O papel dos escritores no mundo

Ouvi dizer, dia desses, que o papel de escritores é o de registrar as histórias da humanidade.

Discordei na mesma hora.

Historiadores fazem registros, observando, sempre atentos, as provas cabais de fatos que superam teorias e ideais mais romanceados. Não é o caso de escritores.

Escritores não olham para trás nem quando escrevem sobre o passado. Ao contrário: ao impregnar em suas histórias plétoras de tramas, conflitos e ideais, eles constroem tempos absolutamente paralelos – tempos feitos a partir de suas visões de mundo e de utopia, de seus sonhos e pesadelos.

Escritores, portanto, olham sempre para a frente: criam novos conceitos de vida, inovam em narrativas que usurpam mentes e corações, propõem releituras sobre releituras da história, provocam, questionam, apontam caminhos os mais diversos.

Escritores não registram histórias: eles pavimentam de ficção os terrenos pelos quais a história ainda vai caminhar.

Escritores são oráculos.

Basta saber consultá-los.

oraulo-delfos-texto-ju

Leia Mais

Leia autores como você

Todos nós, autores independentes, penamos com as mesmas dificuldades: detectar bons críticos para trabalhar melhor as nossas obras, contratar ou convencer artistas a montarem capas incríveis, negociar com revisores para que nosso português fique impecável, planejar e executar campanhas de divulgação que façam nossas mentes encontrarem os olhos de leitores que nunca conhecemos na vida.

E isso não chega a ser, exatamente, nenhuma novidade. Em algum momento de suas vidas, todos os grandes autores – de Tolstoi a Machado de Assis, de Mia Couto a Murakami, já se depararam com os mesmos tipos de dificuldades. As duas maiores armas de todos eles – e de toda a horda de magos literatas que dividem espaço nas prateleiras das maiores livrarias do mundo? Suas genialidades, claro, e a perseverança que os fez nunca desistir de seus caminhos.

Genialidade, claro, não existe em todos nós – e, neste ponto, tudo o que podemos fazer é confiar e acreditar em nós mesmos. Mas e a perseverança? Esta depende apenas da nossa própria força de vontade.

Não é uma carreira fácil, esta que estamos buscando para nós mesmos: há uma concorrência monumental, um mercado dificílimo e um espaço extremamente restrito.

Ainda assim, se escrever é o que realmente amamos, então não temos alternativa senão seguir adiante, lançando mão de todas as nossas armas e estratégias e tentando de tudo para conseguirmos os nossos lugares ao sol da mesma forma que os nossos ídolos, em seus tempos, conseguiram.

Assim sendo, me permitirei aqui fazer uma sugestão – algo que já pratico sem arrependimento algum já há muito tempo.

Se você ama escrever, então provavelmente também ama ler.

Se você lê, então já tem os seus temas preferidos, os seus autores ídolos, os seus grandes heróis cruzando campos que podem variar do mundo dos czares às praias de Paquetá.

Que tal, então, experimentar outros nomes e textos tão novos quanto você?

Navegue pelo Clube de Autores.

Há 65 mil livros por aqui.

E sim, há de tudo. Certamernte haverá muitos títulos com os quais você não se identificará e outros tantos que, claro, terão tudo a ver com a sua linha de pensamento.

Que tal, então, escolher um outro autor independente – como você – e ler o que ele escreve?

Afinal, se estamos no ano novo, que comecemos já cultivando justamente o espaço para os novos autores. Quanto mais a nossa comunidade se unir, mais ela se fortalecerá e mais espaço conseguirá galgar nesse mercado!

Leia Mais

Não mande originais para editoras: publique e concentre-se no seu público

Mesmo nós sendo uma empresa de autopublicação, um site onde os próprios autores podem, diretamente, publicar seus livros como quiserem e vê-los à venda nas maiores livrarias do país, até hoje recebemos originais pelos Correios.

Às vezes são livros inteiros, encadernados profissionalmente e tudo. Às vezes são manuscritos. Às vezes são páginas impressas a partir do Word. Seja como for, o fato é que letras continuam chegando até nós das mais esdrúxulas maneiras possíveis.

E por que digo “esdrúxulas”?

