Críticas sobre a escrita colaborativa

Podem me chamar de antiquado ou ultrapassado, mas eu nunca acreditei muito nesse negócio de usar a comunidade para escrever um livro a milhares de mãos. Não me entendam mal: acho o poder da colaboração e de se colocar um sem fim de pessoas no mesmo barco do escritor algo fora de série: isso ajuda a inspirar, a divulgar, a espalhar a história mais do que qualquer coisa.

Mas escrever… escrever é outra história. Escrever é registrar no papel (ou na tela) traços do inconsciente que, por vezes, o próprio autor ignora ter. É navegar pela inevitavelmente solitária mente, forçando sinapses a partir de memórias e imaginações que, no canto escuro dentro da cabeça, acabam virando uma coisa só.

Claro: ouvir críticos, sejam leitores ou mesmo editores, sempre pode ajudar a transformar uma matéria bruta em uma obra prima: nunca falei que não se deveria contar com a opinião alheia. Mas daí a permitir que um universo de outras mentes participe ativamente na construção de uma história é, ao menos em minha humilde opinião, tentar transformar uma musa inspiradora em um Frankenstein. Para que? Falta de coragem de seguir seus instintos, de se expor, de se impor?

Não vou entrar nas tantas possibilidade s de motivo aqui – mas vi um artigo dia desses na Fast Company que brinca com o assunto de maneira divertida. Já imaginou, por exemplo, se F. Scott Fitzgerald tivesse aberto o Grande Gatsby para colaboração? O que teriam dito os usuários? Teria ele mudado a história e a transformado de obra prima em novelinha besta das seis, reduzindo o seu impacto na humanidade a quase nada?

É uma pena que o artigo esteja em inglês – mas dominar o idioma deve lê-la sem dúvida!

Segue no link http://www.fastcocreate.com/3045189/this-is-what-would-happen-if-the-great-gatsby-was-branded-content?partner=rss#2

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Se somos o que buscamos, o que fomos em 2014?

Faz algum tempo que o Google “interpreta” a mente humana a partir das buscas feitas em seu site. Faz sentido: afinal, os temas que mais moveram o mundo ao longo de um determinado período foram também os que mais geraram manifestações, seja em forma de textos e artigos, de livros, filmes e outras formas de arte.

Todo final de ano o Google monta um vídeo falando sobre esse conjunto de buscas – e o de 2014 está aqui, abaixo do texto.

Por que isso importa a nós? Porque, afinal, somos todos escritores. E se há um ingrediente fundamental em todo livro é a necessidade de olhos lendo as suas páginas. Olhos, por sua vez, que são capturados pelo interesse em torno de determinado tema, nome, assunto, fato.

Entender as pessoas à nossa volta, em nosso mundo, é essencial para qualquer escritor. Então, mesmo considerando que não é possível resumir as particularidades de um planeta tão grande e heterogêneo como o nosso, pelo menos podemos nos divertir um pouco com a maneira que nos “definimos” enquanto comunidade global, por assim dizer, no ano passado.

Confira:

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O triste silêncio brasileiro em relação ao Charlie Hebdo

O episódio do Charlie Hebdo simbolizou um dos mais severos ataques à liberdade de expressão que todo o mundo – e não apenas a França – testemunhou.

Não estou abordando aqui o editorial da revista francesa: ácido e muitas vezes com alguma dose de exagero, ao menos em minha opinião, não posso dizer que ele cai especificamente no meu gosto pessoal de leitura. Ainda assim, embora não goste dos cartuns da Charlie Hebdo, a sua liberdade de publicá-los é símbolo e resultado de séculos de luta contra qualquer forma de opressão.

Um alerta àqueles que fazem da crítica arbitrária um esporte: não estou dizendo que não exista opressão cultural, de outras formas, no mundo. Mas também não dá para ignorar o fato de que, se voltássemos alguns séculos (ou mesmo algumas décadas) na história, muitos de nós estaríamos ardendo em fogueiras ou esquecidos em presídios políticos pelo simples ato de expormos os nossos pensamentos.

O Clube de Autores existe por conta da liberdade de expressão. Aqui, todos os autores do Brasil podem entrar livremente e publicar as suas visões e experiências de mundo, quaisquer que sejam, sem precisar submetê-las a nenhum tipo de crivo ou censura. Como um mercado livre, alguns desses pensamentos encontrarão leitores; outros, não. Alguns gerarão carreiras inteiras no universo literário; outros contarão com a audiência de pequenos (embora não menos valiosos) nichos.

Mas repito: em todos os casos, a liberdade de expressão é elemento fundamental para a existência do Clube de Autores. Ou, indo além, a liberdade de expressão é fundamental para o desenvolvimento em si de toda a cultura mundial, seja na literatura, nas artes plásticas ou em qualquer outro “formato”.

A Charlie Hebdo representa essa liberdade no sentido de publicar o que desejava, ferisse a quem ferisse, e encontrar um público fiel. Ninguém era obrigado a ler – mas quem quisesse, podia.

O atentado terrorista em Paris quis mudar isso de maneira dramática, calando lápis e canetas que questionassem os dogmas religiosos de alguns. Questionar, no entanto, não é desrespeitar. Pelo menos não tanto quanto assassinar.

A resposta do mundo – ainda bem – foi imediata: representantes dos quatro cantos foram a Paris – incluindo os líderes israelense e palestino – para se juntar a uma passeata de milhões de cidadãos. Fora da França, grupos se formaram por todos os continentes, da Europa à Ásia, da África às Américas, protestando contra o ato de terror.

