Os bons velhos tempos (que graças a Deus já se foram)

Na semana passada participei de um evento que, de alguma maneira não planejada, acabou enveredando para uma discussão sobre o mundo online versus o mundo offline.

Tenho pavor de discussões assim. Sempre tive.

Para mim, sequer considerar que há um mundo online que se contraponha a um mundo offline é uma excrescência. Ainda assim, o evento seguiu com pessoas dizendo que o mundo estava perdido, que o apocalipse poderia ser definido pelo excesso de conexões superficiais e pela carência de relações reais, que um post jamais substituiria um “cafezinho” e coisas do gênero. Argh.

Quem me conhece sabe que comentários assim chegam a me dar ânsia de vômito: são como tentar, a todo custo, se segurar a um passado que, como a própria palavra sugere, já passou.

O tempo caminha para a frente e, se quisermos nos manter vivos, ativos e relevantes, temos apenas uma alternativa: caminhar junto com ele.

Como? Deixando preguiça e preconceito de lado, aprendendo o que não sabemos e aproveitando todo esse universo de possibilidades que, pela primeira vez na história da humanidade, está aí, à disposição de todos. Afinal, se o mundo mudou tanto, foi porque nós, os humanos, impusemos essas mudanças; e se o mundo não está voltando a ser o que era, é também porque nós, enquanto comunidade global, preferimos continuar evoluindo.

Nesse mesmo evento acabei conversando com um autor daqui do Clube. Do alto dos seus 67 anos ele me contou que, ano passado, depois de incontáveis negativas de editoras tradicionais, decidiu publicar seu livro conosco. Como não sabia exatamente como já que intimidade tecnológica não era seu forte, pediu ajuda ao filho.

Depois de duas semanas, colocou o livro no ar. Aprendeu a usar o Facebook. Navegou pela infinidade de conteúdo sobre como se divulgar e testou o que pôde. Fez algumas ações de sucesso e outras de fracasso, mas seguiu tentando. Organizou um lançamento em uma livraria, fez promoções especiais, cativou um público fiel nas Internet. Um ano se passou e, hoje, ele está chegando perto dos mil exemplares vendidos – um número impressionante para um país como o nosso. Aliás, um número impressionante para qualquer país.

O que ele disse sobre toda essa discussão que se desenrolava no evento? Que não entendia a lógica, o motivo de ser dela. Afinal, imbuído do único desejo de contar a sua história, ele foi ao online descobrir uma solução que jamais existiria no mundo analógico, aprendeu a cativar uma audiência própria, feita de pessoas reais, conseguiu vender e, no processo, fez amigos que dificilmente cruzariam o seu caminho se ele se mantivesse apenas acomodado em um sofá velho reclamando da modernidade.

Sua conclusão? Só há uma maneira de viver hoje e ela não é nem online e nem offline: é onlife.

Nas palavras dele: “prenda-se ao passado e o máximo que você conseguirá publicar será a sua própria lápide”.

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