Juro que estou sendo otimista!

Um amigo meu me disse que eu estava muito pessimista com o mundo. Disse que estava escrevendo demais sobre a morte da arte, sobre o ano que vem ser mais caótico que esse etc. etc. etc.

É verdade que tendo mesmo a enxergar (ou mesmo a buscar) o caos em cada cenário com o qual me deparo. Mas isso seria pessimismo? Não sei.

Como diria Hamlet, não existe o bom ou o ruim: o que existe é a nossa opinião sobre as coisas. A meu ver, todo caos é essencialmente positivo. É o que nos instiga a pensar, o que nos tira da zona de conforto, o que gera inovações nas artes e na vida. É o que faz o nosso sangue pulsar.

Que graça teria a vida de Pi sem seu conflito com o mar e o tigre, para ficar apenas em um exemplo?

E, se a vida imita mesmo a arte, que graça tem viver sem obstáculos quaisquer a serem transpostos, sem batalhas a serem travadas, sem caos a ser normalizado? Afinal, nossa vida tem um tempo contado – e tenho como certo que ela vale mais na medida em que somamos mais histórias em nossas memórias.

Em outras palavras: entendo que precisamos de caos e conflitos para celebrar a nossa própria humanidade e não vivermos como planta. Quem quer viver como planta, afinal??

A esse meu amigo, portanto, – que espero estar lendo este relato – respondo então que não há pessimismo em toda essa escuridão pintada aqui nos últimos posts. Ao contrário: quer ambiente mais otimista para quem gosta de criar histórias do que um que soma tempestade atrás de tempestade?

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Última promoção do ano no ar até amanhã!

2016 já está indo embora? Aproveitemos então os últimos dias para levar algumas boas histórias até 2017 :-)

De hoje, quarta, até amanhã, quinta, todos os impressos estarão com até 20% de desconto no Clube!

Vamos às regras:
1) Todas as obras impressas publicadas no Clube já estão incluídas na promoção;
2) Os descontos variam de acordo com a paginação de cada obra (sendo, portanto, diferente para cada uma);

3) Os descontos não abrangem os direitos autorais. Ou seja: independentemente do montante cortado no preço, os direitos autorais permanecem rigorosamente os mesmos e os autores não serão prejudicados em nenhum aspecto. Caso queiram ampliar as quedas de preço no período mexendo nos direitos autorais, os próprios autores deverão fazê-lo indo a Sua Conta > Livros Publicados, clicando em “gerenciar” e em “editar direito autoral”.

4) O desconto durará até o final do dia 29.

Boas vendas!

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E aí? Ganhou livros no Natal?

Tomara que sim.

E tomara que tenha somado toda uma biblioteca de títulos para te inspirar nesse desafiador ano de 2017 que está já às nossas portas.

Afinal, se não pudermos contar com as experiências dos heróis que recheiam a literatura como guias para as nossas tomadas de decisão, como esperar acertar? Apenas pelo instinto e pela sorte?

Daqui, do Clube, esperamos que o Natal de todos tenha sido repleto de novas histórias – e que cada uma delas os inspire e ajude a publicar uma infinidade de novos livros para a posteridade!

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Tomara que as boas livrarias físicas voltem logo

Fazia tempo que eu não ia à Cultura do Conjunto Nacional, aqui em São Paulo, um dos pontos de origem das grandes livrarias brasileiras. Fui recentemente e confesso que não tive a melhor das experiências do mundo.

Na minha lembrança, ela costumava ser um templo do saber com os seus devidos guias espalhados pelos diferentes andares. Estava interessado em artes? Havia ali um especialista ímpar que conhecia cada título, autor e tema pronto para ajudá-lo. Literatura portuguesa? Outro especialista brotava do chão para te guiar entre Camões e Saramago. Negócios? Um terceiro, amigo íntimo de Kotler e Porter.

Por muito tempo, a Livraria Cultura foi a minha Meca pelo simples fato de empregar pessoas que eram nitidamente apaixonadas por livros. Algo óbvio para uma livraria? Talvez em outros tempos.

Por favor me entendam: não quer fazer nenhuma crítica isolada à Cultura em si, que mesmo hoje segue como uma das melhores livrarias paulistanas. Mas esses especialistas, esses apaixonados por livros que falavam com propriedade de Platão a Sartre simplesmente evaporaram não apenas dela, mas do mercado inteiro.

Em seus lugares, profissionais clonicamente treinados para encontrar rapidamente títulos disponíveis ou para lamentar a inexistência de outros no estoque. Tudo rápido como mandam as leis do mercado, claro… mas tudo absolutamente descolado de um ambiente que deveria ser pautado pelo Saber.

