Números surpreendentes sobre a autopublicação

Fiz um post na quarta passada sobre a revolução que estamos testemunhando aqui no Clube com a mudança de postura de autores que decidem assumir as rédeas de suas carreiras e se autopublicar. Mas conceitos, normalmente, são difíceis de se interpretar sem algum tipo de lastro numérico, estatístico.

Pois bem: acabei me deparando com uma matéria da PublishNews que confirma o tamanho da revolução pela qual estamos passando tanto no Brasil quanto no mundo.

Recomendo a todos que acessem a matéria clicando aqui (ou na imagem abaixo) ou que baixem a pesquisa completa da Bowker, instituto que regula o ISBN nos EUA, aqui.

Ainda assim, cito alguns números:

  • Nos EUA, pelo menos 625 mil livros foram autopublicados em 2015. Para colocar isso em perspectiva, o Brasil tem algo como 50 mil livros anualmente publicados e o Clube de Autores, com 85% do mercado brasileiro de autopublicação, soma cerca de 7 mil por ano.
  • Este número registrado pela Bowker é cerca de 21% maior que em 2014 – um crescimento, portanto, impressionante.
  • E o que os autores independentes estão mais focando agora? Divulgação e marketing, claro, já que o acesso ao mercado já foi resolvido.

Há mais dados interessantíssimos na matéria, inclusive sobre o cenário brasileiro – mas, para isso, recomendo que se clique na imagem abaixo:

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A autopublicação e a Caixa de Pandora

Quando começamos o Clube de Autores, em 2009, havia um perfil quase monolítico de escritores com os quais nos deparávamos: o do “gênio ainda não descoberto” – com ênfase no “ainda”.

Até então, a principal barreira do mercado editorial era o acesso, era conseguir ter uma história devidamente publicada e disponível ao grande público. No imaginário do escritor desse passado recente, bastaria que algum ser inteligente o “descobrisse”, bancasse a sua publicação e pronto: o destino seria cumprido com o imediato povoamento de vitrines de livrarias com suas obras-primas.

Nossos tempos tem uma vantagem: hoje, eras inteiras passam em meses, semanas, dias, horas. 7 anos não costumam ser, ao menos normalmente, nada do ponto de vista de maturação de mercados. Mas esses últimos sete foram.

Nos primeiros dois ou três anos do Clube, uma tsunami de autores independentes passou a exibir os seus títulos. A autopublicação, supunham, viria como solução definitiva para aquele mecenas que teimava em não aparecer em seus caminhos. Mas publicar, infelizmente, nunca foi sinônimo de vender.

Quando as vendas não apareceram para todos, muitos passaram a buscar culpados externos em uma caça às bruxas pouco produtiva: os livros autopublicados eram caros demais, faltava alguém para “fazer o marketing”, faltava estar em uma livraria física, faltava apoio, faltava o mesmo mecenas de sempre.

O tempo foi passando.

Desse mundo de autores frustrados pelos baixos resultados de vendas, alguns decidiram parar de culpar o universo – mesmo porque isso não estava rendendo resultado algum – e começaram a tomar as rédeas dos seus próprios desejos. Acabaram concluindo que, se antes a barreira estava no acesso ao mercado – algo já ampla e gratuitamente viabilizado pela autopublicação – hoje a dificuldade residia na divulgação, no ato de fazer o seu livro ganhar os olhos dos seus leitores.

E, assim, eles foram usando as ferramentas que encontravam – de pequenos cursos online a blogs e redes sociais – para cuidadosamente formar os seus públicos e fazer as suas letras ganharem vida nos corações de leitores. Aos poucos foram entendendo como se divulgar, como cuidar de suas carreiras, como formar público, como não depender de absolutamente ninguém para ter sucesso.

Aos poucos foram colhendo resultados. Bons resultados, acrescento, do tipo que nem editoras mais tradicionais conseguem hoje.

Não digo aqui que haja uma receita simples para o sucesso: há muito mais do que o marketing para que um livro seja um best-seller. Seu texto precisa ser trabalhado, erros de português precisam ser aniquilados, a capa precisa ser sedutora e, sobretudo, o enredo precisa ser envolvente. E, enquanto alguns desses fatores realmente podem ser adquiridos online em sites como o Profissionais do Livro, outros dependem mesmo daquela matéria escura e possivelmente inata que perambula pela alma de alguns abençoados autores: o talento.

Mas há como nos sabermos talentosos? Dificilmente. Se ego inflado é pre-requisito para qualquer um que julgue que sua imaginação deva ser lida pelo mundo em um livro, como esperar que um escritor consiga se julgar “inferior” aos grandes mestres da narrativa? Até há casos assim – como Kafka que, antes de morrer, pediu ao amigo Max Brod que queimasse todos os seus textos. Mas Kafkas, tanto do ponto de vista de humildade quanto de talento, são raros.

Deixemos, portanto, essa capacidade de autoanálise de lado.

O fato é que o autor independente de 2016 é muito diferente do de 2009.

