Os grandes livros a partir de suas primeiras frases

Na sexta passada fiz um post sobre como as grandes obras se fizeram por um casamento de enredos densos com pitadas de inspiração pura em forma de frases curtas. Para mim, foi como concluir uma lição dada pelos maiores escritores da humanidade sobre como envolver um público e se imortalizar por meio das letras.

Claro: como todas as grandes lições, essa está longe de ser técnica, simples: há a dificílima tarefa, afinal, de “parir” essas genialidades.

Ainda assim, é uma aula relevante. E quer outra?

Alguns dos mais brilhantes livros da humanidade já captaram as atenções de seus leitores a partir das suas primeiras frases. Pois é: em muitos casos, basta uma única frase para entorpecer os leitores com aquela gana de ler que costuma aparecer apenas quando a história em si já domina sua mente.

Quer exemplos?

Vamos a eles:

“Só há um problema filosófico realmente sério: o suicídio.” (O Mito de Sísifo, de Albert Camus)

“O passado é um outro país. Eles fazem as coisas diferente por lá.” (O Mensageiro, de L. P. Hartley)

“Era uma vez uma mulher que descobriu que havia se transformado na pessoa errada.” (Quando Éramos Adultos, de Anne Tyler)

“De certa forma, eu sou Jacob Horner.” (O Fim da Estrada, de John Barth)

“O sol, sem alternativa, brilhou sobre nada de novo.” (Murphy, de Samuel Beckett)

“No dia seguinte ninguém morreu.” (As Intermitências da Morte, de Saramago)

“Era um dia claro e frio de abril e os relógios batiam as 13.” (1984, de George Orwell)

“Era o melhor dos tempos, era o pior dos tempos.” (Uma História de Duas Cidades, de Charles Dickens)

Conclusão: o sucesso de um bom livro, em muitos casos, está logo em sua primeira frase.

 

 

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Uma aula dos grandes mestres

Chegue, enquanto escrevia aqui no blog na quarta passada, a uma questão que julgo interessante: seriam os grandes romances da humanidade aqueles que conseguem mesclar épicos envolventes, densos, a pensamentos capazes de gerar súbitos e imediatos orgasmos mentais?

Perceba o raciocínio: as grandes obras são necessariamente feitas de tramas engendradas, complexas, densas ao ponto de praticamente catapultar seus leitores a universos impensáveis. No entanto, essa viagens mentais proporcionadas acabam requerendo tanta concentração que pinceladas de genialidades acabam sendo necessárias até para manter o entusiasmo alto.

Exemplos?

Não faltam. Veja esses, com citações por si só mesmerizantes de livros cujos enredos são densos ao ponto de terem mudado os pensamentos das suas épocas:

Anna Karenina, de Tolstoi: “Todas as famílias felizes se parecem, mas cada família infeliz é infeliz à sua maneira.” 

O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupery: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”

A Máquina do Tempo, de H. G. Wells: “Soa plausível o suficiente hoje à noite, mas espere até amanhã. Espere pelo bom senso da manhã.”

Jane Eyre, de Charlotte Brontë: “A vida me parece curta demais para ser gasta cuidando de animosidades ou registrando malfeitos.”

Dom Quixote, de Miguel de Cervantes: “Finalmente, de tão pouco dormir e de tanto ler, seu cérebro secou e ele perdeu a cabeça completamente.”

Kafla à Beira Mar, de Haruki Marukami: “Memórias te aquecem por dentro. Mas elas também te rasgam por inteiro”.

O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde: “Hoje em dia se sabe o preço de tudo e o valor de nada.”

Grandes Esperanças, de Charles Dickens: “Nunca devemos nos envergonhar das nossas lágrimas.”

Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa: “O amor? Pássaro que põe ovos de ferro.”

E por aí lá vai, beirando o infinito.

Sim: pode até ser que alguma grande obra qualquer tenha sido tecida sem essas pequenas pílulas de embasbacamento… mas acho difícil. A utilidade dessa conclusão? Uma aula para os novos autores dada pelos grandes mestres.

