Este ano (provavelmente) não estaremos na FLIP

No post da quarta passada, comentei sobre a indesculpável não realização do Prêmio Clube de Autores de Literatura Contemporânea.

Agora, já abro uma nova decisão: provavelmente não participaremos da FLIP.

Sim, eu sei: colocar a palavra “provavelmente” à frente de uma “decisão” soa como contrasenso, como uma desculpa para que possamos voltar atrás. E até pode ser – mas, hoje, agora, não enxergamos nenhuma motivação para voltar a Paraty.

Já fomos por anos – muitos anos. Em todos eles abrimos as portas da nossa casa, recebemos autores, nos envolvemos em papos absolutamente intensos e inspiradores.

Mas, nos últimos dois anos – principalmente no último – , o próprio teor da Festa Literária Internacional de Paraty mudou…

As ruas da cidade minguaram com a crise, a violência escalou na região, o clima de pessimismo dos editores e livreiros presentes contagiou todo o centro histórico com lágrimas e tristezas.

Para nós, só há crise no mercado editorial brasileiro porque os editores e livreiros insistem em rasgar suas intenções de inovação e em publicar apenas o que vem pronto, empacotado, de fora do Brasil. (OK, com uma exceção: os autores que já são best sellers brasileiros também ganham passe livre para o mercado).

Mas e o espaço para os novos, os independentes? Nada.

Sem nós, os autores independentes, não há renovação na literatura. Sem nós, os autores independentes, há apenas um velório das letras brasileiras.

A FLIP se transformou nisso: em um evento para que todos babemos nos autores estrangeiros e velemos os novos brasileiros. A FLIP, infelizmente, se transformou no oposto do que o Clube representa.

Tomara que mude – era um evento fantástico.

Mas, até lá, nós estaremos fora. Até lá, vamos pensar em algum outro evento para dar mais espaço aos independentes.

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Este ano teremos o Prêmio

Este não é o anúncio oficial, mas um comprometimento.

Ano passado, pela primeira vez desde que o Clube abriu as portas, não fizemos o Prêmio Clube de Autores de Literatura Contemporânea. Confesso que não sei ao certo o motivo de não o termos feito – mas me arrependo ferozmente.

Primeiro, porque ele já era tradicional – foram anos de realização, revelando ao Brasil alguns dos livros mais incríveis que a autopublicação já produziu.

Segundo, porque era uma oportunidade para os autores independentes se destacarem sem precisar pagar nada por isso. E oportunidade de divulgação, todos sabemos, é fundamental.

E, terceiro, porque havia uma participação incrível. Todos os anos somamos centenas – CENTENAS – de livros participantes. Poucos prêmios para autores independentes, no Brasil ou mesmo no mundo, podem alardear números assim.

Não fazer o Prêmio no ano passado foi um des-serviço à própria comunidade do Clube – um des-serviço que não repetiremos.

Este ano ele voltará.

Mais notícias nos próximos meses :-)

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Tem novidade na Fábrica de Historinhas!

Lançamos, recentemente, um projeto diferente na Fábrica de Historinhas – empresa filha do Clube focada na personalização de livros infantis: um livro de aniversário. 

A ideia é simples (e, ao menos em nossa imodesta opinião, fantástica :-) ): publicamos um livro personalizável voltado para aniversário de crianças!

Seu funcionamento é diferente: 

  • Diferentemente de como a Fábrica costuma operar, não há a necessidade de assinatura: todos podem fazer uma compra avulsa diretamente no site
  • No ato da compra, a personalização é bem mais completa: a foto da capa, a ilustração dos personagens e seus nomes geram um livro com uma história diretamente relacionada à festa de aniversário dos pequenos.
  • Temos também duas opções: a compra do livro em si, que chega nos mesmos moldes e tamanhos que os livros da Fábrica (A4), e de pacotes de lembrancinhas (livrinhos com a mesma história, só que em formato menor, A6). 

