Sobre os deuses Caos e Eros

Segundo os gregos, Caos foi a primeira divindade do universo, a primeira de todas as consciências supremas. Suas características: a desunião, a ausência, a confusão, a cisão.

Pior que o nada, o caos era uma espécie de pandemônio em que tudo o que existia morava em um caldo conflituoso, amorfo. Ele tinha um oposto que surgiu algum tempo depois: Eros, divindade que representava justamente a união dos elementos na primeira estipulação de ordem do universo.

E por que isso é importante? Porque há, obviamente, doses de caos em tudo o que nos cerca hoje.

Sempre que se percebe conflitos, ineficiências, frustrações em aspectos profissionais ou pessoais, é porque há algum tipo de manifestação de Caos na vida cotidiana.

E Caos pede Eros assim como confusão pede ordem.

Problemas, seja no âmbito pessoal ou profissional, pedem soluções. E a melhor maneira de se inovar é justamente perceber as pequenas ou grandes manifestações de Caos que transitam pelo cotidiano de um determinado perfil de público.

Quanto mais forte e disseminado esse caos, mais intensa é a oportunidade de negócio a ser buscada.

Muitos acreditam que inovar é sobre criar uma solução elegante para alguma coisa qualquer e esquecem que o ponto mais importante é detectar um problema concreto, crítico, a ser resolvido. Mas inovar não é ciência criativa: é a arte de perceber problemas reais, de enxergar o Caos em seus mínimos contornos.

A solução, tal como Eros, é o que vem depois. É o segundo passo.

Ou, colocando em outros termos: não há livro ou história que sobreviva à falta de conexão com a realidade, os sonhos ou as angústias de seus leitores.

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Ler é multiplicar tempos

Já fiz um post aqui no blog sobre o papel que a leitura tem em nos fazer colecionar tempo.

Não pretendo me repetir sobre o assunto, mas sim abordar a forma com que os nossos tempos tem contribuído para enriquecer o nosso acervo literário como nenhum outro na história da humanidade.

Antes, um resumo meio cru de como encaro a literatura: a partir do momento em que livros nos transportam para outros tempos e outras realidade, nos alimentando de conhecimentos acumulados aos quais provavelmente jamais teríamos acesso em uma única vida, eles acabam alongando o nosso Tempo no mundo. Afinal, só sendo um louco para entender o poder da verdade carregada em Hamlet; só sendo um turco do século XVII para entender direito o quanto humanidade se opõe à perfeição como em Vermelho; só estando muito em contato com a própria brasilidade para se perceber como somos todos Macunaíma. Livros, portanto, multiplicam o nosso Tempo no mundo a cada nova experiência de vida alheia que nos permitem acumular.

OK… e o que isso tem a ver com a vida moderna? Tudo.

Primeiro, pela quantidade. Se vivêssemos nos ermos tempos do Nome da Rosa, precisaríamos ser teólogos, detetives e atletas para conseguir percorrer o mundo em busca dos poucos livros que se espalhavam pelos monastérios europeus. Nem precisamos ir tão longe: em nenhum outro momento da história da humanidade se tem tantos livros e com tão fácil acesso quanto hoje. Tem dúvidas? Navegue por minuto no Clube de Autores e veja as mais de 50 mil obras publicadas aqui apenas em 7 anos.

Segundo, pela disponibilidade. Se livros eram restritos a poucos exemplares guardados como preciosidades (e, portanto, pouco acessíveis a todos), hoje eles são mais disponíveis do que orvalho à noite.

Há livrarias espalhadas por todas as cidades esbanjando acervos de dezenas de milhares de livros. Há a Estante Virtual que reune uma rede imensa de sebos e faz da falta de estoque um problema essencialmente inexistente. Há Apple, Google e Amazon entregando ebooks que podem ser lidos nos mais diversos devices. Há Audible e Ubook fazendo livros entrarem pelos nossos ouvidos.

Esse é, inclusive, o terceiro ponto: as diferentes formas. Uma coisa é ler livros, tarefa que exige, obviamente, um mínimo de “atenção ocular”. Outra coisa é ouvi-los.

