Não ignore o mar de referências à sua volta

Comentei, no post da segunda passada, sobre a viabilidade de se viver como escritor hoje em dia. Reforço isso aqui: embora não seja uma carreira fácil, ela já não é mais tão impossível quanto no passado.

Mas – e reforço isso aqui também – ela demanda um tipo de entrega total à arte que nem todos os escritores costumam estar dispostos.

É impossível escrever bem se você não lê bem. Aliás, isso não deveria sequer ser uma questão: é um privilégio inenarrável termos, hoje, a possibilidade de ler tanto por tão pouco. Temos ao alcance de todos gênios como Guimarães Rosa, Mia Couto, Tolstoi. Mestres que praticamente refundaram idiomas inteiros e criaram modelos de expressão literária absolutamente revolucionários.

Como sequer querer multiplicar leitores sem antes entender como esses grandes mestres dos nossos e de outros tempos o fizeram? Refazendo a pergunta: para quê desperdiçar essa base tão gigantesca de conhecimento que está ali, ao nosso alcance?

E isso porque estamos falando aqui apenas dos mestres já consagrados.

Há outros: há os escritores independentes que apenas agora começam a criar os seus públicos. E por que eles são fundamentais? Porque a literatura do futuro está sendo desenhada justamente por eles.

Há como ser um escritor incrível sem ser um leitor ávido? É possível, claro – mas não provável. E decididamente não é um caminho que me pareça muito inteligente.

Quer um lugar ao sol junto aos mestres da literatura? Comece pelo caminho mais fácil e óbvio: aprenda com eles.

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Vivendo de escritor

Sim, sei que viver (ou sobreviver) como escritor não é exatamente uma tarefa fácil. E, antes que comecem a jogar a culpa no Brasil e em todos os problemas que assolam nosso país, já me antecipo em afirmar que é uma vida difícil em qualquer lugar do mundo. Até na Suécia.

Mais na Suécia do que no Brasil, aliás, porque os nossos 200 milhões de habitantes garantem público leitor bem, BEM maior.

Mesmo assim, mesmo considerando as dificuldades de se construir uma carreira sobre letras no que certamente é o mais competitivo dos mercados artísticos do mundo, o sonho nunca foi tão palpável.

Quem escreve, afinal, escreve de tudo: livros, crônicas, contos, artigos, posts em blogs.

É aqui que entra a magia dos nossos incríveis tempos.

Se você tem algo de relevante a dizer, se tem uma fluidez literária interessante e se tem uma disposição mínima para criar uma presença nas redes sociais, em breve somará um público leitor.

De like em like, de comentário em comentário, esse público tende a crescer desde que você mantenha constância em suas publicações e responda aos feedbacks da comunidade que começará a crescer em torno das suas letras.

Não que isso o transformará em um “influencer”, para usar um dos esdrúxulos termos da moda, capaz de cobrar zilhões de reais por um mísero post. Mas isso te dará o que novos autores mais precisam: um público base.

A partir daí, novas oportunidades comerciais podem surgir a partir dos seus textos – e a chance de um público estar disposto a comprar os seus livros certamente aumentará (até porque você efetivamente terá um público para chamar de seu).

O mais legal de tudo isso? Aos poucos, seus textos poderão passar de atividade coadjuvante a principal em sua vida.

Repito que não é (e, provavelmente, jamais será) um sonho fácil de ser alcançado. Todo grande sonho tem essa mania de ser difícil, de demandar suor e lágrimas até ser alcançado. Mas desde que você tenha perseverança e saiba nutrir (tanto comercial quanto tecnicamente) sua paixão pela literatura, é certamente um sonho extremamente alcançável.

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E a venda de ebooks, a quantas anda?

Já faz tempo que o mercado parou de pregar que ebooks aniquilariam o mercado de livros impressos. Aliás, já faz também o mesmo tempo que nós, aqui no Clube, desacreditamos essa informação com base no mais puro empirismo: tanto ebook quanto impressos tem seus pros e contras que variam de acordo com opiniões e momentos de leitura, o que garante espaço para todos.

Mas… sendo prático… a quantas anda a venda de ebook?

