Somos o que fomos programados para ser?

Se nos debruçarmos sobre a vasta literatura relacionada a genética, encontraremos explicações lógicas e racionais sobre tudo o que nos faz ser o que somos. Há uma sigla mágica para isso, inclusive: DNA.

De acordo com muitos, muitos cientistas, 100% do nosso comportamento é definido pela nossa estrutura genética que já carrega toda uma gama de características comportamentais. Há uma outra maneira de se ler essa informação: se todos realmente temos os nossos comportamentos pre-carregados em nosso DNA, então não somos muito diferentes robôs. Certo?

Não de acordo com o cientista Sebastian Seung. Ele tem um outro conceito chamado de Connectome. Segundo ele, nós nos definimos não (apenas) pelo nosso DNA, mas principalmente pela somatória de experiências de vida – memórias – expressadas em nossa rede neural.

O conceito é não apenas disruptivo, mas também um alívio. Sermos fruto das nossas próprias vivências é algo que consegue agregar um tipo de caos na identidade de cada ser humano. Nos deixa mais imprevisíveis, menos chatos e muito, muito mais surpreendentes.

Vale conferir o vídeo abaixo:

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Como se fez o caos de São Paulo

Nenhuma cidade nasce gigante e desorganizada – claro. Urbes como São Paulo são fruto de uma destruição de um ecossistema caoticamente organizado mas inadequado para pretenções civilizatórias.

Aos poucos, a cidade foi encontrando novas ordens para acomodar as suas necessidades e, com um planejamento certamente menor que o plausível, foi se erguendo, tijolo sobre tijolo, até virar um monstro disforme de concreto.

Da ordem veio o caos, contra o caos se impôs uma nova ordem, danova ordem surgiram novos incontáveis caos. Ciclo infinito e muito bem exemplificado neste documentário abaixo que encontrei flutuando pelo Youtube.

Vale assistir para entender como algo se transforma nessa ordenada confusão que é a maior cidade do país. Vale assistir para entender como cenários e histórias se desenrolam assim, a partir da união de tantas efemeridades caóticas, gerando – incrivelmente – berços culturais como poucos que existem no mundo.

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As asas da borboleta que mudaram o mundo em 1755

Um dos conceitos mais belos da Teoria do Caos é a possibilidade de um único fato aparentemente isolado poder mudar todo o rumo da humanidade. Costuma-se usar bastante o exemplo de uma borboleta que, ao bater as suas pequenas asas, pode colocar e curso toda uma série de eventos capazes de revolucionar todo o curso da evolução.

O vídeo abaixo não é exatamente algo tão simples como uma borboleta batendo as asas – mas é um exemplo da teoria.

Lá no século XVIII, quando Lisboa ainda era um dos mais importantes centros comerciais do planeta, as igrejas se preparavam para festejar o dia de Todos os Santos iluminando velas por todos os seus interiores. Lá nas profundezas do oceano, no mesmo instante, um movimento brusco de placas tectônicas gerou um tremor de terra sem precedentes que chacoalhou toda a porção oriental do Atlântico.

Com os tremores, milhares de casas desabaram matando boa parte da população. Em seguida, veio uma tsunami que varreu o cais no mesmo instante em que as velas acesas causaram incêndios por toda a cidade. Tudo mudou a partir daquele dia – inclusive a história da humanidade.

Logo depois, o Marquês de Pombal reconstruiu Lisboa como uma cidade mais moderna, com avenidas amplas e mais ao estilo das grandes capitais europeias. Seu sucesso foi tamanho que ele passou a gozar de um prestígio e poder impressionantes, o que também o permitiu colocar reformas em curso na colônia. Uma delas, para ficar apenas em um exemplo, foi a mudança da capital do Brasil de Salvador para o Rio de Janeiro – algo que teve um impacto ímpar por essas bandas.

Suas políticas inauguraram uma das eras mais esclarecidas, por assim dizer, da monarquia portuguesa – e mudaram não só a face do país como também toda a história da humanidade.

Assim, pode-se considerar que o mundo efetivamente mudou de rota a partir daquele incidente no fundo do Atlântico em 1 de novembro de 1755. Ao ver a reconstrução do episódio abaixo, vale a pergunta: o que teria acontecido caso o terremoto nunca tivesse existido? Teria Pombal sobrevivido com tanto poder e ditado os rumos da Coroa Portuguesa por 30 anos? Sem ele, como teria sido o desfecho de um dos movimentos mais revolucionários que o Brasil já testemunhou e que foi destroçado pelo seu pulso forte, a Inconfidência Mineira? Como estaríamos nós? Como estaria Portugal? Como estaria a Europa e o mundo?