Hoje, aqui no Clube, vemos muito menos reclamações sobre um universo que conspira contra talentos individuais e muito mais esforço empresarial. É cada vez mais comum que autores entendam que estão vendendo “produtos”, por menos romântico que o conceito possa soar, e que precisam de públicos-alvo. É cada vez mais comum vermos lançamentos organizados diretamente por autores, capas bem trabalhadas que não nasceram das antigas (e naftalinadas) editoras convencionais, redes sociais sendo utilizadas como maneira de se cultivar a mesma audiência para a qual se pretende eventualmente vender algo.

O autor independente de 2016 está longe de ser aquele coitado abandonado de 2009: as agruras da realidade acabaram forjando nele a necessidade de se transformar em empreendedor que ousa, que aposta, que confia em si mesmo e que prefere não depender de ninguém por ter a perfeita noção de que somente ele conseguirá levá-lo até onde deseja chegar.

O resultado dessa mudança de postura?

Vendas.

Quando autores independentes viram empreendedores independentes, tudo muda. Eles conseguem seu espaço, sua audiência. Eles conseguem escoar suas histórias para um mundo que está sempre disposto a receber boas histórias.

E o resultado coletivo desse sucesso individual que muitos já começaram a colher por aqui?

Uma evolução sem paralelos em nossa força cultural. Uma revolução, eu diria.

Afinal, só com autores independentes há mais histórias brasileiras sendo publicadas e lidas. Há mais manifestações culturais.

Há menos estrangeirizações.

Há mais crescimento da brasilidade.

Há mais Brasil.

Quando começamos o Clube de Autores, lá nos longínquos idos de 2009, nem poderíamos imaginar o tamanho da Caixa de Pandora que estaria sendo aberta.

Ainda bem.

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Nossas línguas portuguesas

José Saramago é, sem a menor sombra de dúvidas, um dos meus maiores ídolos literários. Retifico: é um dos meus maiores ídolos. Ele está lá, pairando pelo meu Olimpo pessoal juntamente com Kafka, Tolstoi, Guimarães Rosa, Machado de Assis e um punhado de outros mestres que iluminaram minha vida com suas letras.

No caso de Saramago, sempre considerei que havia dois protagonistas onipresentes em obras primas como Caim, Ensaio sobre a Cegueira ou as Intermitências da Morte: os enredos fantásticos e a língua portuguesa.

Sua forma de escrever, suas frases intermináveis recheadas por vírgulas, a falta de fôlego imposta pela pontuação acelerada, tudo contribuía para dar um ritmo inimaginável aos textos. Era seu estilo, dizia a mim mesmo.

Até que, por conta da Fábrica de Historinhas, projeto que lançamos recentemente em parceria com uma editora portuguesa, me deparei com livros escritos em, digamos, “lusitanês”. Um dos meus papeis era adaptar os livros infantis escritos em português de Portugal para o português brasileiro – e confesso que imaginei que me depararia apenas com uma simples tarefa de tradução de termos como “fixe” ou “giro”. Ledo engano.

Sabe o que encontrei em cada uma das histórias? O mesmo estilo de Saramago, as mesmas frases aceleradas a ritmos alucinados, as mesmas regras gramaticais que julgava particulares, características de um estilo inconfundível.

Pois é: não era o estilo de Saramago que estava a me encantar por todos esses anos e sim a gramática portuguesa, com todas as suas regras de concordância e pontuação que em nada têm a ver com as nossas.

“Traduzir” livros infantis de um português para outro me fez entender que, apesar de não ser necessário fazer um curso para ler em “lusitanês”, histórias geradas por escritores de lá do além-mar tem esse tipo de tempero a mais que muda todo o ritmo dos textos. E, se isso fez com que Saramago perdesse um pouco do brilho (embora ele o tenha de sobra, devo acrescentar), fez também com que toda uma nova porta se abrisse para mim.

Que tal, de repente, conseguir ler autores em seu idioma original, diferente do “brasileirês”, sem precisar fazer um curso? Fantástico.

Estou, agora, à caça de portugueses para a minha biblioteca pessoal como quem descobre novas espécies de histórias para enriquecer vocabulário, imaginação, coração.

Descoberta empolgante, essa.

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Todos os impressos com até 25% de desconto no Clube!

Em uma semana quebrada por um feriado, quando o mês já aponta para o ano seguinte logo ali, na esquina, promoções literárias costumam ser especialmente bem vindas. São uma oportunidade a mais, por assim dizer, para degustarmos mais histórias e, por meio delas, crescermos. 

Pois bem: de hoje, dia 3, até quarta, dia 9, todos os impressos do Clube estarão com desconto de até 25%.

Vamos às regras:

1) Todas as obras impressas publicadas no Clube já estão incluídas na promoção;

2) Os descontos variam de acordo com a paginação de cada obra (sendo, portanto, diferente para cada uma);

3) Os descontos não abrangem os direitos autorais. Ou seja: independentemente do montante cortado no preço, os direitos autorais permanecem rigorosamente os mesmos e os autores não serão prejudicados em nenhum aspecto. Caso queiram ampliar as quedas de preço no período mexendo nos direitos autorais, os próprios autores deverão fazê-lo indo a Sua Conta > Livros Publicados, clicando em “gerenciar” e em “editar direito autoral”.

4) O desconto durará até o final da quarta, 09/11.

Boas vendas e bons presentes!!!

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