Ouvir livros é algo que pode ser feito quando se está preso no trânsito, quando se está correndo no parque, quando se está batendo perna no shopping. E veja que maravilha: ao invés de passar horas encarando uma fila de faróis vermelhos parados na Marginal pensando no vácuo, pode-se ouvir os contos de outros mundos de V.S. Naipaul ou Chinua Achebe.

E, de carona com esses mestres, pode-se entender o mundo sob as suas óticas, aprender com as suas visões e crescer com as suas imaginações. Pode-se acrescentar mais Tempo ao nosso tempo, mais vida à nossa vida.

Vivemos uma era singular em que podemos inserir séculos ou milênios, de maneira quase gratuita, no tempo que temos sobre esse nosso mundo.

Isso não é incrível?

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O papel dos escritores no mundo

Ouvi dizer, dia desses, que o papel de escritores é o de registrar as histórias da humanidade.

Discordei na mesma hora.

Historiadores fazem registros, observando, sempre atentos, as provas cabais de fatos que superam teorias e ideais mais romanceados. Não é o caso de escritores.

Escritores não olham para trás nem quando escrevem sobre o passado. Ao contrário: ao impregnar em suas histórias plétoras de tramas, conflitos e ideais, eles constroem tempos absolutamente paralelos – tempos feitos a partir de suas visões de mundo e de utopia, de seus sonhos e pesadelos.

Escritores, portanto, olham sempre para a frente: criam novos conceitos de vida, inovam em narrativas que usurpam mentes e corações, propõem releituras sobre releituras da história, provocam, questionam, apontam caminhos os mais diversos.

Escritores não registram histórias: eles pavimentam de ficção os terrenos pelos quais a história ainda vai caminhar.

Escritores são oráculos.

Basta saber consultá-los.

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Leia autores como você

Todos nós, autores independentes, penamos com as mesmas dificuldades: detectar bons críticos para trabalhar melhor as nossas obras, contratar ou convencer artistas a montarem capas incríveis, negociar com revisores para que nosso português fique impecável, planejar e executar campanhas de divulgação que façam nossas mentes encontrarem os olhos de leitores que nunca conhecemos na vida.

E isso não chega a ser, exatamente, nenhuma novidade. Em algum momento de suas vidas, todos os grandes autores – de Tolstoi a Machado de Assis, de Mia Couto a Murakami, já se depararam com os mesmos tipos de dificuldades. As duas maiores armas de todos eles – e de toda a horda de magos literatas que dividem espaço nas prateleiras das maiores livrarias do mundo? Suas genialidades, claro, e a perseverança que os fez nunca desistir de seus caminhos.

Genialidade, claro, não existe em todos nós – e, neste ponto, tudo o que podemos fazer é confiar e acreditar em nós mesmos. Mas e a perseverança? Esta depende apenas da nossa própria força de vontade.

Não é uma carreira fácil, esta que estamos buscando para nós mesmos: há uma concorrência monumental, um mercado dificílimo e um espaço extremamente restrito.

Ainda assim, se escrever é o que realmente amamos, então não temos alternativa senão seguir adiante, lançando mão de todas as nossas armas e estratégias e tentando de tudo para conseguirmos os nossos lugares ao sol da mesma forma que os nossos ídolos, em seus tempos, conseguiram.

Assim sendo, me permitirei aqui fazer uma sugestão – algo que já pratico sem arrependimento algum já há muito tempo.

Se você ama escrever, então provavelmente também ama ler.

Se você lê, então já tem os seus temas preferidos, os seus autores ídolos, os seus grandes heróis cruzando campos que podem variar do mundo dos czares às praias de Paquetá.

Que tal, então, experimentar outros nomes e textos tão novos quanto você?

Navegue pelo Clube de Autores.

Há 65 mil livros por aqui.

E sim, há de tudo. Certamernte haverá muitos títulos com os quais você não se identificará e outros tantos que, claro, terão tudo a ver com a sua linha de pensamento.

Que tal, então, escolher um outro autor independente – como você – e ler o que ele escreve?

Afinal, se estamos no ano novo, que comecemos já cultivando justamente o espaço para os novos autores. Quanto mais a nossa comunidade se unir, mais ela se fortalecerá e mais espaço conseguirá galgar nesse mercado!

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