Vendo histórias a partir de suas ausências

Há uma espécie de anexo à Pinacoteca de São Paulo onde funciona o Memorial da Resistência. Nos anos mais negros da história recente do Brasil, o temido DOPS – Departamento de Ordem Política e Social – ficava ali. Traduzindo: naquelas dependências, um sem número de brasileiros foi detido e torturado até os limites da humanidade.

Hoje, uma pequena exposição ilustra alguns dos efeitos daquela era: ausências, do fotógrafo Gustavo Germano.

São duplas de fotos das mesmas pessoas, todas combatentes políticas, tiradas dos mesmos lugares, separadas apenas por algumas décadas.

E, nas fotos, os olhares de antes e de hoje revelam um abismo desesperador. Em alguns casos, revelam pessoas que se foram; em outros, lembranças para sempre presas à carne, traduzidas em uma mescla de medo com ódio.

E por que estou postando isso aqui no blog? Porque essa exposição acaba contando histórias de maneira tão profunda quanto instantânea. Não há enredos longos, não há tramas complicadas que se desenrolam por horas, não há, em muitos casos, nem pessoas em frente a paisagens.

Mas há uma inspiração incrível despertada a partir da fotografia.

Recomendo fortemente a todos os autores que estiverem por aqui por Sampa.

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