Os especialistas em livros não sumiram só da Cultura, repito: eles foram, aparentemente, abduzidos em massa do planeta Terra. Exceto por um ou outro sebo escuro escondido em alguma rua de algum centro, todas as grandes livrarias se transformaram em ambientes tão assépticos quanto a sala de espera de uma clínica ortopédica.

“São as leis do mercado”, dizem muitos. Será? Leis de mercado costumam ser infalíveis por unir, em um casamento perfeito, o que o consumidor busca ao que o empreendedor oferece. Só que, se o mercado editorial tradicional está à beira do colapso, certamente é porque as tais leis do mercado foram, no mínimo, mal interpretadas.

Falando como consumidor, quando quero comprar algum livro específico, dificilmente vou a uma livraria física: a Internet me satisfaz com maior velocidade, menor preço e garantia de “encontrabilidade”. Mas e quando eu preciso ser “guiado” em um tema qualquer, quando ainda estou tateando um assunto imerso naquela típica insegurança socrática? Aí só a opinião alheia pode ajudar.

E sim: certamente conseguirei encontrar uma diversidade de opiniões alheias na Internet… mas às vezes há simplesmente caos demais no ambiente digital para que se consiga extrair dele um rumo mais claro, uma curadoria confiável.

É esse tipo de rumo que eu, pelo menos, esperaria encontrar em uma livraria física.

É precisamente ele que não existe mais lá.

Não é de se surpreender que a própria Cultura, assim como muitas outras redes de livrarias, estejam fechando lojas e diminuindo seus espaços: esse “nivelamento por baixo” generalizado que elas encamparam acabou se mostrando diametralmente distante das leis do mercado que pregam, acima de tudo, que se conheça bem tanto o consumidor quanto o próprio produto.

Tomara que alguma livraria acorde para o fato de que vender livro não é o mesmo que vender bananas.

Tomara que as boas livrarias físicas voltem logo.

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A imortalidade fundamental dos livros

Há quem diga que livros são apenas um compilado de páginas encadernadas em papel ou bits. Discordo.

Sim, sei que uma história pode ser contada em um TumblR, em um post no Facebook, em um muro. Ainda assim, é diferente.

Há uma espécie de rito, de cerimônia, inclusa no ato de se publicar um livro. É como se o autor, ao efetivamente publicar uma obra, ecoasse as palavras que Michaelangelo disse para sua escultura de Moisés no instante em que a concluiu: “Levanta-te e anda!”.

Que outras palavras caberiam ali, no êxtase daquele momento, afinal?

Ao ser finalizada, a escultura não mais pertencia ao escultor: já tinha vida própria, já suscitaria olhares e suspiros de quem quer que se deparasse com ela, já assumiria um papel único no imaginário de cada um que a visitasse. O escultor continuaria esculpindo outros trabalhos, claro, até morrer dentro da brevidade que o Tempo garante a todos nós; sua obra, no entanto, seguiria encantando gerações, tão imortal quanto imutável a partir do instante em que foi por ele finalizada, revelada.

É o mesmo que ocorre com livros.

Saramago já se foi; o Ensaio sobre a Cegueira permanecesse como um clássico imperdível da literatura mundial. Chinua Achebe deixou o mundo em 2013; Things Fall Apart, que ainda carece de uma tradução para português, certamente sobreviverá por séculos como a mais hipnótica versão africana das tragédias shakespearianas. Não sei por onde anda Carlos Moreira; mas Tetralogia do Nada, publicada aqui no Clube, já causou e seguirá causando impactos no mínimo tectônicos nas mentes de seus leitores.

Livros são diferentes de outras formas de escrita por serem as lápides das próprias histórias que encerram.

Posts podem ser alterados a qualquer momento; histórias orais podem ser mudadas ao sabor do hálito do narrador; e mesmo o teatro pode ser entendido de acordo com as entonações dadas por cada diretor ou companhia. Toda e qualquer história não publicada em um livro é viva, orgânica, sujeita a ondas infinitas de refações. Não há nada de errado com isso, claro: cada arte tem o seu propósito.

Mas é que é apenas quando uma história encontra seu fim criativo em um livro, quando é efetivamente encapada, diagramada, revisada e distribuída, que seu ciclo pode ser dado como completo. É apenas nesse instante, quando suas palavras passam a ser imutáveis, que ela deixa de pertencer ao autor e passa a pertencer à humanidade.

 

E a humanidade precisa de presentes assim para evoluir um pouco mais.

Contribuamos, nós que somos autores, com os nossos livros.

 

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