O mundo todo, assim, deixou claro o quanto a liberdade de expressão é importante para os seus valores. Ou pelo menos quase todo.

No Brasil, o silêncio em relação a todo esse episódio foi absolutamente melancólico. Aqui, nos relegamos a reportar notícias vindas do além-mar, como se não fizéssemos parte da comunidade internacional, sem se envolver em nenhuma esfera: as ruas ficaram vazias de manifestantes, nosso governo não se deu ao trabalho de enviar sequer um representante de peso a Paris e conseguimos nos auto-impor um isolamento ridículo de um mundo cada vez menor e mais globalizado.

Todos nós dependemos de maneira crítica da liberdade de expressão para sobreviver: mas fomos incapazes, enquanto povo, de mostrar ao mundo o quanto também nos importamos com isso.

Que pena.

Ricardo Almeida.

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Não é um livro, mas conta várias histórias (que podem dar um belo livro)

Por mais sagrado que seja o livro, ele nem sempre é o meio ideal para que histórias sejam contadas – principalmente em situações que reunam uma multiplicidade de autores relatando o seu cotidiano, formando assim uma verdadeira colmeia de contos em tempo real.

Para essas situações, aliás, a Internet veio como uma ferramenta ímpar. Você já ouviu falar, por exemplo, de uma comunidade de motoboys que relata os seus cotidianos usando as ferramentas que tem à mão – de Web a celular?

De certa forma, esse coletivo de contadores das histórias que vivem no dia-a-dia acaba sendo não apenas uma incrível forma de expressão, como também a síntese do pensamento de toda uma classe que está batalhando a vida nas ruas ingratas de uma das maiores metrópoles do mundo. E é justamente por esse tipo de inovação que indicamos essa comunidade por aqui pelo blog – nem que seja para que os tantos autores aqui no Clube possam se inspirar para criar as suas próprias histórias com base nesses personagens reais ;-)

Quer conhecer a comunidade? Então comece clicando aqui ou no link http://www.megafone.net/SAOPAULO

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Aproveite as dicas de autores e do Clube sobre como trabalhar o seu livro

Há algumas décadas (ou séculos) atrás, um escritor precisava ser mestre em uma única coisa: escrever.

A vantagem é que ele podia se dar ao luxo de concentrar-se em sua verdadeira paixão; a desvantagem é que havia a necessidade dele se dedicar em tempo integral ao ofício – mesmo considerando a (grande) possibilidade de não conseguir se sustentar por ele.

Para o bem ou para o mal, os tempos mudaram e, já há muito, um autor precisa dominar artes que transcendem a literatura – como divulgação e venda, por exemplo. Há os que reclamam que isso está criando barreiras grandes para a literatura mas, em realidade, o que se observa é exatamente o oposto.

A literatura mundial nunca teve uma quantidade tão grande de autores talentosos e, apesar de nomes como Hemingway, Machado de Assis e Kafla continuarem sendo raros (como são e sempre foram todas as preciosidades), não temos tanto de que nos queixar.

Para nós, autores de todos os diferentes gêneros literários, o fato é que as portas estão abertas e que demandam que nos aventuremos por elas armados com a criatividade de gerar atenção e curiosidade sobre as nossas obras.

Ainda bem que há a Internet! Por ela, afinal, escritores de todos os cantos se mostram quase que aflitos para compartilhar experiências entre si, comentando casos de sucesso e de fracasso em uma espécie de rede de apoio mútuo.

Daqui, do Clube, entendemos que parte do nosso papel é justamente facilitar o acesso entre os que tem boas experiências a compartilhar e os que querem aprender técnicas novas para “acontecer”.

E temos algumas ferramentas que podem ser bastante úteis:

– No próprio site do Clube, há a Universidade do Autor, em que disponibilizamos cursos gratuitos e narrados sobre temas como divulgação de livros, diagramação etc. Para ver, clique aqui.

– No Facebook, realizamos semanalmente o Palavra Inquieta, um “vídeo-papo” ao vivo entre autores contemporâneos badalados e todo usuário que estiver interessado a interagir com eles. O programa acontece todos os finais de tarde das quintas, com programação sempre divulgada aqui no blog e pelas mídias sociais. Para ver, clique aqui.

– No SlideShare, disponibilizamos os mesmos cursos da Universidade do Autor em formato PDF, para download direto. Para ver, clique aqui.

– No Twitter, sempre comentamos casos interessantes e que estão “movimentando” mundo do livro. Acesse o nosso Twitter aqui.

– E, finalmente, sempre fazemos posts aqui no blog sobre casos de autores do Clube que, com muito suor (e, obviamente, talento) conseguiram chamar a atenção da crítica e do público, criando para si as bases sólidas de carreiras literárias mais que promissoras.

Se você é um autor independente, provavelmente convive com as mesmas ansiedades, medos e obstáculos que toda a comunidade. É provável que tenha já passado por momentos de extrema felicidade e de frustração com as letras – coisas que fazem parte da vida de todo escritor desde a antiguidade clássica.

Mas, se é realmente um escritor, então você também não tem alternativa – pois o ato de escrever é tão fundamental quanto o de beber água ou de se alimentar. Sendo esse o caso, então há duas coisas que podem ser feitas: continuar escrevendo e, claro, buscar sempre se aprimorar em um aspecto que está se tornando essencial para todo autor moderno, por todo o mundo: ser empresário de si mesmo.

Os links que passamos acima certamente ajudarão – mas nada de ficar restrito a eles. A Web é vasta e as fontes de inspiração trazidas por ela são praticamente infindáveis!

Isto posto, é hora de trabalhar. E de escrever.

Boas letras!

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