas facilmente encontráveis em diversos sites, por que sequer perder tempo caçando-os em lojas físicas? 

Em nossa opinião, nenhuma das duas grandes redes de livraria atualmente em recuperação judicial – Cultura e Saraiva – morrerão. São empresas grandes e representativas demais para sumir assim em um mercado que demanda cada vez mais livros. Elas se reestruturarão, mudarão seus processos e modelos e se readequarão. Serão forçadas a serem mais sustentáveis, o que acabará salvando-as. 

Mas, enquanto se repara o avião em pleno vôo, vai-se deixando como legado um efeito colateral importante: a crescente consolidação do hábito de se comprar livros pela Internet em detrimento de lojas físicas. 

E este hábito, por si só, abre tantas possibilidades para se agregar mais eficiência ao mercado que todos, leitores, autores, editores e até mesmo livreiros, já devemos comemorar. 

 

 

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Editoras começam a utilizar o Clube de Autores como solução para a crise

Universo Livros. Clássicos Editora. Editora Tifoniana. Editora APMCEditora SoMaDi

Esses são apenas cinco de muitos exemplos de editoras que estão usando o Clube de Autores, de maneira absolutamente simbiótica, para aumentar a eficiência dos seus próprios negócios por meio do modelo que oferecemos ao mercado. 

Explico-me melhor. Originalmente, o Clube de Autores foi pensado para permitir que autores independentes de todo o país pudessem se autopublicar sem burocracia e com amplo controle sobre suas obras – e sempre gratuitamente. Vendeu um exemplar? Imprimimos. Quer estar presente no mercado tradicional? Distribuímos. 

Tudo de graça, uma vez que nosso ganho está sempre atrelado à venda. 

Até aí, tudo bem: estou chovendo no molhado ao explicar o nosso modelo para os autores que o utilizam. 

Mas é aqui que a coisa começa a ficar mais divertida. Se você é autor, afinal, sabe que a produção de um livro vai muito além do conteúdo e envolve leitura crítica, revisão ortográfica e gramatical, diagramação, capa, divulgação. E, em muitos casos, o autor não tem as ferramentas ou mios necessários para desenvolver esses trabalhos e acaba entrando em parceria com alguma editora tradicional. 

Até pouco tempo atrás, editoras tradicionais faziam o seu trabalho de editoração, bancavam as impressões e cuidavam da distribuição. MAS… em um segmento marcado pela inadimplência das duas maiores redes de livrarias do país – redes que, juntas, ultrapassam os 40% do faturamento do mercado inteiro – como continuar sobrevivendo assim? Como conseguir acomodar fluxos de caixa pagando custos pesados como os gráficos e recebendo de volta apenas sabe-se-lá-quando? 

Nessa fórmula ingrata, não foram poucas as editoras de todos os portes que simplesmente decretaram falência e fecharam suas portas. Outras, no entanto, começaram a buscar modelos alternativos de operacionalização. E, assim, entramos no jogo. 

Não chegamos sequer a conversar com nenhuma dessas que citamos acima (e nem com as tantas outras que estão por aqui) mas, de uns tempos para cá, começamos a perceber os seus títulos aqui no Clube

Onde elas ganham? No óbvio. Conseguem concentrar-se nos seus trabalhos de curadoria e editoração e viabilizar a distribuição de livros, em todos os formatos, sem pagar nada antecipado. 

Não há custo gráfico envolvido: publicando no Clube de Autores, as impressões de seus títulos acontecem apenas depois das vendas. 

Não há restrição de mercado: publicando no Clube de Autores, seus livros vão para Cultura, Estante Virtual, Amazon e os mais diversos marketplaces. 

Há transparência: publicando no Clube de Autores, suas vendas são computadas em tempo real no extrato do site. 

Há, portanto, um modelo diferente, mais eficiente e muito mais óbvio: editoras focam-se em editorar, eliminam os custos de geração e manutenção de estoque que estavam sufocando-as e, ao mesmo tempo, conseguem um gás novo para sobreviver e crescer. 

Crises têm essa vantagem: elas forçam mudanças de mercado, geram eficiências, criam modelos até então inexistentes. 

E, do nosso lado, está já na hora de criar um modelo melhor para cada um desses parceiros que, até então, estavam praticamente invisíveis até mesmo para nós. 

 

 

 

 

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