Porque já passou da hora de autores largarem para trás o utópico sonho de serem descobertos por editoras e de, subitamente, tornarem-se celebridades literárias.

É possível que isso ocorra ainda hoje com uma ou outra pessoa? Sim, é possível – mas elas são o extremo da exceção, bem distante de qualquer coisa que se assemelhe à regra geral.

E, se isso é verdade para o Clube, é igualmente verdade para todas as editoras tradicionais brasileiras – aquelas que não cobram diretamente dos autores para publicarem seus livros, vendendo caro sonhos que dificilmente se transformarão em realidade pelo simples fato de que apenas o autor, e ninguém mais, consegue transformar sua história em um best-seller.

Mas sabe o que acontece quando um original é enviado pelo Correio (ou mesmo pela Internet) na expectativa de que alguma editora o publique sob seu selo? Expectativas são elevadas à altura do Everest; decepções são cozinhadas na medida em que o tempo passa sem resposta; raivas resignadas são geradas a fogo brando; talentos incríveis são perdidos para o mar de lodo morno e amorfo que define a realidade do mercado editorial brasileiro. Colocando em outros termos: é energia demais jogada fora quando a solução está dentro de cada um dos autores.

Quer ter seu livro transformado em best-seller? Publique-o você mesmo aqui no Clube de Autores. Mas publique-o com o carinho que ele merece: com o português revisado, uma capa bem feita, o ISBN registrado, uma diagramação bem feita. Em pouco tempo, seu livro estará na Cultura, na Amazon, na Estante Virtual, na FNAC… no mundo.

Isso resolve o problema? Claro que não.

Mas te leva ao pé da montanha.

A partir daí, é uma questão de refocar as energias. Ao invés de perder tempo e suco gástrico tecendo esperanças vãs com editoras, monte seu próprio evento de lançamento, seu plano de divulgação, lance-se nas redes, faça e cresça seu próprio público, construa sua própria carreira.

Será fácil? Obviamente que não.

Mas certamente será muito mais viável que dedicar vidas (as suas e as dos seus personagens) a rezar por utopias que provavelmente jamais se transformarão em realidade.

295744

Leia Mais

Capturando o tempo

No segundo em que um escritor termina uma história, qualquer que seja, ele terá cumprido uma das mais incríveis tarefas da vida: emprisionado o tempo.

Porque veja: séculos podem ter se passado, por exemplo, desde a Revolução Francesa; mas basta começar uma História de Duas Cidades e imediatamente somos guiados pelas mãos imortais de Dickens até as agruras da Paris pré-revolucionária, das guilhotinas, do cheiro de sangue e esgoto que costuma impregnar todos os ideais de liberdade.

E, se quisermos, podemos saltar da Revolução Francesa para a Moçambique pós-guerra civil, guiados pela genialidade de Mia Couto; depois para o Brasil neo-europeu de Machado de Assis; e então até mesmo para tempos que jamais ocorreram, como nas distopias fantásticas de Kazuo Ishiguro ou Haruki Murakami.

Há mais ainda: no instante que quisermos podemos sempre saltar de volta do conforto dos nossos lares para os inseguros séculos passados ou para os impossíveis séculos futuros, seja em nossas próprias cidades ou na Europa, na Antártida, na África, nos áridos sertões de Guimarães Rosa ou Rachel de Queiroz.

Livros nos permitem viver em um estado de liberdade quântica que jamais nenhum outro ser vivo, ao menos em nosso planeta, experimentou.

Arte em geral (e livro em específico) é, no fim, apenas uma belíssima estratégia de emprisionar tempos e espaços. Estratégia viável tanto pelos artistas e escritores, que dedicam-se a congelar momentos em forma de histórias, quanto a espectadores e leitores que, a cada passada de olhar, a cada atenção dedicada, esticam esse tempo até a eternidade.

Só a física quântica pode explicar essa tão fantástica relação entre artista, arte e espectador.

aHR0cDovL3d3dy5zcGFjZS5jb20vaW1hZ2VzL2kvMDAwLzA2Ni80NzIvb3JpZ2luYWwvQmxhY2tIb2xlQXJ0LmpwZw==

Leia Mais