Nesse caso, tanto convidados quanto os pais podem aproveitar e dar aos pequenos aniversariantes esse presente incrível: um livro personalizado tendo a própria criança como personagem principal! 
Curtiu? Dê uma olhada lá no nosso site, no www.fabricadehistorinhas.com.br e dê o presente de aniversário mais sensacional do mundo :-)

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Os brasileiros

Não há, no mundo, nenhuma estirpe de escritores mais incrível que a brasileira. 

Por favor não entendam essa minha opinião como xenófoba ou preconceituosa: já me derramei em elogios, em posts passados, por autores dos quatro cantos do mundo. Mas nenhum deles consegue casar a delicadeza revolucionária da linguagem com a brutalidade desconcertante dos temas como os nossos. 

Tá… talvez essa seja uma opinião que se pode esperar de um brasileiro que, obviamente, compartilha os mesmos panoramas culturais que esses autores… 

Ainda assim, é uma opinião que insisto em repetir. 

Não há, no mundo de fora, nenhum autor que tenha conseguido captar a essência da vida de maneira tão incrível quanto Guimarães Rosa. Não há nenhum poeta tão embasbacante quanto Manoel de Barros. Não há cronista de cotidianos como Alcântara Machado. Não há nenhum retratista de lugares e épocas como Jorge Amado. 

Mas sabe qual o problema do parágrafo de cima? Todos os meus exemplos são feitos de cadáveres. 

Será que ainda somos um país de escritores geniais ou que, um dia, fomos – e deixamos de ser?

Quero crer que ainda sejamos – muitos dos livros do Clube que leio me apontam para essa conclusão. 

Só que livros são feitos de leitores e, enquanto o público brasileiro insistir em comer apenas a literatura empacotada vinda da Europa ou dos EUA, dificilmente conseguiremos consolidar carreiras de novos mestres nossos. 

Passou da hora de nos lermos mais e de nos concentrarmos mais na nova literatura produzida por aqui. 

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Teremos, um dia, uma obra prima global?

Procuro sempre guiar o meu hábito de leitura pelos extremos: quando leio autores daqui mesmo, do Clube, ou outros brasileiros como Guimarães Rosa ou Graciliano Ramos, equilibro-me com um Murakami, um Pamuk ou um Tosltoy. São espécies absolutamente diferentes de literatura – espécies que beiram a incompatibilidade criativa. 

Aqui, no ocidente, tendemos a ser mais sucintos e mais mergulhados nas histórias do que nas formas. Não que as formas sejam desprezadas – mas elas existem mais para embalar alguma mensagem mais densa e disruptiva. 

Do lado de lá, tudo muda: a forma é protagonista. Para ficar em um exemplo: Vermelho, de Pamuk, é um livro construído nos mais delicados detalhes, chegando ao ponto de ter como narradores um cavalo, a cor preta, uma árvore. Os pontos de vista das coisas se entrelaçando em um enredo é algo brilhante por si só. 

Essa minha viagem constante pelas fronteiras da literatura tem me feito me perguntar algo: será que, um dia, teremos uma espécie de obra prima que una essas duas características como nenhuma outra? Será que, um dia, teremos algum livro composto com o detalhismo do hemisfério de lá somado à brutalidade genial do hemisfério de cá? 

Se isso ocorrer, arrisco-me a palpitar, será por agora: em nenhum outro tempo tantas ondas de imigração se sucederam, resultado de guerras e misérias, enevoando as fronteiras entre ocidente e oriente. Quanto menos fronteira, claro, mais união cultural se pode esperar.

Se isso ocorrer, arrisco-me a palpitar, será também por aqui, no universo da autopublicação – dificilmente um editor tradicional, antiquado, avesso a inovações, conseguirá sequer entender o poder de uma literatura universal.

Dos meus dois lados de cá – o do Clube de Autores e o de um leitor qualquer – fico na torcida para que esse dia em que uma obra prima universal, uma obra que una o melhor dos dois mundos do nosso mundo, seja logo composta. 

 

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