O caos é de uma beleza inegável.

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Os momentos Eureka

Acredito que o sucesso de qualquer indivíduo na busca pela sua própria felicidade pode ser medida pela quantidade de “Momentos Eureka” que ele tenha.

Quando se leva um cotidiano morno, basicamente composto de “acordar-trabalhar-dormir” e que, no longo prazo, vira algo como “nascer-procriar-morrer”, o ser humano acaba pulsando em suas veias tanta vida quanto uma planta. Nada contra plantas, claro: mas poder racionalizar o mundo em torno de nós é uma dádiva que poucas espécies tem.

Por que, então, não aproveitar isso melhor?

Racionalizar a vida é algo simples: basta prestar atenção em tudo o que nos cerca, bebendo os detalhes, observando as sutilezas e, na falta de uma palavra melhor, aprendendo. Pode ser qualquer coisa: um programa chato na TV, a chuva caindo em um dia cinzento, o suor pingando quando se corre no parque, uma apresentação entediante no trabalho. Qualquer mínima coisa carrega em si uma espécie de vida própria, de “novidade”, de mini caos a partir do qual formas e conceitos inteiros se originaram até se transformar no que vemos em sua superfície.

Isso pode parecer insano, quase lisérgico. Eu sei.

Mas, no final das contas, se você prestar atenção em cada detalhe como que descobrindo uma nova dimensão, acabará percebendo esse caos que pulsa nas novidades e não-novidades do nosso cotidiano.

E, ao perceber o caos, é como se pudesse beber de uma fonte de inspiração muito mais poderosa e intensa, muito mais nítida, muito mais relevante. Quando se aprende a observar, aprende-se a pensar, e mergulhar, a inovar.

É dessa observação que pode nascer um “Momento Eureka”: uma grande descoberta sobre algo igualmente grande ou até mesmo minúsculo, algo que possa mudar a vida de maneira indiscutível.

A regra, portanto, é simple: ignore as formalidades da monotonia e observe com olhar de lince cada detalhe que nos cerca. Descubra a alma de cada coisa, a confusão que a originou, o caos. Mergulhe nesse caos. Traga esse caos para a sua própria vida.

Dele, puxe algum “Momento Eureka” para si mesmo. E passe a colecioná-los, possivelmente ampliando o leque de “coisas diferentes” que pode passar a fazer na vida.

E, depois, escreva um – ou vários – livros.

Eureka descoberta

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Sobre os deuses Caos e Eros

Segundo os gregos, Caos foi a primeira divindade do universo, a primeira de todas as consciências supremas. Suas características: a desunião, a ausência, a confusão, a cisão.

Pior que o nada, o caos era uma espécie de pandemônio em que tudo o que existia morava em um caldo conflituoso, amorfo. Ele tinha um oposto que surgiu algum tempo depois: Eros, divindade que representava justamente a união dos elementos na primeira estipulação de ordem do universo.

E por que isso é importante? Porque há, obviamente, doses de caos em tudo o que nos cerca hoje.

Sempre que se percebe conflitos, ineficiências, frustrações em aspectos profissionais ou pessoais, é porque há algum tipo de manifestação de Caos na vida cotidiana.

E Caos pede Eros assim como confusão pede ordem.

Problemas, seja no âmbito pessoal ou profissional, pedem soluções. E a melhor maneira de se inovar é justamente perceber as pequenas ou grandes manifestações de Caos que transitam pelo cotidiano de um determinado perfil de público.

Quanto mais forte e disseminado esse caos, mais intensa é a oportunidade de negócio a ser buscada.

Muitos acreditam que inovar é sobre criar uma solução elegante para alguma coisa qualquer e esquecem que o ponto mais importante é detectar um problema concreto, crítico, a ser resolvido. Mas inovar não é ciência criativa: é a arte de perceber problemas reais, de enxergar o Caos em seus mínimos contornos.

A solução, tal como Eros, é o que vem depois. É o segundo passo.

Ou, colocando em outros termos: não há livro ou história que sobreviva à falta de conexão com a realidade, os sonhos ou as angústias de seus leitores.

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