Vamos ao Machado de Assis

Ele é sempre o exemplo que utilizo quando me perguntam sobre autopublicação.

Há uma imagem de que o mercado para escritores hoje é muito mais difícil do que o do passado – que, lá atrás, existia todo um grupo de editores que apoiavam ferozmente novos talentos e os deixavam com a tarefa única de escrever.

Isso nunca foi verdade. Esse modelo de escritores descobertos pelo mercado e ganhando a possibilidade de dedicar o seu tempo única e exclusivamente em escrever nunca foi real, pelo menos não do ponto de vista da normalidade. Há exceções? Claro. Mas sempre foram poucas e raras.

A regra sempre foi outra. É difícil imaginar um escritor famoso, em qualquer canto do mundo, que não tenha dominado as ferramentas de marketing e autopromoção.

Machado de Assis, nosso grande mestre, não está fora dessa esfera. Ser negro, epiléptico e pobre no Rio de Janeiro do século XIX dificilmente abria portas.

Mas ele, no entanto, as abriu.

Vale conferir esse pequeno documentário sobre sua vida- e se inspirar com este que é provavelmente o maior mestre da nossa literatura. Mesmo porque, verdade seja dita, se tem uma coisa que os nossos tempos possibilitaram foi uma quantidade muito maior de portas que podem ser abertas mais facilmente do que nos séculos passados.

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Dia das Crianças com até 25% de desconto nos impressos!

É na infância que se forja um bom leitor – claro. E, como sempre fazemos na época do Dia das Crianças, estamos colocando no ar uma promoção que garante até 25% em todos os impressos do Clube, indo de hoje (5) até a segunda que vem (12)!

Vamos às regras:

1) Todas as obras impressas publicadas no Clube já estão incluídas na promoção;

2) Os descontos variam de acordo com a paginação de cada obra (sendo, portanto, diferente para cada uma);

3) Os descontos não abrangem os direitos autorais. Ou seja: independentemente do montante cortado no preço, os direitos autorais permanecem rigorosamente os mesmos e os autores não serão prejudicados em nenhum aspecto. Caso queiram ampliar as quedas de preço no período mexendo nos direitos autorais, os próprios autores deverão fazê-lo indo a Sua Conta > Livros Publicados, clicando em “gerenciar” e em “editar direito autoral”.

4) O desconto durará até o final da segunda, 12/10.

Que muitas boas histórias sejam lidas!!!

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O caos, nosso passado e nosso futuro

Sempre fui apaixonado pela teoria do caos. Parte dela inclui o famoso exemplo de uma borboleta que, ao bater as suas asas em algum canto qualquer do mundo, pode desencadear uma série de acontecimentos que vão crescendo feito uma bola de neve até mudarem, de maneira dramática, os rumos da humanidade.

Tomemos um exemplo claro, embora mais dramático do que o bater de asas de uma borboleta: o grande terremoto de Lisboa de 1755.

No dia 1 de novembro desta data, enquanto todas as igrejas da capital de um dos maiores impérios do mundo se iluminavam com velas para comemorar o dia de Todos os Santos, um movimento nas placas tectônicas no fundo do Atlântico fez tudo mudar de figura.

De repente, a capital foi sacudida com uma violência sem precedentes; as tantas velas acesas caíram e iniciaram focos de incêndio espalhados por todos os seus bairros; e, quando cidadãos apavorados saíram correndo em direção às margens do Tejo, longe das construções, uma tsunami veio e os varreu da existência. Tudo mudou.

À época, o Marquês de Pombal estava apenas começando no comando do império. Por conta do terremoto, conseguiu dinheiro e poder para reconstruir a capital ao espelho das outras grandes metrópoles europeias. Ele conseguiu – em grande parte fortalecendo a coleta de impostos das suas colônias e impondo reformas administrativas dramáticas. A capital do Brasil, por exemplo, mudou de Salvador para o Rio; e mudanças na burocracia local fizeram com que o mesmo ouro que correu para Portugal gerasse revoltas no Brasil. Um desses focos de descontentamento, por exemplo, foi a Inconfidência Mineira, combatida pelo Marquês com grande sucesso.

Bom… voltando às asas da borboleta, e se o terremoto não tivesse ocorrido ou se fosse em um outro dia, com menos velas e, portanto, menos incêndios? Teria Pombal adquirido tanto prestígio para mudar tanta coisa em Portugal e no Brasil? Como estaria a nossa vida? E a nossa literatura, à época contando com gênios que foram perseguidos na Inconfidência como Tomás Antônio Gonzaga ou Cláudio Manoel da Costa, dentre tantos outros?

Tudo, provavelmente, seria diferente.

Mas não é.

Hoje, somos o resultado de uma série de acasos caóticos que nos colocaram aqui e que nos levarão a futuros que estão, possivelmente, menos em nossas mãos do que gostaríamos. Essa sensação de impotência, no entanto, tem efeito dúbio: nos tira um pouco da esperança de comandar os grandes feitos do nosso destino mas, por outro lado, mantém alta a adrenalina pelo desconhecido que certamente está por vir.

E voltando à Lisboa de 1755, vale conferir essa incrível reconstrução da tragédia feita pelo Instituto Smithsonian:

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