É sempre bom nos sentirmos heróis

Esse é um daqueles posts que se baseiam na “eustatística”, por assim dizer. Talvez a palavra em si esteja errada: não pretendo cuspir números cruzar conclusões matemáticas, afinal, mas sim sublinhar uma previsão.

Sempre advoguei com a veemência de um fanático religioso que nunca, na história deste país, se leu tanto quanto hoje. Quando falo isso, costumo ouvir de pseudo-críticos literários que de nada adianta ler mais se a qualidade da leitura e questionável. Sempre detestei esse preconceito intelectualóide, essa soberba de tantos em achar que existe uma “boa literatura” – em geral aquela alinhada aos seus próprios gostos – versus uma “má literatura”. Foi esse pensamento, para ficar apenas em um exemplo, que fez com que tantos regimes emburrecedores, da inquisição medieval às ditaduras latinoamericanas, queimassem livros em praça pública.

Existe uma única coisa: literatura. Histórias contatas por uns para o prazer e o engrandecimento intelectual de muitos.

Graças à Era da Informação, esses “uns” contadores de história tem se multiplicado. Vemos isso cotidianamente aqui no Clube, que já soma algo como 25 novos livros publicados todos os dias. Sorte de um povo que consegue viver em um tempo com tantas histórias sendo contadas de maneira livre, aberta e disponível.

Sorte de um povo que tem liberdade para escolher a literatura que deseja consumir, ignorando a opinião impositiva alheia que costumava ditar as regras do mercado editorial.

E sorte de um povo que pode contar também com tantas maneiras diferentes de se consumir livros.

Falo por mim – sou um leitor voraz, absolutamente apaixonado por livros.

Para citar o meu exemplo, consumo livros de todas as formas.

Pela manhã, quando corro no parque ou quando venho ao trabalho, prezo cada segundo ouvindo um audiolivro.

Durante o dia, consigo encaixar algumas escapadas do trabalho para ler um ebook de autor independente, publicado aqui no Clube.

De noite, quando toda a casa já adormeceu, deixo as luzes acesas para ler um impresso.

Três livros simultaneamente, escritos por autores diferentes e consumidos em formatos diferentes. Vou além: é justamente a diversidade de formatos que me permite lê-los ao mesmo tempo uma vez que o audio, o digital e o impresso acabam se alinhando perfeitamente a cada circunstância, preenchendo vácuos que, em outros tempos, permaneceriam vazios.

E esta é, pois, a minha previsão talvez calcado em um egoísmo semi-psicótico: a de que o hábito de leitura do brasileiro crescerá a níveis que ainda desconhecemos justamente pela profusão de novas histórias e de novos meios para consumi-las.

E de que os protagonistas dessa nova era da informação, uma era feita da intelectualização generalizada não apenas do brasileiro, mas de todos os povos do mundo, seremos justamente nós, autores independentes que estamos subvertendo a ordem ditatorial do mercado literário.

É sempre bom nos sentirmos heróis.

Parabéns a nós mesmos.

super-heros

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