O triste silêncio brasileiro em relação ao Charlie Hebdo

O episódio do Charlie Hebdo simbolizou um dos mais severos ataques à liberdade de expressão que todo o mundo – e não apenas a França – testemunhou.

Não estou abordando aqui o editorial da revista francesa: ácido e muitas vezes com alguma dose de exagero, ao menos em minha opinião, não posso dizer que ele cai especificamente no meu gosto pessoal de leitura. Ainda assim, embora não goste dos cartuns da Charlie Hebdo, a sua liberdade de publicá-los é símbolo e resultado de séculos de luta contra qualquer forma de opressão.

Um alerta àqueles que fazem da crítica arbitrária um esporte: não estou dizendo que não exista opressão cultural, de outras formas, no mundo. Mas também não dá para ignorar o fato de que, se voltássemos alguns séculos (ou mesmo algumas décadas) na história, muitos de nós estaríamos ardendo em fogueiras ou esquecidos em presídios políticos pelo simples ato de expormos os nossos pensamentos.

O Clube de Autores existe por conta da liberdade de expressão. Aqui, todos os autores do Brasil podem entrar livremente e publicar as suas visões e experiências de mundo, quaisquer que sejam, sem precisar submetê-las a nenhum tipo de crivo ou censura. Como um mercado livre, alguns desses pensamentos encontrarão leitores; outros, não. Alguns gerarão carreiras inteiras no universo literário; outros contarão com a audiência de pequenos (embora não menos valiosos) nichos.

Mas repito: em todos os casos, a liberdade de expressão é elemento fundamental para a existência do Clube de Autores. Ou, indo além, a liberdade de expressão é fundamental para o desenvolvimento em si de toda a cultura mundial, seja na literatura, nas artes plásticas ou em qualquer outro “formato”.

A Charlie Hebdo representa essa liberdade no sentido de publicar o que desejava, ferisse a quem ferisse, e encontrar um público fiel. Ninguém era obrigado a ler – mas quem quisesse, podia.

O atentado terrorista em Paris quis mudar isso de maneira dramática, calando lápis e canetas que questionassem os dogmas religiosos de alguns. Questionar, no entanto, não é desrespeitar. Pelo menos não tanto quanto assassinar.

A resposta do mundo – ainda bem – foi imediata: representantes dos quatro cantos foram a Paris – incluindo os líderes israelense e palestino – para se juntar a uma passeata de milhões de cidadãos. Fora da França, grupos se formaram por todos os continentes, da Europa à Ásia, da África às Américas, protestando contra o ato de terror.

O mundo todo, assim, deixou claro o quanto a liberdade de expressão é importante para os seus valores. Ou pelo menos quase todo.

No Brasil, o silêncio em relação a todo esse episódio foi absolutamente melancólico. Aqui, nos relegamos a reportar notícias vindas do além-mar, como se não fizéssemos parte da comunidade internacional, sem se envolver em nenhuma esfera: as ruas ficaram vazias de manifestantes, nosso governo não se deu ao trabalho de enviar sequer um representante de peso a Paris e conseguimos nos auto-impor um isolamento ridículo de um mundo cada vez menor e mais globalizado.

Todos nós dependemos de maneira crítica da liberdade de expressão para sobreviver: mas fomos incapazes, enquanto povo, de mostrar ao mundo o quanto também nos importamos com isso.

Que pena.

Ricardo Almeida.

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Você curte audiobook?

Já comentei isso algumas vezes aqui no blog: eu, pessoalmente, sou apaixonado por audiobooks.

Quando falo isso sou normalmente encarado com preconceito dos leitores mais tradicionalistas. Aí devolvo uma pergunta: “o que você prefere fazer enquanto está por horas preso no trânsito? Ouvir um bom livro ou ficar encarando os carros imóveis ao seu redor?”

Até hoje, ninguém me respondeu a segunda opção.

E essa parece ser uma aposta de duas empresas brasileiras: a TocaLivros e a UBook. Ambas estão começando a se firmar no mercado brasileiro, porém com estratégias opostas.

A Tocalivros funciona como uma livraria tradicional que remunera autor e editora pelas vendas, colocando o preço entre o de um livro em papel e o de um ebook. A Ubook aposta no modelo de assinaturas – algo já comum nos EUA, em empresas como a Audible.com, mas que ainda não decolou por aqui.

Ambas tem como maior desafio a matemática. O custo de produção de um audiolivro pode variar entre R$ 5 mil e R$ 20 mil – algo bastante salgado. E pior: o acervo brasileiro é pequeno, com menos de 1.000 títulos disponíveis, e em uma cultura ainda pouco habituada ao formato.

Não sei se vai funcionar – mas torço ferrenhamente para que sim. Afinal, livro é livro – quer seja devorado pelos olhos ou pelos ouvidos.

Ricardo Almeida.

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Lembra do grupo de autores do Clube? Conheça o Macaco Pensador!

Em fevereiro , fizemos um post aqui no blog falando sobre um grupo de autores que, coordenados por Augusto Branco, se uniram em busca de mais espaço no mercado editorial (leia aqui).

No começo do mês, recebemos um email do Augusto relatando o andamento do grupo – que, até por ser uma iniciativa inédita, compartilhamos aqui com grande entusiasmo.

– O grupo se chama “O Macaco Pensador” e, hoje, está concentrado principalmente em uma página no Facebook (http://facebook.com/OMacacoPensador).

– Atualmente, ele conta com cerca de 20 escritores do Clube, dos mais variados gêneros.

– Um dos objetivos do grupo é contar com o apoio mútuo para melhorar capas, sinopses, diagramações e revisões. Até agora, 6 capas já foram trabalhadas, destacando as dos livros Acima nas Nuvens, Laudos para Avaliação de Imóveis Urbanos e Rurais e Tudo que você sempre quis saber sobre os homens.

– Criada em 05 de fevereiro deste ano, a página no Facebook já arrematou mais de 2 mil fãs – um número impressionante dado o pouco tempo de vida.

– Foi formada uma rede de blogs especializados em resenhas de livros para auxiliar na divulgação das obras. Hoje, já são 10 blogs.

– Foram feitas entrevistas com todos os membros do grupo, sendo que algumas ainda estão prestes a veicular em um total de 26 canais de mídia.

– O grupo pretende ainda somar esforços para promover campanhas midiáticas mais agressivas, tais como a realizada com Brunna Paese, por efeito do Dia Internacional da Mulher, quando o poema de sua autoria, Ser Mulher, foi divulgado em 500 páginas do Facebook, e em mais de 200 blogs, fazendo com que a autora conseguisse destaque em diversos jornais e revistas eletrônicas e que seu poema fosse escolhido para ser o cartão comemorativo do Dia da Mulher, que foi distribuído a todas as bancárias de Portugal.

Isso tudo lembrando que o grupo tem APENAS 2 meses de vida. Impressionante, não? Isso mostra o quanto a união de autores independentes pode gerar benefícios de todos os gêneros, passando por aspectos que incluem desde a melhoria das obras via apoio e críticas coletivas até espaço para divulgação.

Até hoje, o grupo O Macaco Pensador é uma das iniciativas mais bem organizados, estruturadas e com objetivos concretos que encontramos na rede. Além de parabenizar ao Augusto e a todos os autores membros, reforçamos a nossa disposição para apoiar o grupo com todas as nossas forças.

Quer mais informação sobre o grupo? Simples: acesse e página deles no Facebook clicando aqui e fale diretamente com os membros!

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