Que todos tenhamos o mais literário dos Natais

Ficamos observando, nos últimos meses, toda uma longa lista de editoras e livrarias praticamente implorando para que todos dessem livros de Natal. Ficamos calados.

Vejam: não é que – obviamente – tenhamos nada contra dar livros de Natal. Nós não apenas vivemos de livros como somos, acima de qualquer coisa, leitores absolutamente apaixonados. Eu mesmo li, ao longo desse ano, mais de 30 livros – e tenho por hábito desde que me entendo por gente dar apenas livros de presente.

O que me incomodou nessa campanha encabeçada por editoras em crise foi o seu motivador.

Porque não se deve dar livros de presente para “salvar” editores e livreiros. Editores e livreiros devem se salvar por seus próprios méritos, entendendo seus mercados e as mudanças que se abateram sobre eles e, claro, se modernizando, atualizando-se para um mundo bem diferente do que eles estavam habituados. Só eles podem se salvar.

O motivador para dar livros de presente deve ser outro: o livro em si.

Porque cada livro contém um universo inteiro dentro de si, contém a sua própria fonte da eterna juventude, contém suspiros, desesperos, lições, lágrimas e sorrisos. Contém, para resumir tudo em uma palavra, vida. Há presente melhor que isso?

Dificilmente.

Hoje é véspera de Natal e, acredito, todos já estejam com seus presentes devidamente comprados e esperando apenas o momento certo da entrega.

E espero, sim, que muitos dêem e recebam livros, com todas as suas sabedorias embutidas.

Espero também que esses presentes tenham sido motivados pelo que eles representam, e não pelas lamentações de um mercado tão carente de inovação.

Mas, seja como for, o que espero mesmo é que esses livros inspirem todos nós a abrir cada vez mais as nossas mentes e a escrever muitas, muitas histórias no ano que vem.

Porque, no fundo, é isso que nos faz humanos: a nossa capacidade de ouvir e contar histórias.

Leia as histórias dos outros.

E conte a sua.

Feliz Natal.

 

 

 

 

 

 

 

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Como estou divulgando o livro que ainda estou escrevendo

No começo de setembro, fui selecionado como um entre 12 atletas do mundo para participar de um projeto bem ambicioso: o Unogwaja.

Do que se trata? De uma jornada que incluirá, no final de maio de 2018, pedalar 1.650km através da África em 10 dias para, no dia 11, correr uma ultramaratona chamada Comrades, de 89km. Esse projeto tem ainda um propósito bem maior do que o simples suor: cada um dos doze Unogwajas tem uma meta própria de arrecadação de fundos, dinheiro que será inteiramente doado para instituições de caridade africanas.

E por que posto isso aqui, em um blog de literatura? Porque o meu projeto pessoal de arrecadação de fundos inclui escrever um livro sobre essa jornada toda – livro que já está em pre-venda e em plena campanha de arrecadação.

O livro, por si só, tem três enredos que se cruzam: a biografia de um atleta chamado Phil Masterton-Smith, que fez essa travessia de bicicleta no começo dos anos 30; a de um outro atleta chamado John McInroy, que criou e deu caráter beneficente, em 2011, a esse desafio; e a minha, que estou agora treinando feito um insano e aprendendo como é arrecadar dinheiro em nome de uma causa maior.

E escrever esse livro, adianto, tem sido uma aventura dentro de uma aventura. Principalmente a parte biográfica do Phil, a quem chamamos de Unogwaja original: o montante de dados e informações falsas sobre a sua vida é absolutamente inacreditável. Isso tem me tirado do papel de escritor e me colocado no papel de detetive: já conversei com a irmã dele, de 94 anos, que tem uma memória de elefante; já revirei documentos nas escolas que ele supostamente estudou (uma das quais inclusive tem uma placa de bronze em sua homenagem, mas que descobri que ele nunca efetivamente frequentou); já conversei até com colegas combatentes (Phil morreu atingido por um morteiro na II Guerra).