Pela nossa própria natureza, o Clube sempre teve uma proporção maior de venda de ebooks do que o restante do mercado. Enquanto, no Brasil, a proporção de vendas de livros eletrônicos versus impressos ficava na casa dos parcos 2-3%, o número chegou a 20% aqui.

Pois bem… isso mudou.

Hoje, ebooks respondem por 10% do total de vendas do Clube.

E não, isso não significa que o volume em si, em termos absolutos, tenha caído. Verdade seja dita, ele até cresceu no último ano.

O que ocorre é que a venda de impressos cresceu a um ritmo significativamente maior, deixando essa proporção bem mais dramática e mais próxima dos números brasileiros.

E daí? E daí nada.

Essa é só uma estatística que achamos interessante e gostaríamos de compartilhar com todos :-)

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Número de livros publicados por mês cresce no Clube

Nós tínhamos uma média histórica, aqui no Clube, de cerca de 20 a 25 livros novos publicados todos os meses. Era uma média relativamente estável, que, salvo algum período de pico qualquer, nao mudava por nada.

Bom… pelo menos até esses últimos meses.

Pela primeira vez em alguns anos, o mês de abril registrou uma média maior: 893 livros novos, com 29 publicados por dia.

Poderia ser uma exceção, claro… mas os meses seguintes mostraram que era uma tendência. Em maio, saltamos para 918 títulos; em junho, 1.156; e, em julho, de acordo com nossas previsões baseadas nos primeiros 23 dias do mês, devemos bater o marco de 1.200 livros.

1.200.

Isso dá quase 39 livros novos publicados todos os dias – e também significa que praticamente dobramos de tamanho de um ano para cá.

Há duas coisas para se comemorar aqui: a primeira, claro, o próprio número, reflexo do trabalho que fazemos incansavelmente aqui no Clube desde que começamos a operar, em 2009.

Mas o segundo talvez seja ainda mais importante: mais livros independentes significa, necessariamente, mais público sendo alcançado, mais leitores, mais espaço para autores brasileiros.

Temos visto e sentido isso em nosso cotidiano, aliás: com presença dos nossos livros em livrarias tradicionais, mais e mais gente passou a ter acesso a um volume imenso de conhecimento e de experiência que, em outros tempos, estaria trancada nas mentes dos nossos escritores.

Hoje, não mais.

Ainda bem.

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Tempos incríveis, tempos de transformação

Entre em um ônibus qualquer ou em um metrô e olhe ao redor: você sempre, sempre encontrará alguém lendo algum livro. E isso é fantástico.

Tenho para mim que a minha geração, nascida nos estertores da ditadura militar brasileira, foi praticamente incentivada a não “pensar” sobre as coisas realmente importantes da vida e da sociedade. O raciocínio era simples: pensar leva a questionar, questionar quase sempre leva a “se rebelar” e “se rebelar”, por décadas, levava a tenebrosas celas de tortura. E como culpar pais por não quererem ver seus filhos sofrerem, afinal?

O resultado disso? Povoou-se o Brasil com toda uma geração de odiares de livros, de cidadãos que culpam a falta de tempo, o excesso de trabalho ou o cansaço como responsáveis pelo que, no fundo, é a mais pura (e vergonhosa) falta de interesse pelo próprio crescimento intelectual.

Mas, se não há como se mudar o passado, há pelo menos como se sonhar com um futuro melhor. Porque, de alguma forma, essa mesma geração desinteressada tem buscado ensinar as gerações futuras a não agir como ela, a ler mais, a questionar mais, a formar e defender mais as suas próprias opiniões.

Volto ao parágrafo com o qual abri esse post como prova inconteste disso: hoje, é absolutamente natural encontrar pre-adolescentes lendo, vidrados, livros de centenas e centenas de páginas enquanto mergulham em histórias de magos, dragões e tempos invisíveis. Hoje.

Há trinta, vinte anos atrás, isso seria completamente impensável aqui no Brasil. Pelo menos como norma.

E o que isso significa? Que estamos mudando.

Que, aos poucos, estamos nos transformando em uma sociedade sem medo de pensar, de questionar, de formar opinião e firmar posição.

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