Deixemos, então, o nosso legado

Na sexta passada eu fiz aqui um post, digamos, meio pessimista quanto ao estado em que nos encontramos enquanto país e sociedade. E, verdade seja dita, fica difícil escrever otimismos dado o cenário em que vivemos.

Por outro lado, há sempre um lado extremamente positivo sobre a História: ela é infinita. Se nosso presente tem sido marcado por tropeços e escândalos do passado, temos também a chance de escrever um futuro muito, muito diferente desses tempos em que vivemos.

Como?

Fazendo o que mais amamos: escrevendo.

Porque futuros não são feitos do livre-arbítrio desconectato de quem quer que seja que apareça do nada no cenário nacional. Futuros são criados a partir de desejos de manutenção ou mudança de realidades, de visões e percepções generalizados dos povos que compõem uma determinada sociedade.

E quem registra esses cenários, essas realidades?

Nós, escritores.

Somos nós que, coletivamente, pintamos o retrato perfeito da nossa sociedade por meio de enredos, personagens e tramas que se encaixam nos mundos em que vivemos.

Somos nós que damos emoção, carne e osso aos sempre frios fatos e estatísticas.

Somos nós que formamos a época em que vivemos.

E essa é, pois, a mais importante das contribuições que podemos fazer ao nosso país e ao nosso mundo: escrever.

E publicar.

E fazer o máximo possível de leitores entender que estão lendo uma versão pluridimensional das suas próprias vidas.

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Há o que se comemorar hoje?

Hoje é de setembro, dia da nossa Independência.

Na semana passada, um dos mais importantes museus da nossa história desapareceu, sob chamas, por culpa do mais puro descaso dos que deveriam ser as nossas autoridades.

Estamos em plena época eleitoral em que a maior crítica do eleitor é justamente a falta de candidatos capazes de honrar o cargo a que se propõem.

Nossa atual classe política divide-se entre o congresso e o presídio.

Nossas cidades estão infestadas de violência e arruinam-se em tons opostos aos esperançosos ufanismos de candidatos de todos os partidos.

Há o que se comemorar hoje?

Difícil responder. Mas há – e isso é indiscutível – muito a se pensar e repensar sobre o que queremos para o nosso futuro.

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Promoção em todos os impressos do Clube!

Desde hoje, dia 5, até o dia 13, todos os impressos do Clube estarão com desconto de até 20%!

Vamos às regras:

1) Todas as obras impressas publicadas no Clube já estão incluídas na promoção;

2) Os descontos variam de acordo com a paginação de cada obra (sendo, portanto, diferente para cada uma);

3) Os descontos não abrangem os direitos autorais. Ou seja: independentemente do montante cortado no preço, os direitos autorais permanecem rigorosamente os mesmos e os autores não serão prejudicados em nenhum aspecto. Caso queiram ampliar as quedas de preço no período mexendo nos direitos autorais, os próprios autores deverão fazê-lo indo a Sua Conta > Livros Publicados, clicando em “gerenciar” e em “editar direito autoral”.

4) O desconto durará até o final da quinta, 13/09!

Boas vendas e bons presentes!!!

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Um triste dia para a nossa história

Há dois tipos de história que costumam conviver para formar identidades, culturas e pensamentos: a factual, documental, prática; e a lúdica, que funciona como uma espécie de cola ideológica entre as coisas e seus significados.

Essas duas histórias são fundamentais para qualquer povo, até porque uma depende da outra.

Toda a imagem que fazemos da época do império, por exemplo, vem das narrativas sobre a vida dos nossos três reis – D. João VI, D. Pedro I e D. Pedro II. Pensamentos forjados naqueles tempos distantes formaram as correntes ideológicas que fizeram tanto os personagens de Machado de Assis quanto os discursos inflamados de Antônio Conselheiro, lá em Canudos. Há como se afirmar até que toda a brasilidade meio que surgiu daquele tempo de palácios e pompas mesclados com profanidades e arroubos tão heróicos quanto egocêntricos.

São narrativas expressas em livros, históricos ou fictícios, que pintam um retrato perfeito de como era a vida naqueles tempos tão distantes do que hoje somos – mas, ao mesmo tempo, tão fundamentais para que tenhamos chegado até aqui.

Essas narrativas, claro, não surgiram apenas de testemunhas oculares da época: a memória humana venceu o tempo a partir do momento em que conquistamos a escrita e a capacidade de documentar fatos.

As pedras brutas da nossa história, portanto, são esses fatos, esse conjunto de documentos, quadros, esculturas, móveis e demais coisas que provam as formas de um tempo que não existe mais.

É com essas pedras brutas que historiadores e escritores debruçam-se no passado, descrevendo-o como presente para que possamos construir futuros mais esclarecidos, conhecedores dos tantos erros e acertos que sociedades cometem ao longo dos seus ciclos de vida.

Assim, da mesma forma que não há futuro sem passado, não há também histórias sem fatos práticos que embasem seus enredos.

No domingo passado, dia 2 de setembro, o Brasil perdeu quase 20 milhões de fatos que compunham o acervo de um dos nossos principais museus, o Nacional, na Quinta da Boa Vista.

Foi um dos dias mais tristes para a nossa História desde que ela foi oficialmente constituída pelos mesmos reis que, de algum lugar, viram seu palácio desaparecer sob as chamas do descaso.

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Um triste dia para a nossa história

Há dois tipos de história que costumam conviver para formar identidades, culturas e pensamentos: a factual, documental, prática; e a lúdica, que funciona como uma espécie de cola ideológica entre as coisas e seus significados.

Essas duas histórias são fundamentais para qualquer povo, até porque uma depende da outra.

Toda a imagem que fazemos da época do império, por exemplo, vem das narrativas sobre a vida dos nossos três reis – D. João VI, D. Pedro I e D. Pedro II. Pensamentos forjados naqueles tempos distantes formaram as correntes ideológicas que fizeram tanto os personagens de Machado de Assis quanto os discursos inflamados de Antônio Conselheiro, lá em Canudos. Há como se afirmar até que toda a brasilidade meio que surgiu daquele tempo de palácios e pompas mesclados com profanidades e arroubos tão heróicos quanto egocêntricos.

São narrativas expressas em livros, históricos ou fictícios, que pintam um retrato perfeito de como era a vida naqueles tempos tão distantes do que hoje somos – mas, ao mesmo tempo, tão fundamentais para que tenhamos chegado até aqui.

Essas narrativas, claro, não surgiram apenas de testemunhas oculares da época: a memória humana venceu o tempo a partir do momento em que conquistamos a escrita e a capacidade de documentar fatos.

As pedras brutas da nossa história, portanto, são esses fatos, esse conjunto de documentos, quadros, esculturas, móveis e demais coisas que provam as formas de um tempo que não existe mais.

É com essas pedras brutas que historiadores e escritores debruçam-se no passado, descrevendo-o como presente para que possamos construir futuros mais esclarecidos, conhecedores dos tantos erros e acertos que sociedades cometem ao longo dos seus ciclos de vida.

Assim, da mesma forma que não há futuro sem passado, não há também histórias sem fatos práticos que embasem seus enredos.

No domingo passado, dia 2 de setembro, o Brasil perdeu quase 20 milhões de fatos que compunham o acervo de um dos nossos principais museus, o Nacional, na Quinta da Boa Vista.

Foi um dos dias mais tristes para a nossa História desde que ela foi oficialmente constituída pelos mesmos reis que, de algum lugar, viram seu palácio desaparecer sob as chamas do descaso.

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