Mas não é nem disso que eu mais quero falar aqui – isso é tudo o básico ao se escrever não-ficção. O que quero compartilhar aqui é a estratégia de divulgação, é como estou fazendo para arrecadar dinheiro para esse livro – tema que interessa a 9 entre cada 10 autores. Até agora, no primeiro mês de projeto (de um total de 9) fiz assim:

  1. Planilhei todos os custos do livro, incluindo leitura crítica, revisão, capa, diagramação, ISBN. Não inclui impressão por motivos óbvios: não sei o tamanho do livro e, ainda que soubesse, me parece pouco efetivo pagar por tiragens grandes quando a impressão no Clube é toda sob demanda.
  2. Ainda assim, estimei um custo de impressão e coloquei um valor de pre-venda. Como toda a arrecadação será destinada a caridade, tomei a liberdade de estipular um valor mais alto – R$ 100 – e contar com a solidariedade dos leitores interessados.
  3. Abri dois canais práticos de venda: um diretamente no site da organização do evento, que tem todas as informações oficiais, e outro no Catarse (em português e mais acessível a brasileiros).
  4. Até agora, foquei a divulgação em dois canais: em grupos de amigos corredores no Whatsapp – um público que naturalmente se interessa pelo enredo e pelo propósito – e em meu blog próprio, que também gira em torno do tema e já tem uma audiência razoável consolidada por 4 anos de postagens. Naturalmente, todos os posts que faço vão também para as minhas redes sociais, tipo Facebook e Instagram.
  5. Para ativar um pouco mais, postei o primeiro capítulo que escrevi no meu blog. Funcionou: foi a primeira vez que as pessoas puderam, afinal, entender melhor como o enredo estava se consolidando.
  6. As postagens acabaram chamando a atenção também da imprensa especializada, que começou a soltar notícias como essa aqui. Claro que isso ajuda bastante.

E como estamos? Novamente, é o primeiro de nove meses de projeto. Mas, somando o site do evento com a página do Catarse, já consegui um total de quase R$ 5 mil em pré-vendas, número que tem me deixado bem satisfeito. O que tenho aprendido com um projeto assim – o primeiro do gênero que faço?

Que as pessoas não querem apenas ler histórias: elas querem participar delas. Basta, claro, que as histórias sejam fortes o suficiente. E, na prática, cada um que compra um exemplar deste livro ainda sendo escrito está escrevendo a história junto comigo, viabilizando essa ideia de atravessar a África com o intuito de mudar, ainda que um pouquinho, o mundo.

Vou postando mais novidades por aqui no futuro!

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Olha que surpresa legal

E eis que estávamos dando uma volta no quarteirão, aqui perto do escritório, quando nos deparamos com esse livro:
Unknown

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Fomos atrás e descobrimos: era uma campanha de “disponibilização de livros” pela cidade em que diversas pessoas deixavam livros em locais públicos com bilhetes como os acima. Ideia sensacional para um país que, convenhamos, precisa ler cada vez mais.

Bom… não ficaremos só na admiração do trabalho alheio. Nós mesmos, daqui do Clube, vamos comprar e disponibilizar uma série de livros por onde pudermos!

Ao autor, Rodrigo Ortiz Vinholo, nossos parabéns pela iniciativa! Vamos ler e redisponibilizar o livro :-)

 

 

 

 

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Financiamento colaborativo começando a decolar…

Levou algum tempo mas, finalmente, as primeiras campanhas de financiamento colaborativo de livros, viabilizadas pela parceria entre Clube de Autores e Kickante, já começaram a tomar corpo.

Temos, hoje, um total de 6 campanhas no ar, com arrecadações que ja chegaram a R$ 745 (o que dá para garantir a produção de uma boa quantidade de exemplares para lançamento, diga-se de passagem).

Mas o curioso é ver como alguns dos autores estão oferecendo as opções aos usuários. A campanha Quero dar Vida a Juliete, por exemplo, trabalha com as seguintes ofertas:

Veja: são opções simples, que acabam funcionando como pacotes, e que dão ao autor uma segurança a mais para trabalhar em sua obra. Como qualquer campanha de marketing, claro, ela precisa ser nutrida e trabalhada – mas o próprio pessoal da Kickante ajuda nisso, o que faz a diferença.

Enfim… se quiser montar a sua, aproveite e comece a vender antes mesmo de terminar de escrever! É só clicar aqui e começar.

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Saiba mais sobre financiamento coletivo

No final do mês passado, inauguramos a nossa parceria com a Kickante relacionada a financiamento coletivo e colaborativo para livros. Logo em seguida, começamos a receber uma série de mensagens de autores pedindo mais informações sobre o modelo como um todo.

Já postamos, na segunda, respostas para as dúvidas mais frequentes – mas achamos também este vídeo abaixo de uma matéria sobre o modelo. Espero que ajude!

E, claro, para acessar a página e montar a sua campanha gratuitamente, clique aqui ou acesse http://clubedeautores.kickante.com.br/

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