A genialidade de uma história deve vir tanto em suas completude quanto em pílulas transversais.

 

 

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10 citações de Grande Sertão: Veredas

Não preciso dizer aqui o quão fascinado eu sou por Guimarães Rosa e sua literatura modernista, uma das mais autênticas já produzidas no Brasil. Não só já devorei quase tudo o que ele escreveu como já corri quase 150km pelos sertões que o inspiraram tanto lá no meio de Minas (veja o relato aqui).

A literatura roseana é carregada de contradições estilísticas, eu diria. Se, por um lado, contos se confundem com romances e capítulos inexistem em sagas que duram centenas de páginas sem uma única divisão, por outro há pequenas frases ou trechos que, por si só, valem livros inteiros.

Grande Sertão é assim: um épico digno de Tolstoi recheado de microgenialidades no estilo de Drummond. Hä como pedir mais a algum autor?

Dia desses o blog Litera Tortura publicou 10 citações incríveis da obra. Devo alertar que há spoliers envolvidos….  mas que  vale cada letrinha pregada na tela. Clique aqui para acessar.

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Inpire-se na outra Bienal

Quando vim para São Paulo, há mais de 20 anos, fiquei encantado com a cidade. Sim: a falta do mar baiano me deixava com banzo frequente, confesso. Mas a pluralidade da maior cidade da América do Sul foi, para mim, absolutamente sedutor.

Em um espaço relativamente pequeno, manifestações de artes e opiniões eram tão frequentes quanto o choque entre o antigo e o moderno, o velho e o novo, a evolução e a decadência. Essas diferenças tão comuns a grandes centros geram aquela sensação perfeita de caos que inspira qualquer um que se deixe levar por elas. Já no meu primeiro ano por aqui tive a oportunidade de descobrir a Bienal de Artes, então um evento inacreditavelmente rico e composto por obras de grandes mestres do passado a talentos que estavam surgindo no cenário global. Amei. Pirei.

E por que desse relato todo? Porque o último dia 7 de setembro marcou o início de mais uma Bienal de Artes.

A Bienal como um todo perdeu muito de anos para cá, é verdade – mas ainda mantém aquele clima de inspiração convertida em instalações exóticas que fazem a criatividade de qualquer um suspirar.

Há alguns dias fiz um post meio com cara de crítica à Bienal de Livros que, já faz tempo, vem se transformando mais em um feirão de descontos do que em uma exposição de novos talentos e inovações. A Bienal de Artes trafega no sentido oposto – ainda bem.

Do que nós, escritores, sempre precisamos? De inspiração – seja para conceber novas histórias ou para capitanear a abertura de mercados para as já publicadas. E inspiração, sem dúvidas, se pode encontrar lá na Meca das artes que se instalou até o dia 11 de dezembro no Parque do Ibirapuera.

O título da mostra, aliás, não poderia ser mais condizente com os nossos tempos: Incerteza Viva.

Vá.

Se inspire.

Respire.

E exale a inspiração que com certeza captará por lá.

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Setembro começa com até 25% de desconto em todos os impressos do Clube!

Nada como uma boa promoção para pegar carona na Bienal e melhorar o feriado de 7 de setembro. De ontem, dia 7, até quarta, dia 14, todos os impressos do Clube estarão com desconto de até 25%.

Vamos às regras:

1) Todas as obras impressas publicadas no Clube já estão incluídas na promoção;

2) Os descontos variam de acordo com a paginação de cada obra (sendo, portanto, diferente para cada uma);

3) Os descontos não abrangem os direitos autorais. Ou seja: independentemente do montante cortado no preço, os direitos autorais permanecem rigorosamente os mesmos e os autores não serão prejudicados em nenhum aspecto. Caso queiram ampliar as quedas de preço no período mexendo nos direitos autorais, os próprios autores deverão fazê-lo indo a Sua Conta > Livros Publicados, clicando em “gerenciar” e em “editar direito autoral”.

4) O desconto durará até o final do quarta, 14/09.

Boas vendas e bons presentes!!!

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